Sábado, 31 de Outubro de 2020
CORONAVÍRUS

Paratleta e no grupo de risco da Covid-19, nadador do AM adota treinos 'caseiros'

Jean Dias tem 45 anos de idade, é um dos atletas mais experientes do Amazonas, e possui problemas respiratórios



WhatsApp_Image_2020-04-07_at_17.51.28_75342774-05D8-4045-A0EB-C8B66F6B52A7.jpeg Foto: Valdo Leão/Secom
12/04/2020 às 07:38

Para conter a disseminação do novo coronavírus, a paralisação das atividades não essenciais foi aderida em muitos países ao redor do mundo. A medida, porém, impactou atletas de, praticamente, todas as modalidades esportivas, já que competições foram suspensas e a rotina de treinos precisou ser mantida dentro de casa, em isolamento. Mas para quem sonha por grandes conquistas, as barreiras servem de motivação.

Nadador paratleta, Jean Dias é um dos principais esportistas do Amazonas. Com 45 anos, o amazonense já disputou cerca de 195 competições, tendo conquistado 96 medalhas - deste montante, 50 foram nas provas de nado borboleta, ‘especialidade da casa’. Momentaneamente distante das piscinas de Olímpico, Bosque Clube e CSU do Parque 10, locais de treino e preparação para as competições, o nadador também se distancia do risco da Covid-19.




Com o isolamento social, Jean se distanciou das piscinas. Foto: Acervo pessoal

Afinal, além de estarmos falando de um paratleta fantástico, estamos falando dos desafios de uma pessoa que, como qualquer outra, também pode possuir problemas de saúde. Neste caso, as doenças respiratórias, mais precisamente, bronquite e asma, colocam Jean no grupo de risco do novo coronavírus. Mas para os ‘fora de série’, as dificuldades são pequenas quando há um objetivo especial. Para Jean, ele é bem claro: conseguir o índice brasileiro para chegar aos Jogos Paralímpicos de Tóquio. 

Treinos ‘caseiros’

Já que clubes ao redor de todo o mundo foram fechados por conta das medidas de prevenção à Covid-19, quem vive de competições tem improvisado em casa mesmo para manter as atividades e o ritmo de treinos. No caso de Jean, o paratleta conta com a ajuda dos treinadores Glauber e Wellington, que mandam sessões de treinos via WhatsApp. A estratégia é seguida à risca pelo nadador, que ainda tem a ajuda da mãe fisioterapeuta nas atividades.


Jean tem mantido a rotina de treinamentos, mas em casa. Foto: Acervo pessoal

“Às segundas, quartas e sextas eu faço o treino do Glauber. Já às terças e quintas, sigo o treino do Wellington, que é mais voltado à natação. Mudou muito a minha rotina, é bem diferente. Antes eu acordava por volta das 5h, para acordar o músculo e já preparar para academia e piscina. Mas esse tempo em casa é necessário”, avaliou Jean, que sendo do grupo de risco, se preocupa ainda mais com o isolamento social.

“É complicado, muitas pessoas estão morrendo. Tenho vários parentes que são profissionais da saúde e eles dizem que o problema é real. Peço ao povo que não saia de casa. Não é filme, é realidade. No começo do ano tive uma crise asmática forte, mas consegui melhorar, até conseguir aprender a tratar desses problemas respiratórios com a ajuda de meu padrinho, que é médico”, destacou o paratleta.

Sonho de criança

Para Jean, participar das Paralimpíadas seria a realização de um sonho de criança. Já com um Sul-Americano e um Mundial no currículo, a preparação agora é para alçar um voo ainda maior, com o Japão como destino. “Fico até emocionado de falar. O momento pelo coronavírus é triste, mas estou me preparando para os Jogos Paralímpicos. Só me resta treinar para obter o índice brasileiro, para assim eu ter chance de conseguir o índice dos Jogos”, explicou o paratleta.


Com alto número de medalhas na carreia, Jean sonha em disputa a Paralimpíada. Foto: Acervo pessoal

No início do ano, antes da paralisação, o amazonense já havia conquistado a medalha de prata do Norte-Nordeste, na prova de 400m. A conquista rendeu uma vaga no Brasileiro da modalidade. Por conta da paralisação pela Covid-19, o calendário de competições foi suspenso, mas em caso de manutenção do evento, o paratleta precisa de apoio com passagens para viajar e disputar pelo índice brasileiro. Mais um desafio ao experiente nadador.

“Se eu não conseguir viajar, sofro multa por não conseguir competir. Tenho apoio de patrocinadores, como a Academia Fit One, Body Shape, Fisiocenter, os clubes onde treino, mas ainda não é o suficiente. Peço ajuda às secretarias para que seja possível eu competir quando tudo voltar ao normal”, projetou Jean, que vai superar barreiras, mesmo nadando, para conseguir ainda mais resultados marcantes.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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