Sábado, 04 de Dezembro de 2021
Foco na recuperação

Paratleta amazonense se recupera de nova cirurgia no joelho: 'Treinar e fazer o que eu já fazia antes'

Brendow tem o joelho direito lesionado há sete anos e precisou passar por mais um procedimento no começo da semana



WhatsApp_Image_2021-07-16_at_13.50.03_FCFE5326-CDF2-40E8-8F21-805CE85DA72A.jpeg Foto: Divulgação
16/07/2021 às 13:59

O paratleta amazonense de lançamento de dardo, Brendow Christian - também conhecido como Demolidor, por conta de seus inúmeros títulos e recordes -, vem passando por um momento delicado em sua carreira em decorrência de uma grave lesão no joelho direito, que precisou de uma nova cirurgia na última segunda (12).

Brendow e seu joelho têm uma história complicada desde 2014, quando aconteceu a primeira lesão. Desde então aconteceram três idas à sala de cirurgia, mas até a primeira acontecer, foi um processo complicado. Sem plano de saúde, o procedimento teria que ser feito pelo SUS e não havia qualquer previsão.



“Essa lesão no joelho é assim: treinava em Manaus, competia pelo Amazonas. Em 2014, eu estava em uma competição em Fortaleza e, em uma das fases, acabei me lesionando. Voltei para Manaus e não tinha estrutura alguma, fiquei um bom tempo machucado. Tive que ir atrás de apoiadores para me ajudar na recuperação. Fiquei um bom tempo sem poder treinar, só na fisioterapia, busquei alguns patrocinadores de academia para fazer o fortalecimento. Como eu não tinha convênio médico, sem estrutura para operar, tentei vários hospitais para fazer a cirurgia e nunca conseguia”, contou.

No fim de 2015, Christian recebeu a proposta de integrar a equipe do SESI, se mudando para São Paulo em 2016. Foi quando, depois de dois anos, o atleta recebeu uma ligação informando sobre a vaga de cirurgia em Manaus. Porém, por causa dessa nova fase de vida, morando em outro lugar, nada foi feito.

“Fiquei competindo em alto rendimento, viajando para vários lugares. Só que chegando em 2018, no Pan Americano Universitário, meu joelho estourou. Tive que fazer cirurgia de emergência e, depois disso, meu rendimento nunca mais foi o mesmo. Ainda compito em alto rendimento, mas aí essa lesão foi piorando, até que tive de fazer outra cirurgia no mesmo joelho e, dessa vez, soltou uns pedaços de cartilagens, fazendo com que o joelho inchasse e travasse. O menisco lateral acabou de vez, não tem mais nada”.

Sequelas

Até hoje o atleta sofre as consequências da demora dessa cirurgia, que se houvesse sido feita na época da primeira lesão, não teria impactado gravemente no seu bem-estar. Além disso, Brendow lamenta a baixa no seu rendimento.

“Isso foi uma das coisas que acabou me ferrando. Minha lesão foi em 2014, em Fortaleza. Se eu tivesse voltado e me operado, com certeza o menisco, a artrose, as ações degenerativas, cartilagem, tudo isso ia estar preservado. Não seria necessário que eu me operasse lá em 2018. Se eu tivesse feito antes, meu desempenho poderia estar muito melhor hoje”, lastimou.

“Na realidade minha lesão não tem mais cura, por assim dizer. O médico falou que se continuar nessa progressão, quando eu estiver bem mais velho, talvez seja preciso colocar até uma prótese, mas espero que não seja necessário. Agora não tem nada que eu possa fazer para corrigir. Tem os procedimentos que são infiltração, aplicação de ácido hialurônico, alimentação, colágeno, mas não tem muito jeito para reverter”, disse.

Futuro

Agora, o foco de Brendow é se recuperar do procedimento cirúrgico e se preparar para as competições, que acontecerão ainda esse ano e nos próximos.

“Eu estou concorrendo a uma bolsa de pós-graduação na Estácio como atleta, acho que essa semana sai o resultado. Conseguindo essa bolsa, vou ter que disputar os Jogos Paralímpicos Brasileiros Universitários, em setembro. E vai ter mais uma, no final do ano, que não sabemos o nome ainda. Vai ser uma adaptação, como se fosse um Meeting, somente para os melhores atletas ou convidados”.

“Vou ficar de molho essa semana, sem fazer nada. Na próxima, o médico quer me ver pra ter noção de como vou estar, aí acho que semana que vem já começo a fisioterapia. Acho que no mínimo uns 30 dias (de recuperação), porque foi uma limpeza, retirada das cartilagens, mas só o tempo e médico vão poder afirmar. Agora meu foco é treinar e fazer o que eu já fazia antes, pra poder pensar em competir o Parapan-Americano no Chile em 2023 e as Paralimpíadas em 2024”, finalizou.

Alice Pereira
Repórter de A Crítica

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