Quinta-feira, 22 de Agosto de 2019
Craque

Peruano ganha a vida fazendo embaixadas nos semáforos de Manaus

O campo do meia-atacante Angelo Tapia Ramires é delimitado pela faixa de pedestres e o semáforo. O craque ganha em média R$ 70 por dia



1.gif Por enquanto o craque peruano vai ganhando uns trocados nos sinais de trânsito de Manaus
07/05/2013 às 11:58

Angelo Tapia Ramirez, 20, é o que se pode chamar de artista da bola. Em tardes ensolaradas, o craque peruano cumpre uma jornada de quatro horas fazendo malabarismos com a pelota no cruzamento das avenidas Constantino Nery e PedroTeixeira.

Além da habilidade nas embaixadinhas, Angelo faz graça controlando a bola com a cabeça, nuca, peito. É o exemplo perfeito do cara que não deixa a peteca cair. O campo de Angelo é delimitado pela faixa de pedestres e o semáforo é quem determina o tempo de domínio de bola.

E assim, em meio ao caos do trânsito, à falta de paciência dos condutores e sob calor forte, o rapaz que nasceu em Lima, capital peruana, cujo sonho é ser jogador profissional, sobrevive em Manaus, onde chegou há dois meses. “Em dias de chuva fica difícil mostrar minhas habilidades”, observa.

Angelo saiu de Lima movido pelo espírito de aventura e em busca de oportunidade no futebol. Passou por Rio Branco, Porto Velho. Está em Manaus à espera de um chamado para um teste em uma equipe profissional. Se não der certo, Angelo já tem planos de ir para Belém. Caso não tenha sucesso novamente, Brasilia, São Paulo e Rio de Janeiro são roteiros pré-definidos pelo craque peruano, que diz jogar como meia-atacante.

“Tenho esse sonho de jogar em algum clube profissional no Brasil, onde você pode ser observado com algum empresário ou observador. Em Lima, você só consegue se pagar para jogar nas escolinhas e ser chamado às categorias de base ou conhecer alguém do clube”, revela o atleta.

Na capital peruana, Angelo teve experiências apenas no futebol amador, na equipe do River Plate, do bairro San Martin de Poras. Além do sonho de ser jogador profissional, a crise no Peru também afastou Angelo de sua terra natal. “Lá as coisas andam bem mais difíceis. Não há emprego, as escolas públicas são ruins. Tenho dez irmãos. Vim também para ajudar a família”. 

Angelo fatura em média R$ 70 por dia e divide um pequeno quarto no centro da cidade com um primo peruano que toca cajan (instrumento típico peruano). Ele disse que o que ganha como atleta de rua dá para sobreviver, mas torce por futuro melhor nos campos profissionais do Brasil.

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