Sexta-feira, 13 de Dezembro de 2019
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Parintins (AM) ficou de fora do revezamento da Tocha Olímpica por problemas sócio-econômicos

Contactada pelo Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos Rio 2016, a cidade de Parintins se recusou a participar do Revezamento da Tocha por problemas financeiros e sociais



1.jpg A Tocha Olímpica foi apresentada em Brasília no dia 3 de julho pela presidente Dilma Rousseff.
17/07/2015 às 16:41

Um dos principais símbolos das Olimpíadas é a Tocha que carrega o fogo olímpico que representa o espírito da paz, da união e da amizade. Esse fogo passa por um revezamento que leva a mensagem olímpica para além da cidade-sede e para contagiar a população com esse espírito. Antes dos Jogos do Rio, em 2016, a Tocha passará por aproximadamente  300 cidades, impactando uma grande parcela da população. 

O fogo, tradicionalmente, é aceso em uma cerimônia na cidade grega de Olímpia, berço dos Jogos Olímpicos da antiguidade e chegará ao Brasil de 100 a 90 dias antes da abertura dos Jogos, no dia cinco de agosto. No Amazonas, a cidade de Manaus foi anunciada na rota do revezamento da Tocha. Outra cidade que poderia entrar na rota seria Parintins, mas ilha tupinabarana, que fica a 369 quilômetros da capital, não foi anunciada juntamente com as 83 cidades no início de julho.



O motivo para a cidade dos bumbás ter ficado de fora, foi a recusa por parte do prefeito, Alexandre da Carbrás, quando o contato foi feito no mês de janeiro.  A reportagem tentou contato com o prefeito para falar sobre o assunto, mas quem se pronunciou foi o secretário extraordinário de assuntos institucionais da Prefeitura de Parintins, Cleomar Eustáquio, o Comitê enviou um e-mail com a proposta que foi recusada à época. O motivo: dificuldades financeiras da cidade.

“Foi no inicio de janeiro que recebemos esse e-mail do Comitê Olímpico, mas Parintins, apesar de toda a festa e fama positiva por causa do Boi, apresentava problemas financeiros e sócio-econômicos. Mesmo ciente dos benefícios e da importância  desse evento, foi impossível para o município dizer sim. Parintins esteve  no CAUC - o Serasa federal - até o mês  passado, isso implica que desde 2011 não podemos fazer convênios e receber recursos do governo federal .Foram obras embargadas, outras construídas em terrenos de terceiros, e contrapartidas não pagas pela gestão anterior, cujo prefeito era o atual deputado estadual Bi Garcia. Um prejuízo absurdo a Parintins, que já vive suas grandes dificuldades há décadas por estar no G100, o grupo nacional de municípios considerados de alta vulnerabilidade socio-econômica (renda per capita abaixo da média  nacional). Então, naquele momento, nós estávamos correndo atrás do prejuízo em que a cidade se encontrava”, explicou.

Além disso, pesava a questão de logística, uma vez que  seria necessário providenciar itens como segurança, saúde, transporte, água e bombeiros, exigidos pelo Comitê.

Eustáquio explicou que as dívidas que o município  foram sanadas em meados do mês de junho deste ano. Problema resolvido. Com isso, o município entrou em contato com o Comitê Organizador Rio 2016 para entrar na lista. Porém, o nome de Parintins não apareceu na relação das cidades que receberão a tocha. “Nos explicaram que as cidades estavam definidas e que iriam nos incluir nos grupos de apoio e estamos esperando o contato do Comitê para saber o que devemos fazer”, disse.

 A reportagem entrou em contato com o Comitê dos Jogos, que explicou que as cidades que irão compor o revezamento ainda não foram fechadas e que mais cidades poderão entrar na lista. “A gente só divulgou a rota das cidades onde a tocha vai pernoitar –uma lista com 83 cidades. No total, teremos cerca de 300 cidades, que ainda estão sendo definidas. A questão não está fechada e muitas cidades ainda poderão ser incluídas”, informou  o Comitê.

O deputado estadual Bi Garcia, ex-prefeito de Parintins, explicou que as obras mencionadas eram de incentivo ao esporte e que as acusações contra a gestão dele  são “levianas”.

“Começamos a implantação da primeira etapa de uma mini vila olímpica em Parintins, desapropriamos várias áreas e começamos a implantação desse projeto tão importante para o esporte. Foi uma emenda de aproximadamente R$ 800 mil  e esse projeto ficou pelo caminho. O que eu posso afirmar é que a arma da incompetência é fazer acusações levianas, contra uma administração inovadora e que encerrou oito anos de governo com aprovação popular de mais de 70%. Eu lamento que a população parintinense, os jovens principalmente, não recebam a Tocha Olímpica, o símbolo do esporte, do que se tem de melhor para a juventude”,  disse o ex-prefeito de Parintins  por meio de nota oficial.

A Tocha em Manaus

O revezamento passará por todas as capitais do Brasil e Manaus não foge à regra. A Tocha pernoitará em Manaus - ou seja, passará mais de uma dia na capital amazonense.

A data ainda não foi definida, mas é provável que ela chegue em terrás barés entre maio e junho de 2016.

De acordo com a Fundação Municipal de Cultura, Turismo e Eventos (Manauscult), os encargos da cidade para o revezamento da tocha são basicamente segurança e equipe de apoio para coorganização dos eventos. Para o evento não é necessária nenhuma adequação de infraestrutura na cidade.

Ainda não foi definida a quantidade exata de pessoas envolvidas na passagem da tocha olímpica por Manaus, pois além da Prefeitura de Manaus e do Governo do Estado, haverá um staff do Comitê Olímpico.

Além de atletas, estudantes, por exemplo, também farão parte do revezamento em Manaus. Porém os critérios são definidos pelo Comitê e patrocinadores (Coca-Cola, Bradesco e Nissan). Alguns patrocinadores, por exemplo, lançaram campanhas em sites onde interessados em carregar a tocha podem se inscrever para participar de uma seleção e ser incluso no revezamento.

A rota da tocha olímpica em Manaus ainda não foi definida, mas a intenção da Manauscult é que o evento envolva o maior número possível de áreas da cidade. Um projeto será feito e apresentado ao Comitê que analisará o possível itinerário.

“A Prefeitura de Manaus entende que os valores olímpicos e o momento único de contato com a tocha deve ser estendido ao maior número de pessoas na cidade, portanto, nossa articulação junto ao Comitê Organizador é fazer com que o percurso da tocha passe pelo maior número de zonas da cidade, incluindo os principais ícones culturais e históricos de Manaus, como a Arena da Amazônia, o Paço da Liberdade e o Teatro Amazonas”, explicou o diretor-presidente da Manauscult, Bernardo Monteiro de Paula.

A Manauscult afirma que a Prefeitura  já fez a primeira reunião com o grupo responsável pelo revezamento da tocha e aguarda novas instruções do comitê organizador para os encaminhamentos necessários do evento.



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