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Presidente do Comitê Organizador Olímpico Manaus 2016 fala sobre a preparação da capital para os Jogos

Com 23 anos dedicado à segurança pública no Estado, delegado Mário Aufiero comanda o Comitê local. Depois da Copa do Mundo, o segundo evento mundial em Manaus promete deixar um legado social 13/06/2015 às 22:14
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Mário Aufiero comanda o Comitê Olímpico local que vai organizar o evento na cidade
Anderson Silva Manaus (AM)

Depois da Copa do Mundo, Manaus recebe as honras de sediar o segundo evento esportivo de grandeza mundial, as Olimpíadas 2016. A preparação para o evento já se tornou prioridade para os governos estadual e municipal, responsáveis pelo comitê estadual das Olimpíadas na única cidade da Região Norte a sediar os jogos de futebol do evento multiesportivo.

Em alta com a realização de quatro jogos da Copa do Mundo, a capital amazonense ainda assim encontrou um pouco de dificuldades para arregimentar o evento, por conta da distância relacionada a outras cidades. Com o aval da Fifa, a capital vai ser sede do futebol olímpico masculino e feminino juntamente com São Paulo, Salvador, Brasília, Belo Horizonte, além do Rio de Janeiro que vai sediar os demais esportes.

Dada a largada para o início dos trabalhos de organização para receber o evento de 4 a 9 de agosto do próximo ano e que vai atrair milhares de turistas para o Amazonas,  dobro dos 119.925 que estiveram no mundial, assim estimam os organizadores. O CRAQUE conversou exclusivamente com um dos principais responsáveis em gerenciar o comitê local, o Secretário de Estado e Presidente do Comitê Organizador Olímpico Manaus 2016, Mário Aufiero, 38, que dedica a carreira de 23 anos à segurança pública do Estado exercendo o cargo de delegado. O secretário, que também esteve na organização da Copa do Mundo, apontou os novos desafios da cidade em ser sede olímpica, e também dos projetos a serem desenvolvidos.

Como está sendo a preparação para as Olimpíadas?

Oficialmente começamos no dia 12 de maio com a criação formal do Comitê Organizador Olímpico Manaus 2016, mas o Amazonas já vinha trabalhando desde janeiro para a candidatura de Manaus. É importante dizer que a capital amazonense deixou para trás cidades importantes como Porto Alegre, que era uma forte concorrente. E Manaus tem um grande apelo com a temática Amazônica. Isso envolve a importância econômica, geopolítica, cultural, turística além da excelente campanha na Copa, sendo uma das melhores cidades com relação à organização e segurança.

Sediar uma Copa do Mundo e uma Olimpíada. O que muda?

Muda tudo, desde a questão do número de jogos, que nós tivemos na Copa do Mundo, somente quatro jogos, e agora vamos ter seis jogos em rodada dupla, obviamente, mas serão seis jogos. O que diferencia também é o tempo que as seleções ficarão na cidade. Na Copa as seleções chegavam um dia antes, jogavam e iam embora e nas Olimpíadas eles têm que chegar 15 dias antes. É protocolo do Comitê Organizador 2016.

São muitos os desafios?

Teremos muitos desafios. A Olimpíada é totalmente diferente da Copa do Mundo, em tudo. É um evento muito maior e atinge um número maior de países e telespectadores.  São desafios que Manaus e o Amazonas terão que vencer, estamos prontos para vencer. Estamos trabalhando duro com o governo e prefeitura d Manaus e nos vamos vencer. Manaus já provou isso na Copa, vamos reduzir custos e vamos fazer todos os ajustes possíveis que o Comitê deverá nos passar. Vamos trabalhar realmente nesse legado social.

Já existe uma estimativa de gastos para o evento?

Os levantamentos de gastos ainda estão sendo elaborados. Mas estamos trabalhando com as estruturas temporárias para reduzir no mínimo 30% do que nos gastamos na Copa. Os valores não estão fechados, ainda não estão definidos, porque estamos em fase de elaboração dos planos de trabalho, e nós precisamos de uma definição do Comitê Rio do que eles vão aprovar de estrutura definitiva.


