Segunda-feira, 18 de Novembro de 2019
DIA DAS CRIANÇAS

‘Pequenos no tamanho, gigantes no esporte’: a vida de atleta das promessas infantis

Com apoio dos pais, quarteto do Amazonas 'brinca' de atleta com treinos e preparos de gente grande



arte_kids_448DDFF6-1267-4104-A952-7C8A99BED5AD.JPG Arte: Helinaldo Lima
13/10/2019 às 07:00

O futuro é deles. Os campeões do amanhã estão sendo formados hoje. E aproveitando a celebração do Dia das Crianças, comemorado neste fim de semana, o CRAQUE reuniu quatro ‘ferinhas’ do esporte baré para contar um pouco da história de cada um. Sem nem completar 10 anos de idade, Adriele Marcela, Beatriz Rodrigues, Leno Gabriel e Pedro Campos já possuem responsabilidade de gente grande. Tudo para que as conquistas venham dentro das quadras, piscinas e tatames. 

E como o talento não tem idade para se revelar, é comum vermos meninos e meninas se destacando no esporte cada vez mais cedo, da ginástica ao futebol. Sucesso que acompanha uma série de responsabilidades que vão além das competições e interferem na vida dos pequenos atletas. Viagens, treinos e pressão por resultados - conciliado ainda com os estudos - que acabam, algumas vezes, deixando de lado todas as brincadeiras e da fase infantil de promessas do esporte.



De acordo com Nellí Sena, psicóloga clínica com experiência na área infantil, é importante que a escolha de seguir a “vida de atleta” parta sempre das crianças, e que os pais não projetem nos filhos aquilo que não conseguiram ser. “O desejo deve vir sempre da criança. E sendo um ser em desenvolvimento, ela deve estar sempre sob o olhar atento e afetuoso de familiares. Fundamental que se desenvolvam, sociabilizem e aprendam a lidar com as frustrações”, detalhou a especialista. 

Tudo por segurança

Fenômeno da natação aos 9 anos de idade, Adriele Marcela iniciou no esporte por questões de segurança. Após uma ida ao Beach Park - famoso parque aquático localizado na cidade de Fortaleza, capital do Ceará -, e alguns “perrengues” na hora de se divertir nos brinquedos do lugar, o pai Adinilson Coelho viu que o “domínio das águas” ainda não era o ideal. No retorno a Manaus a inscrição em uma escolinha de natação foi questão de tempo.

Hoje em dia, é tetracampeã do Norte e Nordeste e uma das principais revelações da natação brasileira. Qualidade que é reconhecida em todas as competições. “Ela começou a fazer tempos diferentes para a idade dela e começou a chamar atenção nos torneios. Quando fomos disputar o último Norte e Nordeste, em Natal (RN), todos apontavam para ela”, conta Adinilson, que confessa ser pai coruja.

Para o pai de Marcela, além das conquistas que alegram toda família, a natação é importante para formar a cidadã. “Tento passar que as vitórias e as derrotas são normais em uma competição. O esporte também tem a parte da sociabilização, pois na equipe ela faz várias amizades”, revela Adinilson.

E com apenas 9 anos de idade, Marcela aproveita para ser criança. Irmã gêmea de Marcos Rafael, que também nada no Instituto Pedro Nicolas, a promessa da natação curte sua infância. “Como toda criança de hoje em dia, adora um YouTube, mas tento controlar. Ela gosta de coisas normais, como ir ao shopping e brincar com seu cachorro ”, concluiu Adinilson.

Entre saques e viagens 

É de Manaus uma das melhores tenistas do Brasil na categoria infantil simples feminina. Com disputas de finais internacionais no currículo, Bia Rodrigues não pára de crescer no cenário do tênis, mesmo tendo somente 9 anos de idade. Amazonense, a pequena teve um ótimo primeiro semestre, viajando rumo à Argentina, Estados Unidos e estados brasileiros para competições e sessões de treinos.   

Nos Estados Unidos, inclusive, a volta ao Brasil teve que ser adiantada devido à aproximação do furacão Dorian ao estado da Flórida, no extremo Sudeste do país estadunidense. Problemas dignos de atletas de alto nível, que segue dieta e preparo com ritmo de treinos condizentes com seus resultados.

“Nessa idade dela a nossa maior preocupação é aprimorar a técnica e desenvolver a vontade, para quando chegar aos 12 anos saber se ela vai querer mesmo jogar tênis e seguir para o profissional”, afirmou Edson Rodrigues, pai da tenista amazonense.

