Quarta-feira, 19 de Junho de 2019
Craque

Participação feminina no futebol ainda enfrenta dificuldades

Diante da dificuldade de promover futebol feminino, o Peladão é a salvação delas



1.jpg Kerolen começou como atacante e agora joga embaixo da trave
20/09/2013 às 09:11

Cercada por preconceitos sócio-culturais, a participação das mulheres no futebol ainda enfrenta dificuldades, sobretudo no Brasil. No Peladão, a categoria feminina foi criada há nove anos e, depois de dois anos seguidos com apenas 34 equipes na disputa, a competição comemora em 2013 o crescimento do número de times inscritos, que subiu para 43.

A quantidade de times na disputa feminina esse ano só é menor que a registra na primeira temporada da categoria, em 2005. Naquele ano, 44 equipes disputaram o troféu.

O coordenador do Peladão, o radialista Arnaldo Santos, foi o responsável pelo ingresso da categoria feminina no maior campeonato de peladas do mundo. Ele conta que com o surgimento de outras categorias na competição, como o Peladinho e o Master, ficou claro que só faltava a entrada das mulheres para a maior festa do futebol amador do Estado ficar completa.

“Achamos que era hora de ter a mulher não só na disputa do concurso de rainha, mas também no torneio de futebol. Foi uma iniciativa até mesmo para incentivar que outros campeonatos fizessem o mesmo”, conta Arnaldo Santos.

O radialista diz lamentar que o futebol feminino ainda não seja levado a sério no País como em outras partes do mundo. Mas Arnaldo acredita que o Amazonas pode comemorar o fato de ter a equipe do Iranduba como representante no Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino.

O Campeonato Brasileiro de Futebol Feminino foi lançado no dia 16 de Setembro. O Iranduba é um dos 20 times que estão na disputa, que encerra no mês de dezembro. A competição tem o patrocínio da Caixa, que vai investir R$ 10 milhões e ajudar a custear as viagens das equipes.

“A maioria das meninas do time do Iranduba saíram do Peladão”, disse Arnaldo Santos. Está faltando um presidente de clube que enxergue que o sexo feminino pode jogar futebol”, afirma Arnaldo Santos.

Belas e Feras

Uma das equipes da categoria feminina que há três anos ajuda a manter vivo o show das mulheres nos campos de pelada de Manaus é o “Belas e Feras”, do bairro Cidade Nova, na Zona Norte. Treinadas pelo servidor público Alfredo Soares, as meninas ainda correm atrás do primeiro título na competição.

Alfredo foi quem batizou o time. A escolha do nome, segundo ele, é uma homenagem ao futebol e à beleza de suas comandadas. “A ideia foi mostrar que além delas serem belas, elas são feras com a bola em campo”, explica o treinador.

Quem encarna bem o nome do time do Alfredo é a goleira Kerolen Fernandes, de 18 anos. Ela entrou na equipe para ser centroavante, mas acabou se adaptando no gol.

A jovem goleira diz que joga futebol desde os sete anos, e admite que ainda não é fácil praticar o esporte sendo mulher. “Com certeza, ainda há muito preconceito. A própria família da gente diz que futebol é coisa de homem”, comenta Kerolen.

Dentro de campo, Kerolen diz que a cobrança aumenta, porque há a velha comparação entre o desempenho delas com o dos homens. “Dentro de campo a gente houve piadinhas. Por outro lado, tem gente que dá força. Principalmente os amigos, que sempre vão assistir”, diz a goleira do Belas e Feras.

Tímida, Kerolen rejeita o rótulo de bela. “Acho que no time eu estou mais no grupo das feras”, afirma a goleira. Convidada para ser centroavante, a equipe não conseguiu ninguém para o gol e sobrou para ela.


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