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Esportes
AMOR AO ESPORTE

Em família: atleta com deficiência visual em Manaus corre guiado pela filha

Antônio Honório, de 55 anos, tem apenas 5% da visão. Ele é guiado por Mileide, que começou a correr com o pai após ele sofrer uma parada cardíaca depois de participar da Maratona do Rio em 2015 14/10/2018 às 10:02 - Atualizado em 14/10/2018 às 12:34
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Fotos: Winnetou Almeida
Jéssica Santos Manaus

Ele enxerga apenas vultos, mas sente no corpo o prazer que a corrida traz. Deficiente visual desde os 22 anos, o assistente administrativo Antônio Honório, 51, começou a correr para sair da monotonia. Hoje ele tem muitas histórias pra contar, uma coleção de troféus, e agora sua filha, Mileide Honório, também se dedica à corrida com o principal objetivo de guiar o pai nas estrada da vida.

Faz 13 anos que Antônio Honório descobriu como é bom correr e, desde lá, é um atleta dedicado, que treina de segunda a segunda. Ele é um exemplo para seus amigos, para os demais atletas e para a família, porque, mesmo com somente 5% de visão, treina sem medo de percorrer os espaços da Vila Olímpica de Manaus, algumas vezes sem guia.

Honório corre num ritmo forte, costuma vencer na categoria dele nas corridas de rua e relembra com carinho das provas favoritas que correu fora de Manaus. “Corri muitas provas, sendo que as mais marcantes foram a meia maratona e a Maratona do Rio”. Mas foi justamente na Maratona do Rio, em 2015, que Honório “nasceu de novo”, como costuma dizer.

“Eu concluí a prova ao lado do meu técnico, o professor Sérgio. Fiz meu melhor tempo, estava comemorando, quando, de repente, apaguei, tive uma parada cardíaca”, relembra. Honório se recuperou rápido na hora, em três minutos estava bom, mas foi levado ao hospital, onde ficou internado e fez o procedimento cirúrgico para receber três stents nas artérias. “Passei um ano só caminhando, trotando, mas depois, o médico liberou e, este ano, já até corri duas maratonas (risos)”, conta Honório.

Após esse grande susto, a filha dele, Mileide, 29, que até então não gostava muito de treinar, decidiu incluir a corrida na sua rotina, e acompanhar o pai de perto. “Este ano, meu pai decidiu voltar a correr a maratona, então eu pensei, meu pai não pode ir sozinho, tenho que ir com ele, então, comecei a treinar em março, já fui guia do meu pai em algumas provas, mas agora estamos nos preparando para a Meia-maratona de Brasília”, destaca Mileide.

Já Honório está adorando treinar com a filha, mas também cobra resultados. “Tô achando ótimo, e é bom demais pai e filha correrem juntos, ser guiado por alguém da família. Mas ela ainda vai melhorar um pouquinho, já falei para ela treinar direitinho para a gente fazer um tempo baixo”, disse Honório, que corre na excelente média de 4’45/km.

Mileide, por sua vez, conquistou o 5º lugar geral nos 10 km feminino da Corrida do Pátio, mas disse que correr com o pai é mais difícil. “Hoje tenho ânimo para vir treinar 5h da manhã, e depois ainda ter que trabalhar, mas é gratificante, estou colhendo frutos, apesar de não ser fácil treinar com ele, que é muito exigente, quer correr forte, e eu fico morrendo, mas tô do lado (risos), tá sendo desafiador”, disse Mileide.

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