Publicidade
Esportes
Craque

Primeiro nome confirmado a conduzir a tocha olímpica, Nalbert fala da sensação: ‘É como ganhar uma medalha’

Ex-capitão da Seleção masculina de vôlei e medalha de ouro nas Olímpiadas 2004, Nalbert será o primeiro a conduzir a tocha olímpica no Brasil 27/08/2015 às 18:57
Show 1
Nalbert é o primeiro nome confirmado a conduzir a tocha no Brasil
Anderson Silva Manaus (AM)

Um dos principais responsáveis pela conquista do ouro olímpico em 2004 nas Olimpíadas de Atenas pela seleção masculina de vôlei, o primeiro jogador da história do voleibol mundial a ganhar títulos mundiais em três categorias diferentes (infanto-juvenil, juvenil, adulto) e participante das Olimpíadas (Atlanta, Sydney e Atenas), Nalbert não poderia ficar de fora dos jogos Olímpicos no Brasil.

E não vai mesmo! O ex-capitão da seleção - que tem chegada prevista para esta sexta-feira (28), em Manaus - ganhou uma missão importantíssima nas Olimpíadas 2016: Ser o primeiro a conduzir a tocha olímpica pelo “País do esporte”. “A sensação é como se fosse ganhar uma medalha”, diz ele.

Longe das quadras desde a aposentadoria em 2010, Nalbert ainda vai sentir o gosto olímpico - pra poucos - de experimentar uma Olimpíada no “quintal de casa”, ao ser escolhido pela Coca-Cola - patrocinadora oficial dos Jogos de 2016 - para carregar a tocha.

Em conversa exclusiva com o CRAQUE, no Rio de Janeiro, o medalhista olímpico falou da expectativa de ser o primeiro brasileiro a conduzir a tocha, o favoritismo das seleções masculina e feminina e os jogos em Manaus.

Como foi a emoção de ser o primeiro nome confirmado a conduzir a tocha?

Tenho minha medalha de ouro como atleta, mas acho que a medalha de ouro a partir de agora é conduzir a tocha. Agradeço demais a Coca-Cola por essa oportunidade. E não há oportunidade melhor pra gente divulgar os valores olímpicos, pra gente se tornar um País realmente melhor para uma juventude que pratique mais esportes. É uma grande oportunidade que todos nós temos agora. A sensação é como se fosse ganhar uma medalha.

Existe algum lamento em não jogar mais sendo que a Olimpíada dessa vez será no Brasil?

Já deu. Acho que a história foi bem escrita, tudo aconteceu da melhor maneira. Lógico que uma Olimpíada em casa, é especial e desejo a melhor sorte do mundo para todos os atletas brasileiros que vão ter esse privilégio, e que eles aproveitem cada segundo.

Qual a perspectiva para os jogos no Brasil?

Não tenho a mínima dúvida de que serão grandes jogos olímpicos. Acho que o Brasil está precisando de um evento como esse, um evento que une, um evento que inspira a juventude. A Olimpíada significa a integração de pessoas, significa paz, significa harmonia, significa competição, sim. Todos os países estão participando com o melhor que podem ter em relação aos atletas, mas as medalhas não dizem tanto assim em relação aos valores dos Jogos Olímpicos. A integração e tudo que a gente pode reverter em prol da nossa sociedade para os Jogos Olímpicos estarem aqui é mais importante.

A delegação brasileira foi bem no nos Jogos Pan-americano de Toronto?

Foi um grande evento. Foi o maior aquecimento pra Olimpíada. Acho que o Brasil foi muito bem. A nossa delegação cumpriu a meta que era chegar em terceiro lugar, o Brasil está evoluindo nessa competição, o que dá uma grande perspectiva, uma grande esperança de que nas Olimpíadas do ano que vem teremos os melhores resultados da história.

O torcedor pode ter boas expectativas com as seleções masculina e feminina de vôlei para as Olimpíadas?

A expectativa é a melhor possível. O importante é brigar por medalhas. Temos todas as condições de brigar por medalhas, seja no vôlei de quadra como no vôlei de praia. São seis medalhas em disputa, sempre lembrando que o vôlei de praia são duas duplas por cada modalidade, masculino e feminino. Logicamente que vai ter a pressão de jogar em casa, o voleibol se tornou um esporte tão habituado a conquistar grandes resultados, a conquistar medalhas que todo mundo cria uma expectativa de ouro, mas toda essa pressão tem que ser revertida a nosso favor. A torcida tem que ser o sétimo jogador, todo esse ambiente criado ao redor das Olimpíadas tem que ter um diferencial para os atletas brasileiros.

O favoritismo pode atrapalhar?

Acho que o Brasil não vai chegar favoritíssimo, o que pode ser bom. Já chegamos em outras competições como favoritos e acabou pesando muito. Acho que chegar em uma Olimpíadas, entre aspas, correndo por fora, seria bastante interessante.

Os últimos resultados, como a prata no Pan e a quarta colocação na Liga Mundial, lhe preocupam?

