Domingo, 23 de Junho de 2019
Craque

Praticante de jiu-jítsu prova que maternidade não é o fim do corpo de atleta

Antes, durante e depois da gravidez, a empresária e praticante de jiu-jítsu Michelle Guimarães mantém a forma física ao mesmo tempo que vive o maior dos desafios, o de ser mãe 



1.jpg Michelle chega a levar o filho consigo para o treino a fim de não perder a forma
11/05/2015 às 14:33

Quando Michelle Guimarães, então grávida de sete meses, publicou em seu Facebook um vídeo e, que aparecia levantando peso, alguns amigos quase foram à loucura. “O que você quer provar?”, dizia um dos comentários mais alarmados. Contudo, a mãe do saudável Máximus, hoje com cinco meses, sabia não estar pondo a saúde do filho nem a sua em risco, mas, pelo contrário, estar contribuindo para uma gravidez e recuperação pós-parto mais saudáveis.

“Dependendo da condição física da mulher, ela pode e deve se exercitar sim, cada uma no seu grau”, defende Michelle. O caso da empresária de 29 anos, de fato, é particular. Ela é praticamente uma poliatleta: faz musculação há dez anos, já praticou muay thai, hoje é adepta do crossfit, modalidade de condicionamento físico focado na definição muscular, além de ser atleta de jiu-jítsu - em 2014, foi eleita a melhor do ano pela federação de jiu-jítsu e neste ano, já depois do nascimento do filho, chegou a ser vice-campeã amazonense.

A boa e rápida recuperação após o parto, ela deve muito à disciplina, essencial à vida no esporte, que teve de reinventar na gravidez. Com a devida acompanhamento e liberação da médica obstetra e do preparador físico, a empresária teve de abrir mão do tatame, mas não deixou de frequentar a academia. Com orientação especializada, apenas reduziu em 30% o peso dos aparelhos e a frequência nos treinos de crossfit.

“Gravidez para quem é atleta é muito importante, tem que ser tudo bem monitorado”, diz ela, que teve de se certificar com a médica se o útero estava devidamente selado e fazia atividades aferindo a pressão e o batimento cardíaco antes e depois das séries de exercícios. Até poucos dias antes do parto, Michelle ainda frequentava as aulas. “O corpo se ajusta ao que você quer. Se você quiser ser sedentário, o corpo vai se adaptar a isso", diz Michelle.


Recuperação

O resultado de tamanha disciplina, chegou a contento, logo após o nascimento da criança. “Minha recuperação foi excepcional”, diz ela, que queria parto normal, mas acabou tendo de optar por uma cesariana, o que não a impediu, passado o resguardo, de fazer caminhadas, geralmente com o bebê próximo (no carrinho) e, três meses depois, retornar ao jiu-jítsu, ainda que em por poucas horas por semana, já que o aumento na testosterona pode prejudicar a produção de leite. Com o filho ainda bebê, ela agora tem que se desdobrar também fora do tatame para dar conta de tudo.

“Eu cuido dele a maior parte do tempo. Meu trabalho é mais pontual, por demanda. Então, respeitando a hora dele, a soneca, quando eu posso o levo comigo para a academia”, diz ela, que aproveita para dar dicas para outras mães que não tenham conseguido arranjar tempo para fazer atividades físicas. “O segredo é descobrir uma maneira de se adaptar”, diz ela, que agora concilia suas metas esportivas ao maior dos desafios: ser mãe.

Três perguntas para Dra. Raquel Braga, ginecologista e obstetra

1. Dra., a Michelle, que foi sua paciente, nos contou que muita gente ficava chocada quando ela publicava fotos fazendo exercícios durante a gravidez. Como frear o ímpeto de alguém “viciada” em esportes e, por outro lado, aproveitar isso em função da saúde da gestante?

A Michelle é um caso à parte porque ele já é atleta. Ela não estava iniciando a atividade física pesada durante a gravidez, o que não é recomendável. Ela não lutou, só manteve o treino, com alimentação acompanhada com nutricionista. Para a mulher que já pratica, não vejo porque ela parar, desde que devidamente acompanhada. Geralmente quem pratica esporte, como ela, faz acompanhamento com nutrição esportiva ou médico nutrólogo e preparador habilitado para trabalhar com gestantes. A Michelle fez tudo direitinho, ela é muito obediente (risos).

2. Quais são as atividades mais recomendadas?

Hidroginástica, natação, atividades de isometria (equilíbrio), como ioga, pilates. A própria musculação, quando bem orientada, pode ser recomendada. É preciso aferir pressão antes e depois, mesmo em exercícios na água e de baixo impacto, a frequência cardíaca, que não deve ultrapassar os 140 bpm, nem é bom que altere muito a temperatura corporal.

3. Gravidez é desculpa pra não fazer atividade física? Ou pelo contrário? Até porque atividade física, uma vez   acompanhada por profissionais, faz bem para corpo e mente, consequentemente, bem para a martenidade também, não é?

Com certeza, até pra ajudar no parto vaginal, a mulher que fez preparo, atividade física, pilates, ioga, ajuda em todos os sentidos na gravidez: a não ganhar peso excessivo, a controlar a ansiedade. A prática deve começar antes da gravidez. Na gravidez não é indicada que comece a prática de exercício pra quem nunca praticou.






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