Sexta-feira, 15 de Novembro de 2019
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Peladão 40 anos: Time Cosmos de Flores perdeu seu fundador esta semana

José Roberto Pacheco Melita, um dos dirigentes mais antigos do Peladão, não resistiu à sua ultima batalha e perdeu a luta contra o câncer



1.gif Silvana Martins e José Roberto Pacheco numa imagem familiar que ficará guardada para sempre pelos filhos
14/12/2012 às 16:26

As histórias do maior campeonato de futebol amador do mundo não são compostas apenas por personagens que conquistam títulos e troféus no lugar mais alto do pódio, mas de pessoas que com os embates da vida usam o futebol como ferramenta de aprendizado e crescimento. Assim começa a história da equipe do Cosmos de Flores, time simples, mas com uma história grande no Peladão. Vitórias e derrotas; conquistas e perdas; assim o time do bairro de Flores, Zona Centro Sul, escreve sua biografia.

O dia 9 de dezembro de 2012 ficou marcado na vida de cada jogador que compõe o elenco do Cosmos, que completa 37 anos de Peladão nesta temporada.



O time sofreu a perda do seu maior fundador: José Roberto Pacheco Melita. Acostumado a vencer grandes desafios ao longo de sua trajetória nesta vida, e principalmente no futebol amador, um dos dirigentes mais antigos do Peladão não resistiu à sua ultima batalha e perdeu a luta contra o câncer.

Pessoas como José Roberto Pacheco Melita, ajudam a competição a ser o maior campeonato de futebol amador do mundo. O simples prazer de participar e jogar futebol entranhado na veia do ex-dirigente, contagiou a todos os apaixonados pelo futebol amador e também aos seus dois filhos, José Roberto Melita Junior e Wenderson Roberto Melita, que desde criança acompanham o pai na beira dos campos e aprenderam que a vida não é feita apenas de vitórias, e que para alcançar esse alvo é necessário muito trabalho.

Agora os dois terão a missão de continuar o legado do pai, e afirmam que enquanto estiverem vivos, o Cosmos de Flores nunca deixará de participar do Peladão. A equipe nunca conquistou um título, e com o intuito de homenagear o pai e inspirado na história do ex-mandatário, seu alvo principal agora é levantar o troféu na parte mais alta do pódio.

“Quando o meu pai montou o time eu ainda não era nem nascido. Mas, logo após a fundação da equipe ele me contou a história. Ele passou a adolescência e a juventude jogando no time de Flores como goleiro. Já adulto montou o Cosme de Flores e chamou jovens daqui da comunidade para jogar com ele. Ele fundou o time em 75, e em 2012 deu a mim e ao meu irmão a tarefa de administrar. A ultima vez que falei com ele foi domingo à tarde. Ele ficou em casa porque não estava se sentido bem e nós estávamos prontos para ir para o jogo. E a ultima frase que eu ouvi dele antes de sua partida foi: ‘Vão lá, tragam a vitória e deem continuidade ao meu trabalho’. Jogamos e vencemos. No fim do jogo fomos comemorar e recebemos a noticia de que ele já não estava mais entre nós. E antes de partir, ele me fez prometer que iríamos chegar longe”, contou José Roberto Martins, o filho mais novo.

De acordo com Wenderson Roberto Martins Melita, seu pai teve a idéia de batizar o time de Cosmos de Flores no dia 9 de março de 1980, quando Pelé, o rei do futebol, pisou no estádio Vivaldo Lima em um amistoso de gala contra o Fast Club.

“Um dia eu perguntei do meu pai como ele montou o Cosme, e com alegria ele sentou e contou para nós. O dia ficou marcado na minha memória, pois ele falava com muito entusiasmo. Naquele ano o Pelé já tinha parado de jogar futebol. E naquele jogou ele vestiu a camisa do Cosmos de Nova Iorque. O meu pai estava louco para ver o Pelé de perto, mas ele não conseguiu o ingresso para ver. Como na época ele era vendedor ambulante, conseguiu a proeza de entrar no estádio. E ficou encantado de ver o rei do futebol. Como ele já jogava futebol, em homenagem ao Pelé, ele teve a idéia de criar o Cosmos de Flores. Eu me fascinava em ouvir essa história” contou Wenderson, emocionado. Há 37 anos participando do Peladão, o Cosme nunca conquistou um título. Quem sabe não é agora. No ultimo jogo, venceu o Unidos de Petrópolis por 5 a 0.

Mudança de nome
No dia 9 de março de 1980, aconteceu o amistoso que entrou para história do Vivaldão. Cosmos de Nova Iorque e Fast Clube duelaram em um jogo que teve a presença de Pelé em Manaus. A partida levou mais de 56 mil torcedores ao estádio, um recorde público mantido até hoje. Na ocasião o jogo contava com várias estrelas de peso como Carlos Alberto (tricampeão de 70), Beckenbauer, Romerito, Chinaglia, Oscar, todos vestindo a camisa do Cosmos. Do outro lado, o tricampeão Clodoaldo, pelo Fast. O jogo terminou em 0 a 0. No meio de tantas estrelas o jovem vendedor Ambulante José Roberto Pacheco Melito, teve a brilhante idéia de acrescentar o nome “Cosmos” ao Flores, que se tornaria posteriormente figura conhecida no Peladão Verde.


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