Tem preocupado um pouquinho, sim. Confesso que esperava um pouco mais, principalmente aqui na Liga Mundial e conseguiu chegar entre os quatro primeiros, mas temos um ano pela frente, muita coisa a ser corrigida, no vôlei masculino principalmente existe um equilíbrio muito grande. Certamente as Olimpíadas serão decididas nos detalhes, e a gente espera que esses detalhes a favor do Brasil sejam construídos nesse próximo ano. O time tem que descobrir uma maneira de ganhar, uma maneira de evoluir e jogar no Maracanãzinho, templo do voleibol brasileiro, tem que ser um diferencial para o Brasil.

Estamos bem representados com os garotos que conquistaram a prata no Pan?

Os garotos do vôlei estão em um bom caminho, lembrando que a seleção masculina não foi com força total, tinha ainda a Liga Mundial. Eu tenho muita esperança que todos os esportes, em especial o meu voleibol, possam fazer um grande papel aqui.

O Brasil tem acertado nessa renovação?

Acho que por algum momento perdemos um pouco da nossa essência de ter jogadores não tão altos, mas jogadores mais habilidosos, mais técnicos. Acho que isso está sendo revisto, é muito importante que seja revisto, porque o Brasil tem que jogar como o Brasil e não como Rússia. A Rússia tem a escola deles, a nossa escola é muito diferente da deles. É uma escola mais completa, é uma escola mais habilidosa e por algum momento a gente priorizou a altura e deixou de lado a habilidade e outras valências que foram importantes para nós.

Estamos servidos de bons jogadores?

A gente tem algumas posições que infelizmente somos carentes. A posição de ponteiro e passador que sempre tivemos os melhores e hoje em dia falta a quantidade, um pouco mais de volume, mas não tem ninguém imbatível ou melhor de que alguém.

Vamos ver um equilíbrio dos adversários em 2016, tanto no masculino quanto no feminino?

Eu acho que o equilíbrio no masculino é maior, existe um grupo de seleções que podem tranquilamente ser medalhas de ouro, ou quinto e sexto lugar, seis, sete times que podem tranquilamente ganhar uma Olimpíada... Lembramos a Rússia, atual campeã olímpica, que ganhou tudo nos últimos anos, nem na fase final chegou. Fez uma campanha da Liga Mundial péssima, ganhou um jogo só de 12. Então, a gente vê como o nível está alto.

E quanto a seleção feminina?

No feminino eu já vejo uma situação diferente. Existe uma gama menor, mas tem os Estados Unidos à frente. A seleção americana ganhou Pan-americano, ganhou o Grand Prix agora, ganhou o campeonato mundial no ano passado. Se as Olimpíadas fossem amanhã... Até a declaração do Zé Roberto foi essa. “Se as Olimpíadas fossem amanhã certamente o ouro iria para os Estados Unidos”. Mas em Londres em 2012, foi assim também, as americanas chegaram favoritas e quem levou o ouro foi o Brasil. Tenho certeza que surpresas virão e o Zé Roberto sabe conduzir como ninguém uma campanha como essa.

O que falar de Zé Roberto e Bernardinho?

São duas lendas, são dois dos melhores técnicos de esportes coletivos de todos os tempos. Eles têm muita experiência, um (Zé Roberto) é tricampeão olímpico, o outro (Bernardinho) tem seis medalhas olímpicas, cinco como técnico e uma como atleta. Eles são mais que credenciados, superexperientes e sabem exatamente o que deve ser feito neste ano de preparação e durante os jogos. É sempre muito importante a gente lembrar disso. Entrando até no espírito de vila olímpica, de Olimpíadas, da competição. Muitas vezes é preciso tomar cuidado, tem que saber como conduzir aqueles 17 dias de Jogos Olímpicos. Já vi muitos atletas, muitos times, se perderem naqueles 17 dias e jogaram fora a preparação de quatro anos. Isso, no vôlei, pode ter certeza de que não vai acontecer.

Os escândalos na CBV e a relação ruim com a Federação Internacional podem prejudicar o sucesso do vôlei brasileiro?

Ficou bem claro que foram pessoas, não foi à comunidade do voleibol que fez nada de errado. Muito pelo contrário. Toda a comunidade do voleibol ficou revoltada, se sentiu traída, foram pessoas que utilizaram o voleibol em benefício próprio e isso foi corrigido e colocado em seus devidos lugares e tenho certeza que o voleibol vai continuar com esse processo de desenvolvimento de três décadas de vitórias que se tornou um caso do esporte brasileiro e vai continuar essa trajetória de sucesso. Hoje o nosso vôlei voltou a ter uma gestão comprometida. A crise ficou pra trás.

O alto investimento aplicado nas Olimpíadas por parte das empresas preocupa para o futuro do esporte?

O sistema esportivo brasileiro tem muita coisa a ser vista, estudado e melhorado, mas a Olimpíada está aí e a gente tem que aproveitar da melhor maneira. O caminho é esse: esporte e educação, e não dá para gente ficar só dependendo das políticas que vem lá de cima, do governo.  É sempre bom estimular que os jovens pratiquem esportes. Tem que ser nossa mentalidade daqui em diante.

E quanto as Olimpíadas em Manaus?

Manaus é parte integrante disso tudo. Sediou uma Copa com qualidade e teremos uma Olimpíada com muita qualidade.

Publicidade
Publicidade