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‘Pequim foi um momento mágico’, diz Fofão

Ex-levantadora da seleção brasileira fala com o CRAQUE  01/06/2013 às 22:40
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Fofão foi campeã olímpica pela seleção feminina de vôlei
André Viana Manaus (AM)

Desde 1985, a levantadora Hélia Rogério de Souza Pinto, a Fofão, coleciona títulos e fãs do segundo esporte mais popular do País. Maior vencedora da história do vôlei feminino, a veterana levantadora, de 43 anos, que acabou de conquistar seu 24º título como jogadora de clube – a Superliga, defendendo o Rio de Janeiro -, estará pela primeira em Manaus, neste domingo. Antes de conhecer a “Capital do Mormaço”, a jogadora concedeu uma entrevista exclusiva ao CRAQUE. Com a habilidade que encantou o Brasil e o mundo, levantando a bola como um balão mágico para as atacantes “soltarem” o braço para o lado oposto da quadra, Fofão falou sobre a carreira de quase três décadas. Uma trajetória que, além dos 24 títulos por clubes, rendeu 23 pela seleção, em 340 partidas. Recordista absoluta em participações olímpicas na modalidade – ela esteve presente em quatro edições, sendo titular e capitã da primeira equipe de vôlei feminino a conquistar a medalha de ouro, em Pequim-2008. Fofão também conseguiu duas medalhas de bronze, em Atlanta-1996 e em Sydney-2000. Na entrevista a seguir, a levantadora mostra que tem nas palavras a mesma suavidade que encanta aos que admiram uma craque de verdade.

Em uma modalidade onde se prima pela altura e juventude, a quê credita sua longevidade nas quadras?

Acredito que seja mais pelo o que eu fiz antes. O fato de ter me cuidado, de ter sido disciplinada com o meu corpo e, lógico, muita determinação. Todos estes fatores contribuíram para estar em quadra até hoje.

Ter sido mais uma vez campeã da Superliga, desta vez aos 43 anos, foi mais prazeroso do que as outras vezes?

A equipe (do Rio de Janeiro) trabalhou muito a temporada toda, mas foi uma felicidade imensa, pois estava parada há um ano. Este título me trouxe uma alegria que me emocionou, acho que cada vitoria tem a sua história, e essa vai ficar marcada pra sempre.

Essa conquista não te deixou arrependida de ter desistido de disputar os Jogos Olímpicos de Londres, no ao passado, quando poderia ter sido bicampeã olímpica?

A minha decisão foi tão bem tomada que não tinha a menor possibilidade de arrependimento. Ciclo cumprido e minha missão na seleção também.

Você era a eterna reserva da Fernanda Venturi (também levantadora e esposa do técnico da seleção masculina, Bernardinho) na seleção, mas na única Olimpíada que disputou como titular, venceu. Ainda se pega pensando naquela final?

Tudo na vida e aprendizado, fui reserva da Fernanda  e esperei minha chance para mostrar ao mundo meu voleibol. Aquela final Olímpica (contra os Estados Unidos, vencida por 3 a 1) resume na minha história e é difícil assistir porque sempre me emociono. Foi um momento mágico.

A seleção feminina de vôlei sempre foi criticada pela fragilidade emocional, tanto nos jogos decisivos, quanto nos confrontos contra o Cuba, isso realmente acontecia? O que fizeram para reverter essa situação?

No vôlei feminino, o emocional influencia muito, mas acho que conseguimos alcançar nosso ponto de equilíbrio e não deixar que qualquer fator nos atrapalhe. Contra Cuba temos que estar sempre equilibradas para não perder a concentração com as provocações.

Você trabalhou com os dois maiores técnicos da história do vôlei mundial: Bernadinho e José Roberto Guimarães. Qual a diferença do trabalho deles? O que tirou de melhor de cada um?

O Zé (José Roberto Guimarães) foi quem me ensinou a levantar, como utilizar os gestos técnicos corretamente, já o Bernardo sempre quis tirar o melhor de cada jogadora. Os dois me ajudaram a melhorar e evoluir como jogadora de alto nível.

É a primeira vez que vem em Manaus? Qual a expectativa desta visita na rodada final da Supercopa Banco do Brasil?

Será minha primeira vez em Manaus, e eu estou muito curiosa para conhecer a cidade. Espero ver como as pessoas praticam o vôlei em Manaus. Quem sabe não vejo algum talento? É sempre bom ver novidades.

Se encontrar alguma jogadora com potencial pode indicá-la a um clube de ponta Superliga?

Sem duvida! Se eu puder contribuir pra isso pode ter certeza que farei.

Até quando pretende seguir a carreira de jogadora? Pensa em chegar à Olimpíada do Rio, 2016?

Eu costumo não planejar nada. A vida já tem sido muito boa por chegar com esta idade e estar jogando uma Superliga. Então, eu deixo que o tempo me diga.

Quando você parar de jogar vai conseguir se afastar do vôlei ou pretende virar uma dirigente ou treinadora?

Não me vejo fora do vôlei, pois fiz isso minha vida inteira. Eu espero contribuir no incentivo e na prática do nosso esporte. Também pretendo motivar as crianças a ingressar no esporte.

Por falar nisso, porque não há treinadoras no vôlei? É preconceito?

Existe sim, mas em pouca quantidade. Eu acho que existe pouco interesse em comandar uma equipe, ou porque querem cuidar da família, e dos filhos. Ainda não parei pra pensar nisso direito.

Como é ter um apelido de uma personagem que muitos fãs sequer conhecem? Hoje é o Fofão (personagem infantil popular na década de 1980) que deve te agradecer pela perpetuação do apelido?

Muitas pessoas conheceram o Fofão por causa do Balão Mágico (programa infantil), mas este apelido me deu uma marca conhecida no mundo inteiro e isto me dá uma alegria imensa. Mas quero deixar claro que era só por causa das minhas bochechas (risos) porque não somos nem um pouco parecidos. (risos).

 

O que é: Rodada final da etapa regional da Supercopa Banco do Brasil de Voleibol

Quando: Neste domingo (2), a partir das 15h

Onde: Ginásio René Monteiro, no bairro São Geraldo, Zona Centro-Sul, com entrada gratuita

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