E como vai funcionar a segurança?

Vamos usar toda nossa força de segurança, que está em torno de seis a oito mil pessoas entre Polícia Civil, Polícia Militar, Polícia Federal, Exército... Além da nossa força de trabalho móvel. Pessoas contratadas para trabalharem nos bares, restaurantes, tendas... Enfim, nós temos aí um público, uma geração de emprego direta e indiretamente estimado em quase duas mil vagas que vão gerar renda.

A estrutura pouco utilizada na Copa vai ajudar?

Ao invés de fazer uma grande tenda no sambódromo eu posso usar as salas da Arena, salas do sambódromo que posso usar e já economizo nisso aí. E nós vamos usar também o que a gente não usou na Copa, o Vasco Vasques (Centro de Convenções do Amazonas Vasco Vasques (CCA)), e isso vai ajudar e reduzir os gastos. A nossa meta é chegar aos 50% de economia.

Na Copa, Manaus teve apenas jogos da primeira fase. Nas Olimpíadas poderemos ter jogos eliminatórios?

Vou falar em “primeira mão”. Existe a possibilidade ainda, não está fechado, de Manaus sediar as quartas de final do torneio de futebol. Existe essa possibilidade de Manaus ter o sétimo jogo, além dos seis previstos.

O calor e o horário dos jogos preocupam?

Foi uma preocupação que colocamos na visita do comitê a Manaus. Nós temos um jogo que vai ser às 13h então aqui foi verificado e como são jogos de rodada dupla começaria às 13h, terminaria às 15h, teria um intervalo de uma hora e outro jogo começaria às 16h e terminaria às 18h. Só que realmente agosto é um dos meses mais quente, seco e não chove, e a parte da nossa Arena ela pega toda a luz solar. A temperatura lá com a Arena cheia chegaria quase aos 50 graus. O Comitê Manaus já fez a recomendação na última reunião no Rio de Janeiro já reiteramos e o Comitê (Olímpico) já acionou que está revendo o horário para mudar para às 17h.  Como vale vaga, o jogo que vai ser realizado em Brasília poderá ser mudado, mas depende deles (Brasília) concordarem.

Como está a procura por ingressos para os jogos em Manaus?

Nesse primeiro lote de vendas de ingressos das cinco sedes de torneio de futebol, Manaus foi a que teve mais procura. No ranking do Comitê Rio 2016 nós estamos em primeiro lugar. Isso prova o que estamos falando que Manaus vai ter além de o que nos esperamos uma quantidade expressiva de turistas, tanto nacionais quanto estrangeiros.

A Olimpíada vai trazer mais turistas que a Copa?

Estamos esperando no mínimo o dobro de turistas estrangeiros que estiveram na Copa do Mundo. Então isso com certeza vai aumentar a nossa responsabilidade da preparação da cidade de Manaus e do Amazonas e vamos ter muito mais dispêndio em pessoas. Será no mínimo 50% superior do número na Copa do Mundo.

Existe um trabalho para atrair mais turistas?

Na Copa do Mundo, só para ter uma idéia, quem mais visitou de turistas estrangeiros em Manaus: inglês, americano e italiano, até por questão dos jogos feitos aqui, mas essas três nacionalidades foram as que prevaleceram. Pós-Copa, segundo a Amazonastur (Empresa Estadual de Turismo do Amazonas), o número de visitantes estrangeiros continuou grande em Manaus. Em primeiro lugar os ingleses. E para aumentar estamos negociando com uma empresa aérea outra linha que faça vôo direto para o exterior. Isso vai potencializar e estamos falando de mais de cem mil turistas.

Com o aumento de turistas, o número de voluntários também vai aumentar?

De voluntários na Copa tivemos cerca de 1500 voluntários que ficaram nas delegacias, portos, aeroportos e na Fan Fest nós tivemos dois em Manaus. Com a Olimpíada, além de mantermos esses voluntários nesses pontos vamos colocá-los nos hospitais de referência e em outros pontos turísticos vamos reforçar. Então trabalhamos com uma estimativa de três mil voluntários.

