Terça-feira, 22 de Outubro de 2019
Plácido de Castro

Plácido de Castro a dois passos da Série C

Time do Acre, derrotado duas vezes pelo Nacional, pode chegar à Série C mesmo sem grana



1.jpg No jogo do dia 9 de julho, o Plácido foi derrotado em Manaus por 2 a 0
15/09/2013 às 17:06

Nem mesmo os próprios membros da comissão técnica, jogadores e torcedores do Plácido de Castro – modesto time do Acre - acreditavam que passariam  da primeira fase do Brasileiro Série D. Com mais de quatro meses de salários atrasados, sem condições ideais de treinamento e alimentação o time da cidade homônima do interior do Acre, distante 95 km da capital, pode ser “aprovado”, subir de série e sair da tenebrosa “escola D” do futebol brasileiro.

A dois jogos para o acesso, presidente e treinador do clube falaram com exclusividade ao CRAQUE sobre a possibilidade da conquista da vaga contra o Salgueiro (a disputa começa hoje, às 17h, horário de  Manaus, no estádio Antônio Aquino, o Florestão, na capital Rio Branco), mesmo em meio ao turbilhão de problemas e falta de verba. Uma prova que nem sempre dinheiro e jogadores caros trazem felicidade.



Na luta pelo acesso para um melhor nível do futebol do País, o time placidiano enfrenta uma verdadeira penúria no último degrau do futebol. Com uma folha de pagamento de R$ 65 mil mês – que não é paga - todos os jogadores e comissão técnica fizeram o pacto da humildade para poder subir.

“A primeira parte é ter humildade, e sempre confiar em Deus. É um trabalho muito difícil que estamos desenvolvendo. Estamos tendo tranquilidade na competição e transmitindo confiança ao grupo. Não temos dinheiro e mesmo assim peço para que todos os jogadores mantenham os pés no chão, sempre com humildade”, declarou o presidente do clube, Josué Carvalho, que diariamente vai atrás dos comerciantes da cidade para ajudar o time.

Os 22 jogadores e mais cinco membros da comissão técnica, todos com mais de 120 dias sem receber e sem condições ideais de treinamentos, ganharam um apelido especial dos torcedores; time de guerreiros. E o grito que vem das arquibancadas motiva ainda mais os “filhos” de Plácido de Castro. “É pura determinação do grupo que possui somente sete jogadores de fora do Acre. Tenho conversado muito com os jogadores, pois estamos tendo dificuldades desde o Estadual. Para a Série D o grupo se fechou. Percebemos que nossa luta é pela nossa família. Agora passamos de fase e as promessas de ajuda da prefeitura e do governo já começam a surgir. O que vai ser bom”, revelou o técnico, Nilton Nery, que faz o seu primeiro ano como treinador profissional, conquistando o Campeonato Acreano e realizando um bom trabalho na última divisão.

Nem um pouco destacado como favorito do Grupo A1 da Série D, o time  supera até a própria desconfiança. Com duas vagas no grupo, e com a presença de Nacional e Paragominas-PA, considerados fortes e com mais condições financeiras, Nilton chegou acreditar que nem da fase inicial o time passaria. “Com toda sinceridade não esperava passar nem da primeira fase. O Paragominas escalou um jogador irregular e foi punido com a perda de pontos, o que nos ajudou. Um ex-jogador do Plácido que hoje trabalha no time amazonense disse que todos usufruíam de uma boa estrutura, além de ótimas condições financeiras. E quando fomos jogar em Manaus ele me disse que cada jogador ganhava um “bicho” no valor de mil reais por cada vitória. Fiquei imaginando como seria bom se tivéssemos essa estrutura. Mesmo sem, disse a todos os jogadores que iríamos lutar pelo nosso objetivo de, ao menos, trabalhar até novembro”, destacou o treinador que recebeu uma promessa da diretoria de que todo o grupo receberia uma premiação de 10 mil reais por eliminar o Gurupi e consequentemente a passagem para a semifinal. “A diretoria está correndo atrás. Se essa premiação aparecer vai nos ajudar muito”, pontuou.


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