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FENÔMENO

Prestes a lutar pelo cinturão, Ketlen Vieira fala sobre próximo duelo no UFC

Faltando poucos mais de um mês para o UFC São Paulo, a amazonense Ketlen Vieira fala com exclusividade ao CRAQUE, conta como está se preparando e analisa sua evolução meteórica no Ultimate 19/08/2018 às 06:31
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Ketlen tem em seu cartel dez lutas e dez vitórias (Foto: AFP)
Denir Simplício

“Matar um leão por dia”. O ditado popular, que nada mais é do que uma metáfora sobre como é duro vencer na vida, cai perfeitamente para o atual momento da amazonense Ketlen Vieira. A “Fenômeno”, como é conhecida, tem luta marcada para o UFC São Paulo, no dia 22 de setembro, contra a norte-americana Tonya Evinger, 37, mas o que a lutadora da Nova União queria mesmo era “matar a Leoa”. 

Segunda no ranking dos pesos-galo do UFC, Ketlen Vieira era a virtual desafiante da campeã da categoria, Amanda Nunes, a “Leoa”, mas a Organização optou em colocar mais uma oponente no caminho da amazonense antes da tão sonhada luta pelo cinturão.

Invicta na carreira, com dez lutas e dez vitórias (sendo quatro no UFC), Ketlen Vieira, 26, não escondeu a frustração com o Ultimate, mas também não “fugiu da raia”. Em conversa com o CRAQUE, a Fenômeno falou da preparação para o combate com a ex-campeã do Invicta FC, que promete ser o mais duro no UFC. Ketlen também comentou sobre sua ascensão meteórica no maior evento de lutas do mundo e da felicidade com a última vitória de José Aldo. Sempre focada, a amazonense se vê pronta para cumprir sua principal meta: ser campeã do UFC.          

Teu desejo era de um combate pelo cinturão do peso-galo com a Amanda Nunes. Mas o UFC achou melhor segurar mais um pouco e decidiu por mais uma luta antes do confronto com a Leoa. O que você achou dessa decisão do UFC? Você ficou decepcionada de alguma forma? 

Eu e minha equipe com certeza achamos que a minha próxima luta deveria ser uma disputa de cinturão, mas infelizmente não foi. Sou funcionária de uma organização e estou lá pra fazer o meu trabalho. Eles colocaram essa luta pra mim e como sempre, desde o início da minha carreira, nunca escolhi luta e não vai ser agora que vou escolher. No momento não estou pensando na Amanda, não estou pensando em cinturão, não estou pensando em nada. Só estou pensando exclusivamente na Tonya (Evinger), que é a minha próxima adversária. Estou concentrada nela e acredito em Deus e que tudo é no tempo Dele, e prefiro que seja no tempo Dele do que no meu.

Já são quase dois anos dentro do UFC, o que mais te surpreendeu positivamente ou negativamente durante esse período no maior evento de lutas do mundo?

O que mais me surpreendeu foi meu crescimento dentro da organização e a velocidade que as coisas aconteceram. Em apenas dois anos eu já sou a número 2 do ranking e isso é fruto de muito trabalho, de muita dedicação onde tive de largar minha cidade pra vir morar no Rio de Janeiro e me dedicar totalmente aqui. Mas estou muito feliz por esse resultado, que é fruto do trabalho de toda uma equipe.

Será teu quinto combate no UFC, já são quatro vitórias no octógono do Ultimate e tua ascensão é notória. Imaginou um dia que seria dessa forma? Que você alcançaria teus objetivos com tanta rapidez?

Não imaginei que eu teria uma ascensão tão rápida. Claro que sempre quis, sempre tive metas na minha cabeça. Desde que comecei a entrar no MMA, eu tinha a meta de ser a primeira amazonense a entrar no UFC. Depois que entrei no UFC, a próxima meta é ser a primeira amazonense a ter um cinturão do UFC. Mas sou muito feliz com o que eu alcancei até agora. Graças a Deus são quatro vitórias dentro da maior organização de lutas do mundo, e não é fácil. O UFC tem as melhores lutadoras do planeta e eu já consegui vitórias em cima de lutadoras duríssimas, vitória em cima de ex-desafiantes, vitória em cima de mulher que foi a única a vencer a campeã. Então, estou muito feliz com esse pouco tempo dentro de UFC e estar tendo esses resultados. Isso é fruto de muito trabalho da minha equipe, da dedicação deles e tudo que venho fazendo é reflexo do trabalho deles.    

Sua próxima adversária vem de derrota em uma categoria acima (penas) e gosta de luta agarrada. Já traçou uma estratégia para encarar a Tonya Evinger? O que pode preocupar nesse combate com a norte-americana?

