Terça-feira, 13 de Abril de 2021
RAIO-X

Presidente do Rio Negro explica discurso otimista após 'acerto' com coreano: 'Sossegar a torcida'

Possibilidade de parceria fez com que Jefferson Oliveira chegasse a projetar o Galo de volta à Série A do Brasileiro e diz que briga pela sede não é com o empresário sul-coreano, mas com organizadores do leilão



rio_negro1_06529BE2-5123-481F-A36F-E91A2DF30F35.JPG Foto: Arlesson Sicsú
02/04/2021 às 17:55

Após o leilão virtual realizado pelo Tribunal Regional do Trabalho da 11ª Região (TRT), ocorrido no último dia 22 de março, que culminou no arremate da sede do Rio Negro pelo valor único de R$ 3,6 milhões mais comissões de 180 mil, idas e vindas ocorreram naquilo que poderia se tornar uma parceria entre o Barriga Preta - atualmente na 2ª divisão do Barezão - e o empresário sul-coreano Song Un Song, dono da empresa Digitron e Diretor Executivo da Fundação Matias Machline.

Um dia após o arremate, Song chegou a prometer em entrevista coletiva ao lado do presidente do Galo, Jefferson Oliveira, que não deixaria o clube acabar e levaria o Rio Negro ao Mundial de Clubes. Na ocasião, reforçando o otimismo do empresário, Jefferson disse que o Rio Negro iria lotar a Arena da Amazônia e ainda projetou um período de cinco anos para que o clube voltasse à Série A do Brasileirão - algo que não acontece desde 1983.



Acontece que não demorou para o presidente do Barriga Preta 'virar a chavinha' e autorizar o recurso na justiça para tentar anular o leilão. Com exclusividade ao A Crítica, Jefferson frisa que conversou com Song em apenas uma oportunidade e explica o motivo para ter 'entrado no jogo' na hora da entrevista coletiva, na iminência de uma possível parceria.

"Eu estive com o Song e conversei com ele uma vez, não naquele momento da coletiva, fui lá muito rápido. Foi só para sossegar a torcida, a sociedade, mas estávamos procurando alguma coisa para lutar também. Ali existia uma intenção de parceria”, explica Jefferson, que destaca não ter problemas com o empresário sul-coreano.

"A briga não é com o Song e sim com quem fez o leilão, ele não tem nada a ver com essa briga. Estamos brigando apenas pelos direitos do Rio Negro", diz.

Longe do ideal

No último dia 30 de março, o Atlético Rio Negro Clube soltou uma nota oficial em suas redes sociais explicando ser inadmissível os termos citados no leilão. Com o preço arrematado em menos de 50% do seu valor estipulado - primeiramente em 8 milhões no ano de 2013 e posteriormente reajustado pela Justiça do Trabalho para 9 milhões -, o presidente do clube deu o sinal verde para o recurso encabeçado pela advogada Silvyane Parente Araújo Castro.

"Não é o ideal o Rio Negro perder o único bem dele, sendo que a gente tem funcionários, temos compromissos e a único fonte de renda do Rio Negro é a sede. Até o momento não temos recurso. Mas hoje em dia tem muita gente desempregada e vamos pagar como? Só fechar as portas? E as pessoas que trabalham lá? Os funcionários? Então não houve um entendimento em relação a isso", disse o presidente.

Pedido de ajuda

Com dívidas trabalhistas avaliadas em R$ 243.908,33, o presidente do Galo apela para os sócios do clube em busca de renda que possa diminuir este prejuízo. Segundo o próprio Jefferson, dos 5 mil associados registrados atualmente, apenas 18 estão pagando as mensalidades.

“Preciso apenas dos meus associados voltando. Precisa de muita coisa não. Nós temos 5 mil sócios, podem ajudar o Rio Negro aqueles que ainda restaram, é simples. A mensalidade do clube é R$ 50, se todo esse povo ajudar, olha quanto vai dar a receita. Nós não precisaríamos passar por tudo isso, estaria tudo pago, em dia, estaríamos com um grande time de futebol e ações sociais dentro do clube. Vamos dizer que pelo menos 2 mil dessas 5 voltem para contribuir com os R$ 50 reais, já ia ser todo o oxigênio que precisamos para enfrentar tudo isso”, concluiu.

Na 2ª divisão do Campeonato Amazonense, o Rio Negro bateu na trave em conseguir o acesso em 2020, após ser eliminado nas semifinais para o Clipper. O clube, que é o segundo maior vencedor da história do Barezão com 17 títulos, não conquista o Estadual desde 2001 e não levanta um troféu desde a conquista da Série B do Amazonense em 2008. A sede do clube é localizada na Avenida Epaminondas, em frente à Praça da Saudade, no Centro da capital.

Repórter de A Crítica

Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.