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Esportes
INCLUSÃO

Pessoas com deficiência visual superam limites e apostam no treino de Crossfit

Cristian da Silva e Lauren Ferreira mostram que a deficiência visual não é empecilho para praticar atividade física e melhorar a qualidade de vida 19/08/2018 às 14:54
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As alunas estão evoluindo a cada dia na modalidade (Fotos: Raine Luiz)
Camila Leonel Manaus (AM)

Quando a professora Cristian da Silva disse que ia começar a fazer atividades físicas, a notícia foi recebida com desconfiança. Mas a professora de braile, que nasceu com 5% da visão não se importou com os comentários e iniciou no crossfit. Ela ainda está em fase de adaptação, já que iniciou há pouco tempo, mas no primeiro dia pode dar as boas novas para a família.

“Quando eu disse que ia fazer crossfit, minha irmã curtiu comigo lá em casa, que eu não ia conseguir, mas eu disse que ia porque não estava morta. Quando voltei do primeiro dia,  avisei que consegui e que não pensava que ia fazer o que fiz”, contou.

Apesar da superação, ela reconhece que o processo é lento, mas Cris afirma que tem evoluído dia após dia. “O professor falou que é tudo no meu tempo. Estou engatinhando ainda e tem que ter paciência”, completa a professora que voltou a praticar exercícios por estar acima do peso e em decorrência disso, começou a sentir dores nas pernas. O objetivo além de voltar para o peso normal é “diminuir a barriga e criar bunda”.

O professor dela, Kennedy Macedo, explica que não teve dificuldades com a aluna nova, é tudo uma questão de paciência para ensinar os exercícios.

“A adaptação do treino foi como para qualquer outro aluno, a diferença é que ela tem que ter um estímulo maior do tato. Pegar, conhecer, tatear para construir o movimento na cabeça dela. O processo é diferente, mas adaptação é a mesma”, explica Macedo que destaca que apesar de não enxergar, a consciência corporal de Cris ajuda no processo.

“Na hora de ensinar um agachamento não tem como falar olha como eu faço, mas por incrível que pareça, ela tem uma forma diferente de usar o corpo para os movimentos, então não há dificuldade nenhuma em passar o movimento”.

Na mesma academia de Cris, outra aluna também com deficiência visual supera obstáculos dia após dia. Há um ano e meio, Lauren Ferreira iniciou no crossfit após tentar várias atividades físicas. Com 50% da visão do olho direito, em decorrência de um glaucoma, a publicitária, que é cega do olho esquerdo, tem dificuldades com a noção de espaço e profundidade. Atividades como boxe, muay thai e até corrida se tornaram um desafio para ela. Foi aí que ela encontrou uma atividade que pudesse se desenvolver.

“O crossfit é algo incrivelmente dinâmico. Vai muito além de resistência cardiorrespiratória e força: envolve flexibilidade, velocidade, coordenação motora, agilidade, equilíbrio e precisão. Foi o único esporte que eu consegui praticar com satisfação. Praticar um esporte não foi um problema grande, mas sim de encontrar locais que me aceitassem e que não desistissem de mim”, conta emocionada.

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