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Pescando peixes e lixo: das águas do Tarumã, pescadores retiraram vários quilos de lixo e tucunarés

O Torneio de Pesca Amigos do Tarumã reuniu pescadores que além da paixão pela pesca, ajudaram o meio ambiente 21/09/2015 às 09:49
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Após o evento, serão 647 quilos a menos de lixo nas águas do Tarumã-Acu
Camila Leonel Manaus (AM)

A manhã de sábado foi especial para amantes da pesca esportiva. A missão: capturar tucunarés, a espécie mais cobiçada nesse tipo de esporte, porém, além dos peixes, os 178 participantes divididos em 89 duplas tinham outra nobre tarefa: pescar o lixo que se acumulava nas águas do rio Tarumã-Açu. Além de tucunarés, as lanchas chegavam na praia com sacolas cheias de latas, garrafas de vidro, garrafas pet,  tubos de pvc, grelhas e pneus.

A largada foi às 7 horas  e até o meio-dia, as duplas precisavam pegar três  peixes, que passavam pela biometria – processo de pesagem e medição -  e depois eram devolvidos ao rio. No resultado final era levado em conta a média de tamanho dos três peixes, sendo o peso critério de desempate. Duas barracas foram montadas na praia, uma para a biometria dos tucunarés e outra para pesar o lixo. No caso do lixo, o critério era o peso do que foi recolhido.

“Os pescadores se preocupam primeiro com o peixe. Eles tem até meio-dia, aí eles voltam, vão catar o lixo e tem até meio-dia para recolher esse lixo, aí é a estratégia. Ou o cara primeiro pesca ou recolhe o lixo, ou faz os dois. Cada um tem que pegar três peixes, se tu pegar dois, a média é dividida por três”, disse Rogério Bessa, organizador do evento.

Uma dupla que utilizou essa estratégia foi William David e Lúcio Rezende. Eles pescaram os peixes e depois navegaram atrás do lixo. E a pescaria mais proveitosa foi a de lixo. A balsa veio carregada.

“Pesquei mais lixo do que peixe. Tem cadeira, tem esponja, muita lata e garrafa. Parece que o pessoal não toma água. É só 51 (cachaça).  Às 8h30 a gente já tinha pego os três peixes e ai a gente só foi atrás de lixo. Nós chegamos perto de uma árvore e perto tinha muito lixo, e a gente parou lá. Meu Deus! Não tinha mais onde botar lixo”, disse William, que foi campeão em 2014.

 A dupla vencedora foi William David e Lúcio Rezende. 

Já para a dupla Jorge Falcão e Jandreysa Rego, a comemoração foi a pesca de um tucunaré de quase 4kg. Esta foi a segunda participação de Jorge. Ele disse que não pescou nada no ano passado, mas que em 2015, a pescaria compensou.

“Nossa! Caramba, velho. ..sem palavras. É o maior peixe. Quase 4kg é o meu recorde. Já é o segundo ano que a gente participa. A gente participou do primeiro e não pescou nada, mas esse ano foi show”.

Jorge ficou empolgado com a boa pescaria de sábado (19)

Um polo de pesca

Entre os pescadores, estava um expoente da pesca esportiva no Brasil e mesmo sendo acostumado ao esporte, Nelson Nakamura  se mostrava animado com a pesca nas águas do Tarumã-Açu.

“Nesses últimos anos a gente tem ido nos eventos de pesca no Japão, China, Estados Unidos e todo mundo quer conhecer o Amazonas. Quem não conhece, quer conhecer. Eu digo que o é o grande polo da pesca esportiva mundial”, disse.

Nakamura explicou que no esporte, o peixe mais cobiçado é o tucunaré. “É um peixe que ataca bem a isca artificial. Tem aquela emoção da pessoa arremessar a isca e ter a explosão do tucunaré. Imagina um tucunaré de 10 kilos explodindo na superfície? É como jogar uma pedra de 5kg na água. É isso que move a pesca aqui no Amazonas. O mundo inteiro que gosta de pescar tem o olho voltado para o Amazonas por causa desse peixe”.

Segundo o engenheiro de pesca Radson Alves, da Secretaria de Estado de Produção Rural (Sepror), a atividade é rentável para a economia e não prejudica a natureza.

 “Hoje é muito alta a captura do tucunaré a nível comercial, mas só que ai em relação a valores é melhor você deixar um tucunaré no rio depois de pegar. Quando vem um gringo para o Amazonas (pescar), ele gasta em torno de R$ 3 mil . Dá para gerar emprego e renda, além da conservação da espécie”.

Tinha de tudo! Pneus, tubos, grelhas... era muito lixo e de todo o tipo!

Mas o que acontece com o lixo?

Os 647 quilos de lixo recolhidos passarão por um processo chamado “segregação” onde o lixo é separado entre recicláveis e não recicláveis. Dependendo do material que compõe o resíduo, ele é encaminhado para empresas resposáveis por lidar com aquele determinado tipo de material.

Fábio Sousa, que cuidará deste processo explicou que o que for reciclável passará por um processo de limpeza para voltar a ser matéria-prima.

“O processo do lixo é o seguinte: o lixo passa por um processo de segregação, onde são separados os materiais recicláveis ferrosos e não ferrosos e o material que não é reciclável ele vai para um processo de incineração onde ele é queimado, prensado  e despejado na natureza onde volta a ser material orgânico.No caso do metal ele passa pelo processo de limpeza, é prensado e volta para o processo de siderurgia onde volta a ser ferro novamente. O plástico é destinado para a empresa responsável pelo processo de reciclagem do plástico”, disse.

647

quilos de lixo foram recolhidos durante o evento. No ano passado, foram 687 quilos. Segundo Rogério Bessa, essa diminuição mostra o resultado do trabalho feito em 2014 .

51,84

quilos de lixo foi recolhido pela dupla vencedora, Willian David e Lúcio Rezende. Em segundo lugar ficou a dupla Jorge Falcão e Jandreyza Rego com 48,50 kg.

132

tucunarés foram capturados e devolvidos com vida ao rio Tarumã-Açu. Neste ano 178 pessoas participaram do evento.


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