Já foram definidos os locais para o público assistir as partidas?

Teremos os Live Sites que são as fan fest da Fifa. São locais disponibilizados pelo Comitê Olímpico onde a população vai assistir aos jogos, assim como foi a fan fest. A prefeitura de Manaus vai utilizar novamente a Ponta Negra e a Avenida Itaúba, na Zona Leste. A proposta do Governo do Amazonas é utilizar novamente o Largo São Sebastião como Live Site. Como houve a Copa lá (Largo São Sebastião, no Centro) foi uma fan fest na marra vamos aproveitar também que ano que vem o Teatro Amazonas vai comemorar 120 anos e vai ter toda uma programação festiva. Com certeza vamos fazer um Live Site e vamos poder juntar toda essa comemoração dos 120 anos do nosso Teatro Amazonas com a festa das Olimpíadas, que é uma festa do universal do esporte, do bem. Uma festa de integração.

Antes dos jogos das seleções a Arena vai ter eventos teste, assim como foi no Mundial?

Nós estamos trabalhando também com o Comitê Olímpico Brasileiro e com a Confederação Brasileira de Futebol (CBF) para termos jogos do Campeonato Brasileiro de futebol para servir de evento teste para as Olimpíadas.

Faltando mais de um ano para o evento, o quer será feito para promover ainda mais nossa capital?

Vamos ter a semana olímpica e queremos trazer grandes atletas medalhistas olímpicos para Manaus, para contar um pouco da história de vida deles. Temos aí um calendário de ações e eventos justamente para envolver a população e para vestir Manaus justamente com esse espírito olímpico. Em março de 2016 teremos os sorteios das chaves e em abril teremos a chegada da tocha olímpica que vai ser outro grande evento.

E como vai funcionar o domingo Olímpico?

A partir de agosto desse ano todo o domingo nossa Vila Olímpica vai estar aberta para incentivar as pessoas a praticar todo tipo de esporte. Manaus tem público para isso e nós vamos potencializar e incentivar as pessoas por meio do domingo olímpico.

Quanto ao futebol amazonense, ainda haverá o Museu do futebol?

É uma das nossas ações e legados de resgatar a história do nosso futebol e além do mais estamos apresentando o um projeto junto com o Ministério do Esporte para revitalizar todo o nosso parque aquático da Vila Olímpica. Vamos também trabalhar na cobertura dos nossos centros de treinamentos (estádio da Colina e Carlos Zamith) que foi bastante elogiado, então nos vamos revitalizar o parque olímpico, o museu o futebol e implantar a cobertura dos nossos dois centros de treinamento e mais que tudo fomentar as políticas de incrementos educacionais dos nossos jovens e adolescentes para incentivar a prática de esportes.

Pós-olimpíadas, o que a Arena da Amazônia poderá representar para o futebol amazonense que teve pouco espaço no estádio?

Nós vamos sim reunir com as federações principalmente com a Federação Amazonense de Futebol, que está bastante estreita com o Comitê 2016, para incentivar cada vez mais os jogos de futebol na nossa Arena. Acredito que vamos vencer esse desafio, que é muito grande e há interesse do governador José Melo em resolver essa questão (de a Arena ser mais acessível para o futebol local) e vamos trabalhar. E onde se começa é com a base incentivando o jovem e o adolescente à prática esportiva inclusive a do futebol. Tenho plena certeza que a Arena não é um elefante branco, ela já provou isso com eventos fora da Arena, em volta, e vamos fomentar mais eventos aqui e a prática esportiva para dar uma melhor ocupação neste local.

Falando em legado, teremos?

Nós estamos trazendo para Manaus e nós já temos o sinal verde do Comitê Olímpico o Projeto Transforma. É um projeto muito interessante que visa incentivar e inserir as pessoas do sexto ano fundamental até o ensino médio à prática esportiva. Nossa ideia é envolver mais de 250 mil alunos na prática esportiva e 100 mil pessoas no domingo olímpico na Vila Olímpica. Nosso principal legado será o Legado social. Inserir as crianças e adolescentes à prática esportiva.

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