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Inclusão

Peladão Indígena reúne tradição, futebol e disputa pelo título de campeão

Modalidade Indígena do Peladão Brahma 2016 mobiliza torcida com jogos emocionantes e histórias marcantes. Os times reúnes indígenas de várias etnias em torno de um único objetivo: ser campeão 18/11/2016 às 14:40 - Atualizado em 18/11/2016 às 17:33
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Disputado no Campo 2 da Ufam, modalidade chama a atenção não só pelas histórias dos jogadores, mas pelo belo futebol apresentado. (Foto: Márcio Silva)
Valter Cardoso Manaus-AM

A tradição entra em campo aos sábados, no Campo 2 da Universidade Federal do Amazonas, UFAM. A categoria indígena do Peladão Brahma deste ano dá um show de bola dentro e fora das quatro linhas.

O primeiro exemplo é o time Ewaré, que disputa a categoria feminina. O time, formado apenas por jogadoras tikunas, joga pelo título e pela história de seu próprio povo. No time, todas as jogadoras falam a língua materna de sua tribo.

“É um orgulho. Nós desde que chegamos aqui  sempre procuramos valorizar (a língua) e também para aqueles que infelizmente já vieram a muito tempo, estamos revitalizando. A gente tá buscando cada vez mais preservar porque infelizmente muitos povos já perderam e a gente tem muito orgulho de poder gritar o nome do nosso time, falar nossa língua”, explicou Cláudia Tikuna, presidente do time campeão em 2005.

Apesar de ser formado por uma única etnia, o time conta com jogadoras vindas de várias partes do estado, desde Benjamin Constant até Tabatinga e Santo Antônio do Içá. “Estamos representando todos esses municípios do Alto Solimões, o nosso povo”, concluiu Cláudia.

União

Mas nem sempre é possível formar um time com representantes de apenas uma tribo. Mas isso passa longe de ser um problema. No time Karapãna FC, pelo menos sete etnias diferentes formam a equipe que disputa a modalidade masculina.

“É um time que associa, que tem a participação de outras etnias dentro de um só time. Tem que respeitar a diversidade do outro cidadão, do outro indígena para interagir com o esporte”, explicou Joilson Karapãna, presidente e jogador do time.

O time reúne jogadores de uma comunidade, que reune ao todo 27 etnias diferentes com um total de 14 línguas faladas entre os moradores. Dentro do campo, a missão de fazer todos os jogadores se entenderem não parece tão difícil assim.

“Não tem diferença um time com uma etnia só ou com várias. Um exemplo é a Seleção, que tem vários jogadores que jogam com atletas de outros times e dá certo, basta a gente unir mais o grupo”, finalizou Joilson, ressaltando a união e a importância do trabalho em equipe para o funcionamento do time e de toda a comunidade indígena.

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