Domingo, 23 de Junho de 2019
Craque

Peladão Indígena tem seus primeiros campeões

Sateré e Selvagem (fem.) conquistaram o título do campeonato em disputas acirradas e cheias de emoção



1.jpg Selvagens mostraram mais raça e conquistaram o campeonato
25/11/2013 às 16:59

O Peladão Verde 2013 conheceu, neste domingo (24), seus primeiros campeões. Na decisão do torneio entre os indígenas, os Saterés-Mawé mostraram que, no território dos povos da floresta, ninguém joga mais bola que eles, e levaram os títulos das categorias masculino e feminino.

Com o feito, as equipes do Sateré F. C. (masculino) e da Selvagem do Amazonas F. C. (feminino) ingressaram na galeria de campeões do Peladão Indígena. A disputa entre os índios é realizada desde 2005. O título foi inédito para os dois times.

A primeira equipe a soltar o grito de campeão foi a Selvagem do Amazonas. As meninas só precisaram de cinco minutos para fazer 1 a 0 no forte elenco do Waty`ama. O gol foi marcado de cabeça pela baixinha Sula, camisa 10. No segundo tempo, a equipe Sateré ainda teve chance de ampliar o placar com Rafaeny, de pênalti, mas ela acabou mandando a bola no travessão.

Sem muita preocupação em jogar bonito, o Selvagem do Amazonas afastou a bola de sua área de qualquer jeito até o árbitro apitar o fim da partida. Depois, foi só fazer a festa, que para muitos era inesperada. “Fico muito feliz, porque não pensávamos nem chegar à final. Mas graças a Deus, nós conseguimos essa vitória”, afirmou Sula, autora do gol do título.

Na segunda partida das finais, o Sateré F. C. ergueu a taça depois de uma vitória incontestável por 3 a 1 sobre o Munduruku F. C que entrou em campo como favorito ao título, já que tinha conquistado a vaga na final com uma goleada de 5 a 1. Mas com a bola rolando, o Sateré mostrou que “cada jogo é um jogo”, e não tomou conhecimento do poder ofensivo do adversário. Tayson abriu o placar, de falta, e Andirá ampliou, ainda no primeiro tempo, a vantagem dos saterés.

No segundo tempo, o Munduruku chegou a esboçar uma reação com o gol do zagueiro Felipe. Mas antes que os mundurucus pensassem em se lançar ao ataque, Elessandro, em uma boa arrancada do meio de campo, fez o terceiro gol do Sateré, e selou de vez o título do time que estreou na competição esse ano. “Não tenho nem palavras para descrever a emoção de fazer esse último gol. Porque foi no momento em que o outro time parecia que iria empatar. ”, comemorou Elessandro.

Rainha Indígena
O domingo também foi o dia para coroar a primeira Rainha do Peladão. Assim como na categoria principal, as equipes indígenas também disputam para ver quem tem a mulher mais bonita.

Se o Sateré F. C. levou o troféu de melhor time em campo, o Rio Negro levou para casa a coroa de Rainha Indígena, graças a beleza da índia Suelen.

Aos 18 anos, a jovem índia da etnia sateré mawe ganhou a simpatia de jurados e torcedores. De quebra, recebeu o convite da coordenação do concurso de Rainhas do Peladão para participar da festa de encerramento do “Peladão a Bordo”, reality promovido pela TV A Crítica.

“Foi uma grande emoção, porque vim só para representar o meu time e acabei vencendo o concurso. Estou muito surpresa”, disse Suelen.

Espaço mais que merecido
O coordenador o Peladão Verde 2013, Arnaldo Santos, acredita que o maior evento de peladas do mundo contribuí com o fator social de integração entre os povos indígenas. “Cada ano que passa os indígenas vão conquistando espaço nesse projeto. A disputa entre os indígenas visa única e exclusivamente fazer com que aqueles índios que deixaram suas tribos e vieram para as cercanias de Manaus, para morar, estudar e trabalhar, tenham um lugar onde possam se reunir para brincar e, ao mesmo tempo, discutir os seus problemas, as suas necessidades e conquistas. A cada ano nós damos um passo. O Peladão cumpre o seu papel, que é reunir a sociedade em torno de uma bola, brincando, mas também lutando por aquilo que lhe faz bem”.

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