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Esportes
PELO MUNDO

Por meio do futebol, atacante amazonense ajuda na reconstrução da Líbia

Aos 21 anos, Matheus Maradona narra com exclusividade ao CRAQUE a experiência de atuar pela Liga Nacional da Líbia, país devastado pela guerra civil. Ele relata a paixão dos líbios pelo esporte 05/03/2018 às 12:37 - Atualizado em 05/03/2018 às 13:02
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Matheus estreou bem pelo Asswehly, onde é tido como ídolo da torcida (Foto: Arquivo pessoal)
Denir Simplício Manaus (AM)

Reconstruir, esse é o verbo mais usado ultimamente na Líbia, país devastado pela guerra civil em 2011, após o estouro da Primavera Árabe. O movimento, que envolveu protestos contra ditadores e a busca de melhores condições de vida dos povos de origem árabe, atingiu em cheio os líbios e uma de suas maiores paixões, o futebol.

Mas, aos poucos o povo líbio vai reencontrando o prazer pelo esporte bretão e um amazonense está em campo nessa luta pela recuperação do país. Matheus Henrique Meireles Mota, 21, o Matheus ‘Maradona’, disputa a Liga Nacional da Líbia pelo Asswehly, da cidade de Misurata (distante 211km da capital Trípoli). Recebido como ídolo pelos torcedores do clube, Matheus, que é o primeiro brasileiro a vestir a camisa do clube, diz viver um sonho.

“Minha recepção aqui foi maravilhosa, muitos torcedores estavam me esperando pra tirar fotos e conversar comigo. Estou tendo um reconhecimento e sendo muito valorizado aqui. Isso pra mim é gratificante e fico me sentindo em casa”, comentou o atacante que desde 2015 estava no Figueirense-SC.


Matheus surgiu na base do Tarumã (Foto: Arquivo pessoal)

Na Líbia desde o fim de janeiro, Matheus confirma que o país de maioria muçulmana vive um processo de reconstrução e que o cenário de guerra ainda pode ser visto em alguns pontos de Misurata, mas que a segurança na cidade é reforçada.

“A cidade é bem tranquila, me falaram que posso andar de boa na rua, não tem problema. O policiamento aqui é reforçado. Por onde você anda vê policiais e com armamento pesado. A cidade foi quase toda reconstruída e é bem bonita. Está sendo uma experiência que tenho certeza que será super importante na minha vida e na minha carreira”, enfatizou o atacante falando da saudade da família e da noiva que ficaram no Brasil.

“Minha família aceitou de boa, é meu sonho, meu trabalho, é de onde vou tirar o sustento pra ajudar eles. Claro que a saudade é imensa, não tem como negar isso. Minha noiva também ficou no Brasil e a saudade é demais, mas a gente faz isso pensando que no futuro vai ter um bom retorno”, disse Matheus afirmando que faz da saudade um combustível para se doar ainda mais em campo.

“A gente acaba se desligando de todo mundo fisicamente, mas em pensamento nós estamos todos juntos. Sempre dando força um pro outro: eu, minha noiva, meu pai, minha mãe e irmãos. Essa saudade me faz correr em dobro dentro de campo, me faz esforçar ainda mais pra valer a pena todo esse esforço, esse sacrifício.”, conta o jogador que, em amistosos de inter-temporada, já até marcou gols na nova casa.

“A torcida disse que eu sou a esperança do clube. Como estou vindo de um futebol de alto nível, que é o futebol brasileiro, eles estão esperando muito de mim. E com fé em Deus vou retribuir como já estou fazendo nos amistosos, onde fiz dois gols e dei duas assistências”, disse o atacante que, antes de ir pro Figueira, passou pela base do Tarumã e Nacional.

Sofrimento e guerra


A Líbia sofreu com uma sangrenta guerra civil em 2011 (Foto: Reuters)

Terceiro país do chamado mundo árabe a enfrentar revoltas populares com a explosão da Primavera árabe, a Líbia vive hoje a um passo da guerra e dois da paz. Depois de sofrer por 42 anos com o regime do ditador Muammar Kadhafi, morto diante das câmeras de celulares em ofensiva à cidade de Sirte, os líbios vivem a tensão por eleições legislativas que possam tirar a Líbia do caos.

No âmbito esportivo, a Seleção da Líbia viveu seu momento mágico em 2014, quando se sagrou campeã da Copa Africana de Nações. Na ocasião, os “Guerreiros do Mediterrâneo” foram comandados pelo brasileiro Marcos Paquetá, que enfrentou a guerra, o medo e até a fome para levar a Líbia ao título.

Matheus Maradona desembarcou numa Líbia que luta por paz. Assim como outros cinco brasileiros que disputam o campeonato líbio, o amazonense busca um horizonte melhor para ele e para sua família, que ficou no Amazonas. No último sábado (24), Matheus estreou oficialmente na nova casa e o fez com o pé direito, ao dar o passe para o gol da vitória do Asswehly por 1 a 0.

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