Terça-feira, 24 de Novembro de 2020
HISTÓRIA

Primeiro 'dia de vida' do Vivaldão, o Colosso do Norte, completa 50 anos

No dia 5 de abril de 1970, seleções A e B de Brasil e Amazonas iniciavam a história do estádio Vivaldo Lima, o Vivaldão. Autor dos primeiros gols do Colosso do Norte, Dadá Maravilha relembrou a data história



vivaldo_lima_inaugura__o_CFEF8C57-C5FE-4D0B-BF5F-2D451D654408.JPG Foto: Corrêa Lima/Acervo Eduardo Braga
05/04/2020 às 14:18

Foi exatamente em um 5 de abril como hoje, mas há 50 anos, que o estádio Vivaldo Lima, o popular Vivaldão, era inaugurado em Manaus. Na data marcante do ano de 1970, iniciava para futebol e torcida amazonense uma história de amor, que passaria por momentos de glória, tristeza e despedida. Afinal, estamos diante de um ‘personagem’ que apresenta em seu enredo um início, um meio e um fim.

Nesta reportagem especial, o CRAQUE celebra junto com você, leitor do A CRÍTICA, os 50 anos da inauguração do Colosso do Norte. Em uma volta ao passado, resgataremos como se deu o processo de construção do Vivaldão, o primeiro ‘dia de vida’ do estádio, os principais jogos e jogadores que pisaram naquele gramado, e mais sobre a vida um tanto quanto curta de um dos estádios mais especiais do Brasil.



Vale lembrar que no estado do Amazonas, por sua vez, o Vivaldão era a ‘estrela maior’, seguido pelo já existente estádio Ismael Benigno, a Colina, que também recebia jogos da região para cerca de 10 mil torcedores desde 1961. Outro palco dos times amazonenses no início da caminhada do futebol na ‘Paris dos Trópicos’, o Parque Amazonense foi perdendo o posto à medida que os dois primeiros locais ganhavam destaque.  

O início da ‘ideia Vivaldão’

Para acompanhar o futebol que crescia, nos anos 50, na principal cidade da Região Norte do Brasil, a construção de um estádio maior era necessário para corresponder à motivação da população manauara. O primeiro a levantar a ideia foi Plínio Ramos Coelho, governador do Amazonas a partir do meio da década de 1950. A princípio, dois locais na Avenida 7 de Setembro, no bairro Centro, foram sondados para receberem a obra do novo estádio baré.


Obra começou, de fato, em 1958. Foto: Acervo Hamilton Salgado

Porém, a pedra fundamental - primeiro ato cerimonial de uma construção, com a colocação do primeiro bloco - só foi mesmo lançada no local da atual Arena da Amazônia Vivaldo Lima, ou local do antigo Vivaldão. Depois de ficar anos parada, a construção retornou já no governo de Arthur Cézar Ferreira, em 1964, e foi inaugurada em 1970, no governo de Danilo Areosa. A obra nem estava totalmente concluída, tendo levado mais alguns meses para o término completo.

A nomeação do estádio, contudo, foi uma justa homenagem a uma das principais figuras do esporte no Amazonas: o médico, professor e político Vivaldo Palma Lima. O ato foi decidido no lançamento da pedra fundamental, em 1958. Já o conjunto da obra, o projeto de Serveriano Porto, arquiteto contratado por Arthur Cézar, ganhou o Prêmio Nacional de Arquitetura, em 1966, naquele que seria o maior e mais bonito estádio da região.

A inauguração goleadora

Hoje, especialmente, é impossível imaginar um jogo nesta tarde de domingo. Afinal, estamos em meio a uma pandemia global de novo coronavírus e todos os campeonatos foram paralisados para evitar a disseminação da Covid-19. Mas no domingo de 5 de abril de 1970 foi dia de abrir oficialmente o Colosso do Norte. E não foi somente um jogo, mas sim dois, entre Seleção Brasileira A e B e Seleção Amazonense A e B - ambos foram em 4 a 1. 

E o autor do primeiro gol do estádio foi ninguém mais ninguém menos do que Dadá Maravilha, o ‘Beija-flor’. No primeiro jogo da festa de inauguração, o Brasil B goleou o Amazonas B, com Dadá marcando todos os quatro gols. Para recordar aquele momento, o CRAQUE entrou em contato com o goleador, um dos principais nomes da história do futebol brasileiro, que lembrou com carinho do povo amazonense.


Dadá Maravilha marcou os quatro gols da vitória do Brasil B sobre o Amazonas B por 4 a 1. Foto: Reprodução/Trivela

“Para fazer gol, Dadá é Dadá. Nada se compara a Dadá. Dei muita sorte jogando naquele dia em Manaus. E o time da Seleção do Amazonas era muito bom. Depois daquela inauguração, ainda voltei a jogar aí no Nacional e fiz muitos gols no Rio Negro, maior rival. Eu falava que ia fazer, e fazia mesmo”, brincou o atacante, que seria campeão da Copa de 1970 meses depois, no México, junto com parte da delegação que esteve em Manaus.

Pelo Leão da Vila Municipal, Dadá Maravilha conquistou o Campeonato Amazonense em 1984, marcando 14 gols, aos 34 anos de idade. “Eu adoro peixe, então aí meu negócio era comer peixe. Os jogadores faziam sempre uma peixada e eu, que não sabia fazer, só entrava com a barriga”, brincou Dadá, que mandou recado aos torcedores. “Avise que Dadá gosta muito da comida e do cidade. Tenho uma história muito boa em Manaus e é uma honra falar com esse povo”, completou o craque.

O começo do fim

Nos quase 40 anos de vida, o Vivaldão recebeu grandes jogos, tanto com presença de clubes internacionais e Seleção Brasileira quanto em jogos de clubes amazonenses. A partida de maior público, por exemplo, aconteceu em março de 1980, quando um New York Cosmos recheado de craques enfrentou o Fast, diante de estimados 80 mil torcedores. A superlotação indicava a necessidade de uma revitalização, que veio em 1995.

Na reabertura, mais um amistoso da Seleção Brasileira, que já voltara à capital amazonense tetracampeã do mundo. Naquela noite chuvosa de 20 de dezembro de 1995, Sávio, Túlio e companhia venceram a Colômbia por 3 a 1. O Brasil voltaria a jogar em Manaus em 2003, já pelas Eliminatórias da Copa de 2006, quando derrotou o Equador po 1 a 0 com gol de Ronaldinho Gaúcho. O último jogo da ‘Canarinho’ era um prenúncio do adeus que viria mais tarde.


Arena foi inaugurada em 2014 para sediar partidas da Copa do Mundo do Brasil. Foto: Reprodução

Em 2009, Manaus foi escolhida com uma das sedes da Copa do Mundo do Brasil de 2014. Não havia outro caminho. Para construir uma arena mais moderna, que atendesse as normas e o padrão Fifa, o Colosso do Norte, o saudoso Vivaldão, foi demolido para que a Arena da Amazônia Vivaldo Lima fosse construída. Com pouco tempo de vida, as glórias do novo palco do futebol baré acalma os que sentem saudade do bom e velho Vivaldo Lima.

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Repórter do Craque
Jornalista em formação na Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e repórter do caderno de esportes Craque, de A Crítica. Manauara fã da informação e que procura aproximar o leitor de histórias – do futebol ao badminton.

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