Se não está envolvida com nenhuma atividade da vida de atleta ou estudando, Bia brinca como qualquer criança. A boneca Bebê Reborn, jogos de cartas e a famosa Slime - espécia de massa que virou febre entre os mais novos - são suas diversões favoritas. 

Mas é claro que a pequena também usufruiu das viagens. Afinal, conhecer novos lugares enquanto afia a técnica de jogo nos melhores centros de treinamentos é unir o útil ao agradável. “Esses intercâmbios servem para ela ver outras garotas da sua idade que têm a mesma rotina de treinos. Ela anda muito feliz com essas experiências de viagens”, apontou Agnaldo Nascimento, treinador de Bia Rodrigues.

Promessa baré na arte suave

Praticante do jiu-jitsu desde os 5 anos e idade e promessa da modalidade no Amazonas, o faixa cinza Leno Gabriel Souza -  mais conhecido como “Tubinha” -, aos 7 anos de idade, coleciona títulos importantes na categoria até 21kg, como o Brasileiro em Barueri (SP), e o Mundial, em  setembro na capital São Paulo. 

Considerado atleta destaque do Estado na arte suave (entre atletas  de 6 e 7 anos), Tubinha não esconde a paixão pelo futebol herdada do pai, Huelton ‘Tubarão’, 28, lateral esquerdo do São Raimundo. Dividido entre os dois esportes, o faixa cinza disse quais são seus maiores sonhos.

“Eu gosto do futebol e do Jiu- Jitsu, e o meu maior sonho é ser campeão mundial como faixa preta”, disse o garoto.

Com sentimento de orgulho do filho prodígio, Tubarão explicou como a arte marcial entrou na vida de Tubinha. “Isso aí começou com uma brincadeira, eu trouxe ele pra cá só pra tirar ele de casa, que ele estava muito preguiçoso. E o mestre viu que ele tinha um talento e começou disputar os campeonatos. Assim,  a gente começou a criar expectativas, e hoje ele está há dois anos sem perder nas competições”, destacou o jogador do Tufão da Colina, que disse sempre apoiar o filho nas suas decisões no esporte.

“Hoje o futebol está dividindo ele, e eu como pai, o máximo que eu posso fazer é apoiar, e onde ele se sentir melhor, ele vai dar continuidade”, frisou.
A mãe, Fabiane Cabral, 26, acompanha Tubinha em todas as competições e fez muitos elogios à postura adotada pelo filho no esporte, apesar de ainda ser criança.  

“Eu fico muito feliz porque ele é só uma criança, e ele tem muita força de vontade, e inclusive  tem se destacado muito por ele ser muito guerreiro. Porque ele treinar bastante, e pra mim é maravilhoso”, disse a mãe de Tubinha.

Joia amazonense no Paraná

A máxima de que toda criança sonha em ser um jogador de futebol tem virado cada vez mais realidade. E neste cenário, temos como exemplo a garotada baré, que tem saído cedo do Amazonas buscando realizar o sonho de vestir a camisa de um grande clube em outros lugares do Brasil. 

Refletindo todo esse contexto, aos 10 anos de idade, o manauara Pedro Campos, mais conhecido como Pedrinho, há quatro meses tem enfrentado o clima frio em treinos diários na categoria Sub-10 do Paraná Clube, na cidade de Curitiba (PR). 

Acompanhado do pai, Edivan Viana, 42, que deixou tudo para apoiar o filho em busca do sonho na “capital ecológica” do País, Pedrinho contou que divide a paixão de ter a bola nos pés, com várias outras atividades como qualquer criança da sua idade. “Gosto de jogar vídeo game, andar de bicicleta e soltar pipa”, disse. 

Com saudade da família e da culinária baré, Pedrinho relatou como tem sido a vida nova no Sul do Brasil.  “Pra mim está sendo muito bom, porque eu já me adaptei ao time, antes quando cheguei não estava conseguido me adaptar bem por conta do clima. Nos treinos não conseguia treinar bem, mas agora sim, estou me dedicando ao máximo nos treinos e nos jogos. E o único defeito é a saudade de Manaus, da família, e principalmente da farinha”, revelou Pedrinho. 

Desde a sua estreia no dia 3 de agosto, na derrota por 2 a 0 para o Coritiba na Taça Curitiba de Futebol sub-10, Pedrinho tem sido orientado todos os dias pelo pai na caminhada pelo sonho de ser um jogador profissional.

“Eu sempre converso com ele e pergunto se é realmente o que ele quer, e ele responde que sim. E não é porque é meu filho, mas a gente viu que desde pequeno  que ele tem o dom. E a gente sempre conversa muito, nós assistimos vídeos de futebol, sempre oriento ele” concluiu Edivan.
 

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