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Participantes do Peladão Indígena, irmãos saem da tribo pela primeira vez

Nascidos e criados na aldeia São Félix, Valdinei e Valcimar nunca tinham saído do local. Logo, foi também a primeira vez que os dois pisaram na capital amazonense 12/12/2014 às 08:52
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irmãos Valdinei e Valcimar só conheceram Manaus por conta de um jogo do Peladão
Lúcio Pinheiro ---

A estreia do Funai Amigos do Sapo teve um gostinho especial também para dois atletas: os irmãos Valdinei e Valcimar.

Nascidos e criados na aldeia São Félix, os dois nunca tinham saído do local. Logo, foi a primeira vez que os dois pisaram na capital amazonense.

Valdinei tem 18 anos, e ainda mora com o pai e uma irmã (Valcimar já constituiu família e saiu da casa dos pais).

O jovem conta que nunca teve muita curiosidade de conhecer Manaus, e como as oportunidades para sair da aldeia foram poucos, ele nunca viu razão para conhecer outros lugares.

“Estou ansioso mais porque quero jogar, ajudar meu time. Porque sempre quis disputar um campeonato assim”, contava Valdinei durante a caminhada da aldeia até o ônibus.

Ao contrário do irmão, Valcimar, 24, diz que nunca conheceu Manaus por falta de oportunidade. “Sempre tive vontade. Mas nas vezes em que o Tato escrevia os times, eu não podia deixar a aldeia”, contou.

Valcimar conta que sempre acompanhou jogos do Campeonato Amazonense pela televisão, e isso despertava a curiosidade dele em vir para Manaus.

Como o time veio com o dinheiro contado, os irmãos não tiveram a oportunidade de conhecer nada em Manaus além do campus da Ufam.

Como os demais habitantes da aldeia São Félix, Valcinei e Valcimar vivem da pesca, caça, agricultura e plantio de mandioca. O que é produzido na comunidade é vendido na sede do município de Autazes.

A aldeia tem uma população de, aproximadamente, 200 indígenas. Na área, há dois campos de futebol: um para os homens e o outro para as mulheres.

Em dia de jogo do time no Peladão, a comunidade se reúne na casa dos sogros de Tato para acompanhar por telefone o desenrolar da partida. “Eles ficam de cinco em cinco minutos querendo saber como está o jogo”, conta o dirigente do time.


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