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Porque eles jogadores de talento preferem o futebol amador a atuar no profissional?

Com idades que variam em geral entre 18 e 30 anos, muitos peladeiros têm condições ou já tiveram chance de jogar em times profissionais do Amazonas, mas dizem preferir atuar no amador 16/03/2015 às 21:19
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Nenca, Weber e Diego são três gerações de atletas amadores, cada um a sua maneira
Felipe de Paula Manaus (AM)

Com idades que variam em geral entre 18 e 30 anos, muitos peladeiros têm condições ou já tiveram chance de jogar em times profissionais do Amazonas. No entanto, muitos deles ainda preferem atuar no amador. E há várias razões para isso, a começar pelo calendário do chamado futebol de várzea, repleto de torneios o ano inteiro, com cobiçadas premiações em dinheiro.

Weber Farias, 31, teve uma carreira bem sucedida no futebol profissional. Revelado pelo São Raimundo em 2001, que estava na Série B do Campeonato Brasileiro, era terceiro goleiro de Iuna e Nailton. Tem três títulos amazonenses: dois com o Tufão (2004 e 2006) e com o Holanda (2008), dessa vez como titular. Também atuou pelo Nacional, Manaus Compensão, Araxá-MG e Santo André-SP.

Em 2011, após voltar para o São Raimundo, resolveu abandonar o profissional e tomar rumo em outra profissão. “Me desanimou a falta de estrutura”, admitiu Weber, que acabou se reencontrando no futebol amador. “Ainda sou muito procurado (por clubes profissionais)”, diz ele, que vê no calendário reduzido do futebol local um entrave ao seu desenvolvimento.

“Não tem calendário o ano todo. É de janeiro a julho no máximo. No resto do ano, você está desempregado, a menos que você esteja em um time que disputa campeonatos nacionais”, disse ele. Mesmo no futebol amador – hoje ele atua no Obidense –, o goleiro não “perdeu a mão” para os títulos e se orgulha de fazer parte do primeiro time a se tornar campeão jogando na Arena da Amazônia.

“Isso ninguém vai tirar da gente”, diz ele, que não revela quanto é o valor do seu contrato para jogar pelo time, mas faz questão de deixar atiçada a curiosidade do repórter. “Não foi pouco”, disse, enfático, e orgulhoso de sua equipe atual. “No ano passado, jogamos oito campeonato e vencemos seis. O único sonho de consumo que falta é conquistar o Peladão”, completa.

Veterano da 'várzea'

Veterano das peladas, Nenca, 38, é um atacante de renome do circuito. Ele conta já ter tido oportunidade de jogar profissional em times grandes da capital, mas sempre ter preferido o amador, que permite aos jogadores terem um emprego fixo e fazerem um bico nas peladas, de quebra sem ter a responsabilidade de se portar como um atleta profissional.

“Vale a pena jogar amador”, diz ele, que já foi campeão do Peladão em 2009, pelo Alvorada, e diz que o futebol já lhe rendeu muitas alegrias e, claro, algum dinheiro. “Já ganhei título em tudo quanto é bairro”, orgulha-se ele, que hoje defende as cores do Amigos da Cidade Nova, vice-campeão do Peladão Brahma 2015.

Neste cenário, há quem sonhe em jogar profissionalmente, mas veja no futebol amador amazonense uma vitrine. Diego Felipe, 17, treina nos juniores do Fast Club (até 19) e sonha em se profissionalizar, mas vê no Peladão uma oportunidade de ganhar experiência entre jogadores calejados.

“É o campeonato que todo mundo quer ganhar, por que é visado no Brasil e no mundo. Apesar de (os jogadores) serem ‘peladeiros’, tem muitos ex-profissionais, e as pessoas prestigiam, dão valor. É uma experiência boa”, diz ele, meio campo do Panair, time fundado por seu avô, Raimundo.

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