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Presença de mulheres no futebol amazonense aumenta a cada ano

Elas saíram do papel coadjuvante para dividir com os homens funções do primeiro escalão nos clubes 08/03/2013 às 09:50
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Grazielly é a versão feminina do “mão santa” no Tufão da Colina
Paulo Ricardo Oliveira Manaus (AM)

Muito além de emprestar beleza, senso de organização e delicadeza, as mulheres têm conquistado espaços importantes no futebol amazonense. Elas saíram do papel coadjuvante para dividir com os homens funções do primeiro escalão nos clubes. No quadro de arbitragem da Federação Amazonense de Futebol (FAF), a participação feminina também aumenta significativamente.

Grazielly Coutinho, de 26 anos, foi contratada pelo São Raimundo como fisioterapeuta oficial para o primeiro turno do Estadual. Quando a beldade é acionada a entrar em campo para atender jogadores batidos, os marmanjos enchem os olhos. Sobre a estrutura de trabalho que o clube oferece para que ela possa realizar as sessões de fisioterapia com os jogadores do Tufão, Grazielly disse que apesar de modesta, consegue trabalhar adequadamente para recuperar os atletas.

“A estrutura ainda é modesta pela condição que estamos tendo já que o estádio da Colina vai entrar em reforma para a Copa do Mundo. Mas estamos conseguindo fazer um bom trabalho porque os jogadores felizmente não estão com contusões graves e estamos fazendo mais um trabalho preventivo. Estou atuando de forma diferenciada com cada jogador de acordo com a lesão apresentada”, explica a morena nascida na cidade de Itaituba, no Pará, especializada na área de biomecânica

Três perguntas para Grazielly Coutinho

Existe algum tipo de preconceito em relação ao seu trabalho no São Raimundo?

Não. Ainda não notei diretamente isso. O preconceito está nos próprios jogadores, que parecem ter vergonha de dizer o que estão sentindo. Mas, conforme o tempo vai passando, eles vão ficando mais desinibidos comigo. Creio que há uma maior valorização do trabalho da mulher até mesmo no futebol, onde os homens dominam.

Fale sobre sua primeira experiência em um clube profissional?

Já trabalho em uma empresa do Distrito Industrial, mas no futebol profissional é a minha primeira experiência. Acredito que vou aprender muito mais nessa área esportiva. Eles são uns garotos muito respeitadores. Para mim está sendo mais difícil escutar as palavras das torcidas que pegam um pouquinho pesado durante os jogos do campeonato. A primeira vez que ouvi palavrões foi bem impactante, mas está sendo muito proveitoso do ponto de vista profissional, pois é um trabalho mais especifico, de campo, é muito válido para mim”

O salário é equivalente a de um homem?

Acho que essa é uma questão que se resolve entre o profissional e quem faz a proposta para ele. O valor é você quem determina com seu conhecimento e com a valorização do seu trabalho. Quanto mais competente, maior salário.

Mulheres na FAF


Elivane Trindade da Costa, 24, está no último período de Serviço Social na Unip, mas arrumou tempo para atuar como assistente de arbitragem no quadro da Federação Amazonense de Futebol (FAF). Ela estreou no Estadual deste ano e se disse disposta a continuar na função e fazer o teste da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para trabalhar como árbitro principal.

“As mulheres estão dando um grande passo na conquista de espaço no futebol. O trabalho é complicado, você ouve coisas desagradáveis, mas faço ‘ouvido de mercador e continuo”, explica a assistente, que ganha R$ 380 por partida. “Se for no interior, dependendo da cidade, a gente ganha um bônus”. Elivane nasceu em Monte Alegre (PA).

Secretária faz tudo no Fast


No Fast Clube há uma mulher exercendo cargo com peso de diretoria. Nádia Dutra Chaves, 50, é a secretária-geral do Rolo Compressor. Ela é a voz feminina mais ativa e personifica a figura do ‘faz-tudo’ no clube com a motivação de uma autêntica fastiana. É Nádia quem desenrola serviços de escritório no clube.

Contratar e rescindir com jogadores é com a secretária-geral, assim como fazer as compras, providenciar alimentação do elenco, adiantar serviço de lavanderia, fazer pessoalmente o pagamento da folha salarial.

“Acho difícil uma mulher no futebol amazonense que faça tudo que a dona Nádia faz aqui no clube”, elogia o vice-presidente do clube, Claudio Nobre. O salário de Nádia, porém, não foi revelado, mas se tem uma mulher que a última palavra é a dela no Tricolor é a da Nádia. “Estou no Fast desde 2009, desde que o Claudio Nobre assumiu o clube. Acreditei no projeto da nova diretoria e acabei apaixonada pela Família Fast”, afirma a diretora.

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