Publicidade
Esportes
Craque

Peladão Brahma: 'Bar sem Lona' não tem a grana do time do Neymar, mas quem precisa disso?

Desacreditado até mesmo no bairro que representa no Peladão Brahma, a equipe comemora em 2014 a melhor virada de ano da história do time no campeonato de peladas da RCC 02/01/2015 às 15:32
Show 1
Os jogadores do "Bar 100 Lona" sabem como se divertir no Peladão
Lúcio Pinheiro Manaus

Bar 100 Lona não tem a grana do time de Neymar, mas quem precisa disso? Desacreditado até mesmo no bairro que representa no Peladão Brahma, o Bar 100 Lona comemora em 2014 a melhor virada de ano da história do time no campeonato de peladas da RCC. A equipe do bairro de Petrópolis, zona Centro-Sul, venceu, pela primeira vez, um jogo de “mata-mata”.

Como ninguém no bairro aposta muito no time, segundo o dirigente da equipe, Andrósio dos Santos, talvez o segredo do sucesso do grupo esse ano seja a mescla de locais de origem dos jogadores.

“Apesar da base ser de Petrópolis, temos jogadores do Jorge Teixeira, do Santa Etelvina e Mutirão”, conta Andrósio.

Sem craques e muito menos futebol semelhante ao do time espanhol (Barcelona) que inspirou o nome irreverente da equipe, o Bar 100 Lona é movido força e pela garra dos jogadores dentro de campo.

Para colocar o time em ação, o pessoal busca antes das competições alguém que possa ajudá-lo a pagar ao menos a metade do uniforme. E tem dado certo.

Em 2013 e 2014, atletas conseguiram sensibilizar patrocinadores que aceitaram bancar 50% do equipamento.

“As camisas desse ano custaram R$ 1,2 mil. Um jogador conseguiu o patrocínio de R$ 600 e nós fizemos uma cota para pagar a outra metade”, conta Andrósio.

Para chegar ao campo onde conquistaram o resultado inédito, no sábado passado, o time fez uma “vaquinha” para alugar por R$ 90 reais uma Kombi. O local do jogo foi o campo do Conjunto Canaranas, no bairro Cidade Nova, na zona Norte.

Como o dinheiro só dava para pagar a Kombi na viagem de ida, a volta foi “cada um por si”, de ônibus.

“Como a alegria com a vitória da classificação era grande, ninguém se importou em esperar o busão”, conta Andrósio.

Andrósio tem idade e físico para jogar, mas ele diz que prefere viver a emoção de uma partida fora de campo. É isso que o motiva a inscrever o time todos os anos no Peladão.

“Só dou apoio fora de campo. Não jogo. O que me motiva é achar emocionante. É uma emoção grande participar de uma competição assim. Além de dar uma ocupação para o pessoal que é saudável”, diz o dirigente e carregador do piano.

Uma grande brincadeira
O nome “Bar 100 Lona” foi inspirando no Barcelona, da Espanha. Mas, segundo Andrósio, eles queriam um nome irreverente, por isso fizeram a construção bastante original. No escudo, a equipe acrescentou ao do clube espanhol uma caneca de cerveja. “É porque o pessoal gosta bastante de uma cerveja”, admite o dirigente.



Reservas desfalcaram o time em jogo da "vida"

Os reservas foram passear
Para o jogo da vida, o Bar 100 Lona entrou em campo desfalcado de reservas. Por causa do fim de ano, muitos jogadores viajaram para rever os parentes.

Com apenas 11 jogadores em campo, o time teve que suportar nos 60 minutos de bola rolando, além do adversário, um sol escaldante.

Mesmo pressionado o primeiro tempo inteiro e parte do segundo, o Bar 100 Lona conseguiu abrir o placar, com o camisa 10 Geilson Souza.

Mas, aos 25 minutos do segundo tempo, a equipe sofreu o gol de empate, e teve que vencer nos pênaltis o time do Amigos do Terra Nova.



Maurício da Silva Lima é o goleiro e o melhor jogador do "Bar 100 Lona"

Paredão sem medo
Mauricio da Silva Lima, 25 anos, é o goleiro do Bar 100 Lona e também o melhor jogador do time. Com defesas firmes, ele passa segurança para o resto da equipe de Petrópolis.

No jogo contra o Amigos do Terra Nova, Maurício fez defesas importantes que garantiram o empate em 1 a 1, levando a partida para o pênaltis e a classificação em seguida.

Pela qualidade, Maurício teria condições de defender equipes mais fortes, mas o jogador conta que a amizade fala mais alto na hora de escolha.

“Já jogo com eles há cinco anos, desde o primeiro time. A gente se criou junto, desde pequeno. Recebo propostas, mas pela amizade só jogo com eles”, diz Maurício.

Com 1 metro e 71 centímetros de altura, Maurício diz que nunca teve habilidade com os pés, por isso procurou sempre jogar no gol e acabou se identificando com a posição.

“Nunca fui de jogar na linha. Não sei jogar mesmo, não sou bom com os pés”, brinca o goleiro. Segundo ele, a classificação inédita deu um ânimo a mais para o grupo. “A gente ainda vai longe. Tenho certeza”.


Publicidade
Publicidade