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Esportes
Tribo da água

Pequenos indígenas vivem entre 'homens brancos' e se destacam na natação

Os pequenos Renan, Luan e Diogo não vivem na tribo dos Tuyukas. Eles vivem na cidade, e têm chamado à atenção pelo talento para os esportes. 04/06/2017 às 05:00 - Atualizado em 04/06/2017 às 11:25
Show renan e luan
Os irmãos Renan e Luan adoram nadar todos os estilos, mas também são apaixonados por futsal e capoeira. (Foto: Antônio Lima/A crítica)
Jéssica Santos Manaus (AM)

A história de Renan (Poany), Luan (Yurkuro) e Diogo (Durpó) impressiona. Provenientes da etnia Tuyuka, eles vivem entre os ‘homens brancos’, e têm se destacado como verdadeiros guerreiros no esporte. Os meninos já disputaram campeonato Norte e Nordeste de natação e, além disso, Renan e Luan também adoram futsal e capoeira.

“Eles são bons em todos os esportes que fazem. Já nasceram com a força diferenciada do índio, aprenderam a nadar muito rápido e, dois meses depois, participaram da primeira competição, e os três ganharam medalhas”, conta a mãe dos meninos, Krisna Nunez.

 Essa também é a opinião do pai dos meninos, Juarez Lima. “Essas crianças têm um diferencial genético. Eles têm uma compreensão física impressionante e uma força física e agilidade fora do comum”, disse ele.

Da tribo para a cidade

Mas você deve estar se perguntando por que estes meninos indígenas não vivem na tribo onde nasceram. É que os gêmeos Renan e Luan, 7, foram adotados por Juarez e Krisna, depois que uma das filhas deles soube por acaso que havia nascido gêmeos na tribo Tuyuka e que um deles não poderia ser criado lá por questões culturais. “Nós pegamos os gêmeos com 27 dias de nascidos, e foi de uma hora para outra, aprontamos enxoval em uma semana. A princípio, só um ficaria conosco, mas falamos com o pajé, para não os separarmos”, conta Krisna.

“Surgiu a oportunidade de adotarmos os meninos, e ficamos felizes que após o pajé se reunir com a tribo saiu de lá e nos disse: - os filhos são seus. Fizeram um ritual para a entrega das crianças, e nós assumimos o compromisso de manter contato com os Tuyuka, pois nossa intenção não era tirá-los do seio familiar, mas dar uma oportunidade de vida para eles”, conclui.

Os gêmeos foram crescendo, sempre visitando com alguma frequência sua família indígena e, assim, Krisna e Juarez se aproximaram da comunidade Tuyuka. Certo dia, Juarez ficou sabendo que os pais do menino Diogo, 11, haviam se mudado para uma comunidade afastada, e que ele não poderia mais estudar. Assim, Juarez, que já era pai adotivo de dois índios Tuyukas, resolveu trazer mais um para o convívio da família.

“Me coloquei à disposição para abrigá-lo na nossa casa, para ele continuar estudando, e o Diogo está conosco há um ano e meio”, disse Juarez.

Dos rios para a piscina

Um dia, as crianças estavam brincando na piscina do condomínio de Juarez e Krisna, e o pai dos garotos percebeu algo. “Eles nunca fizeram escolinha e parecem uns peixes, tanto os menores quanto o Diogo, que sempre nadou no rio, e eu até brinco que ele nadava o estilo ‘cabocrawl’ (risos), olhando se o jacaré estava vindo de um lado e de outro, mas vi que os meninos nadavam bem, e quis colocá-los na natação”, relembra Juarez.

Assim, os garotos foram tentar nadar na equipe do Círculo Militar de Manaus (Cirmman). “O professor Celso logo me disse: - os pais sempre acham que os filhos nadam muito, mas a equipe aqui é voltada para o altorrendimento e, se a criança não souber nadar direito, não vai acompanhar... Então, eu falei para fazermos o teste com eles e, após vê-los nadar, o Celso falou: - eles vão ficar na equipe.

Assim, eles passaram a treinar e logo assimilaram a técnica, não de um, mas de quatro estilos, e “pouco mais de um mês depois estavam competindo em igualdade com crianças que nadavam há muito mais tempo”, disse Juarez.

“Antes eu morava numa tribo indígena, lá a gente tomava banho no rio, ficávamos nadando, mas eu não sabia as técnicas, até que vim para Manaus e, junto com os meus irmãos, descobrimos a natação, e meu professor, o Celso, me ensinou as técnicas. Estou gostando muito!”, resumiu Diogo.

Grande mudança na vida

Os três meninos indígenas têm uma história diferente dos índios de sua família biológica. Renan e Luan cresceram em comunidade urbana, indo apenas visitar a família biológica deles na tribo Tuyuka, no Tupé. Já Diogo foi criado dentro da sua tribo e cresceu lá, como índio. Ao chegar à casa de Juarez e Krisna, Diogo precisou se readaptar, mas causou ótima impressão.

“O Diogo nos impressionou pela disciplina, ele também é um garoto educado, humilde, que é a característica do indígena, tem força de vontade, e é atencioso, então, se falamos alguma coisa para ele, não precisamos repetir”, destaca Juarez.

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