Sábado, 30 de Maio de 2020
HISTÓRIA

'Paralisação - Parte I': em 1918, a Gripe Espanhola impactava o Barezão

Terminado antes do fim em 2020, o Campeonato Amazonense também sofreu as consequências do combate à disseminação do novo coronavírus. Há 102 anos, o 'adversário' foi outra epidemia



WhatsApp_Image_2020-03-19_at_07.26.06_AC82D344-6264-4BAF-B63B-8B54A9967F18.jpeg O Nacional foi o campeão da edição de 1918 do Barezão. Foto: Arquivo Carlos Zamith
22/03/2020 às 08:27

Na sexta-feira (20), a Federação Amazonense de Futebol (FAF) oficializou o término do Campeonato Amazonense 2020 por conta da pandemia global do novo coronavírus. A decisão aconteceu em uma reunião, na sede da entidade, com representantes de todos os clubes da elite estadual. Antes, na terça-feira, o Barezão havia sido paralisado temporariamente por 15 dias.

Esta será a segunda vez que o Campeonato Amazonense será interrompido por conta de um surto viral. No ano de 1918, a epidemia responsável por ‘parar o mundo’ foi a Gripe Espanhola, que matou de 50 a 100 milhões de pessoas ao redor do globo, estima-se - cerca de 2% a 3% da população mundial da época.



Para entender um pouco mais os impactos da ‘Paralisação do Barezão - Parte I’, o CRAQUE entrou em contato com Gaspar Vieira Neto, historiador e pesquisador amazonense. Nesta reportagem especial, falamos sobre o ‘estrago’ feito pela Gripe Espanhola em Manaus, o período sem jogos e a realização ‘pausada’ da quinta edição do campeonato estadual.

O surto epidêmico

Nas últimas semanas vivemos dias de combate à disseminação da Covid-19, doença causada pelo novo coronavírus que já matou aproximadamente 10 mil pessoas ao redor do globo e 11 no Brasil - até o fechamento desta reportagem. Em 1918, só Manaus contabilizou 9 mil infectados por Gripe Espanhola de uma população de 70 mil. Foram cerca de 900 mortos na capital amazonense.

Foram aproximadamente 900 mortos por Gripe Espanhola em Manaus. Foto: Reprodução

Com o temor de mais vítimas, em 31 de outubro de 1918 o Jornal do Comércio comunicava a proibição da prática de esportes assim como a suspensão do Campeonato Amazonense devido ao surto da Gripe Espanhola.

“A commemoração (sic) dos mortos deverá ser prohibida (sic) agora; os jogos desportivos devem ser suspensos temporariamente; os theatros (sic) e os cinemas deverão ser fechados; as manobras militares serão suspensas; as visitas aos hospitais ficam desde já prohibidas (sic); os botequins devem ser fechados à noite”, informava o governo através do diário.

A realização do Barezão

O ano de 1918 marcava a promoção da quinta edição do Campeonato Amazonense e o estadual daquele ano contou com a participação de sete equipes: Nacional, Rio Negro, União Sportiva, Amazonas, Luso, América e Manos Sporting. Já o jogo de abertura aconteceu no Campo da Floresta, no dia 17 de fevereiro daquele ano, quando o Naça venceu o Amazonas por 3 a 1.

A paralisação, no entanto, veio em outubro daquele ano, quando no dia 27, Manaos Sporting e União Sportiva empataram em 1 a 1 na última partida antes da pausa por conta do surto epidêmico. O Barezão de 1918 só voltou a ser disputado em 1919, no dia 12 de janeiro. E foi logo com duas partidas: Rio Negro 3 x 0 Nacional e Amazonas 0 x 0 América.

O Rio Negro foi o vice-campeão do Barezão de 1918. Foto: Reprodução/Jornal do Commercio

No período de pausa, o número de mortes por conta da Gripe Espanhola foi acentuado, como recorda, com base nos registros da época, Gaspar Vieira Neto. “Somente em novembro de 1918, no cartório do escrivão Carlos Augusto Machado, foram registrados 196 óbitos, sendo que a grande maioria, 145, morreram devido à Gripe Espanhola”, relembrou o historiador e pesquisador amazonense para o CRAQUE. 

Diferente de hoje, o Campeonato Amazonense da época era disputado em pontos corridos. Todos os times jogavam entre si em primeiro e segundo turnos. Vindo de um bicampeonato, o Naça levou o título e deixou o Rio Negro com o vice pela terceira vez. O time da Praça da Saudade, à época, alegou favorecimento ao time azulino. O elenco base do Leão tinha: Nery, Fidoca, Fernandinho, Rodolpho, Althberto, Meninéa, Dantas, Paulo Mello, Azevedo, Pará, Aureliano, Bastos, Pequenino e Craveiro. 

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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