A Tonya Evinger é uma adversária duríssima e muito experiente. Tenho que estar muito bem preparada pra essa luta porque ela já enfrentou as melhores lutadoras do MMA, do UFC, e nada do que eu vá apresentar pra ela dentro do octógono vai ser novidade porque ela já passou por todo tipo de situação. A gente vem trabalhando em tudo, em todos os pontos, como defesa de queda, jiu-jitsu e trocação. Tenho certeza que vai ser uma luta muito dura, estou me preparando pra lutar três rounds e, se Deus quiser, espero conseguir impor meu jogo. Meu mestre Dedé (Pederneiras), que é o “head coach” da equipe, vem traçando a estratégia e a gente vem trabalhando pra tentar impor esse jogo. Mas a Tonya é uma adversária dura, que vem de uma derrota na categoria de cima, onde ela enfrentou a campeã, a Cris Cyborg, e até o momento, antes da luta com a Holly (Holm) ela tinha sido a adversária mais dura. A Tonya lutou três rounds com a Cris e até conseguiu derrubá-la. Então, ela é uma lutadora muito dura que tem de ser respeitada.  

Você é parceira de treinos do José Aldo e deve ter vibrado muito com mais uma vitória do teu conterrâneo. O Scarface te dá conselhos? Vocês costumam conversar sobre estratégias de luta ou sobre os adversários de cada um?

Não só eu, mas toda equipe está feliz com essa história do José Aldo. Só quem está perto sabe o tanto que ele batalha, a pessoa ele é, um cara humilde. Ele está sempre acompanhando os treinos, sempre ali no sparring dando uma dica, não só pra mim, mas pra todo mundo. Na hora de ser sério, ele é sério, na hora de descontrair, ele descontrai. Ele é assim, está sempre ali com a gente dando um conselho, o que tem de melhorar. Isso pra mim, particularmente, tê-lo ali nos treinos é uma honra. Nossa equipe está muito feliz com a vitória dele e, se Deus quiser, ele vai voltar a trazer esse cinturão pro Brasil e pra Nova União. 

Hoje, você é a segunda no ranking e postulante principal a desafiar a dona do cinturão dos galos. Uma vitória sobre Tonya Evinger praticamente te colocará no octógono contra Amanda Nunes. Você se sente preparada para tomar o cinturão da Leoa? Acha que essa luta poderia acontecer ainda este ano?

Acredito que sim. Não sei se uma vitória em cima da Tonya pode me levar mais perto do cinturão porque o UFC faz o que é conveniente pra ele e não o que é conveniente pra mim. O UFC faz o que vai render dinheiro pra ele, o ranking não serve de nada. Mas vou continuar a fazer o meu trabalho a buscar a vitória até chegar o dia que o cinturão vai ter de vir. Acredito muito nos planos de Deus pra minha vida, acredito que essa luta contra a Tonya vem em boa hora. Será um grande teste pra mim, que vou lutar contra uma mulher grande, uma adversária experiente. Estou encarando tudo de uma forma positiva, sei que essa luta vai me preparar ainda mais pra que futuramente, quem sabe, eu vá disputar o cinturão. Estou no aguardo, seja daqui a um ano ou a dez anos, mas não vou parar enquanto não conseguir ser campeã do UFC.

Restando cerca de um mês e meio para o combate no UFC São Paulo em que nível estão os treinos? Você e o Dedé Pederneiras estão focando os trabalhos em luta de solo, em pé, ou mais a parte física?

O meu “camp” está à todo vapor, a gente está treinando tudo: luta em pé, no chão, defesa de queda, derrubar. O mestre Dedé está presente em todos os meus treinos, é ele quem monta minha planilha de treinamentos trabalhando todos os fundamentos: preparação física pra estar bem, o boxe, o judô, o wrestling, a gente tem de trabalhar tudo porque a Tonya é uma lutadora muito perigosa, muito experiente. Tenho de estar muito preparada em todos os fundamentos. 

Lembro uma vez que você me disse que teu maior sonho era lutar e vencer a Ronda Rousey no UFC. Com ela fora do Ultimate, qual o teu grande sonho agora? 

Meu maior sonho agora é ser campeã do UFC. É isso que me motiva todos os dias a acordar pra treinar, a levantar mesmo doente, mesmo às vezes cansada. Mas é isso que me motiva, é esse meu foco, esse é meu maior sonho. Acho que não só meu, mas de todo lutador que entra no UFC. Ele entra lá com o objetivo de ser campeão e o meu não é diferente. Venho buscando isso a cada dia, na evolução com a minha equipe, a estar ouvindo eles, a estar aprendendo mais todos os dias. Tenho muita fé em Deus que um dia serei campeã do UFC. A gente está trabalhando muito pra isso. Não sei quando vai ser nem como vai ser, só sei que vou trabalhar muito pra que isso venha a acontecer.   

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