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Problemas locais estariam resolvidos com a Arena da Amazônia?

A inauguração cada vez mais perto do estádio multiuso dá sinais de que problemas como superlotação e falta de local para sediar grandes eventos estariam chegando ao fim em Manaus. Saiba a que preço vem esta "solução" 28/08/2013 às 17:36
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Arena da Amazônia conta com 77% de suas obras completas e está prevista para inaugurar em dezembro, com o primeiro jogo em janeiro
Bruno Strahm Manaus (AM)

Os problemas da superlotação na partida entre Nacional e Vasco da Gama, ocorrida na última terça-feira (20) no estádio Roberto Simonsen (Sesi) válida pelas oitavas de final da Copa do Brasil, trouxe à tona uma preocupação cada vez maior: devido à proximidade da inauguração da Arena da Amazônia, casos como esse podem voltar a acontecer? A resposta que segue é “provavelmente não”. Com pouco mais de 44 mil lugares, o estádio multiuso promete conforto e segurança aos torcedores. Mas quanto irá custar para ter uma pessoa lá dentro?

Matemática básica: é só levarmos em conta o valor atual da obra e dividirmos este número pela capacidade total de assentos da arena em construção para a Copa do Mundo da FIFA em 2014.

Ao custo total de R$ 605 milhões, já contando com os mais recentes aditivos, cada um dos 44.334 lugares sai ao preço de, aproximadamente, R$ 13,7 mil. É um valor que o Governo do Estado pretende quitar rapidamente, com os planos de levar shows e convenções, além de partidas de futebol, ao local.


Os 44 mil lugares da Arena estão divididos em arquibancada inferior, com 21.229 lugares; arquibancada superior, com 21.789 lugares; e camarotes, com 1.316 lugares.

Com 77% das obras completas atualmente, a estimativa, segundo a Unidade Gestora do Projeto Copa (UGP Copa), é que a obra esteja concluída em dezembro deste ano, com o primeiro jogo-teste - divulgado recentemente como o clássico amazonense entre Nacional e Rio Negro, ambos centenários em 2013 -, marcado para 15 de janeiro, com capacidade para 10 mil pessoas.

Depois, outros dois jogos testarão a Arena, com capacidade para 20 mil e 30 mil, respectivamente. Depois de pronto, a manutenção do estádio deve custar cerca de R$ 6 milhões por ano, ou R$ 500 mil ao mês.

“Após a Copa do Mundo, a Arena da Amazônia será um espaço multifuncional e poderá receber grandes eventos locais como, por exemplo, shows, apresentações culturais, mostras, exposições, conferências e mais”, afirma a UGP Copa. “Ao lado da Arena ficará o novo Centro de Convenções do Amazonas, dando maior visibilidade para o espaço e oportunizando o uso compartilhado em congressos e convenções”, acrescenta.

A administração da área fica a cargo do Governo do Estado, que estuda, junto com a Secretaria Estadual de Planejamento (Seplan), o modelo ideal de operação. A Arena ficará sob responsabilidade da Secretaria Estadual de Esporte, Lazer e Juventude (Sejel) e Fundação Vila Olímpica, informou o órgão.

Público Amazonense

Todos estes números contrastam com a história recente do futebol local. Ao longo do Campeonato Amazonense 2013, foram vendidos 45.448 mil ingressos para 59 jogos, gerando R$ 283.599 mil de renda aos dez clubes participantes, somando os dois turnos da competição, com uma média de 804,2 torcedores por partida.

Para se ter ideia, a final do estadual deste ano, disputado no município de Manacapuru entre Princesa do Solimões e Nacional, teve renda de R$ 54 mil com 8,5 mil torcedores que foram  ao estádio Gilberto Mestrinho, o “Gilbertão”.

Foi justamente o Princesa do Solimões, campeão estadual, que teve a melhor média de público e renda do campeonato: o Tubarão somou R$ 36 mil no primeiro turno e R$ 47 mil no segundo turno.

Rio Negro e Nacional, que fazem a partida de estreia da nova Arena da Amazônia, tiveram renda de R$ 16 mil e R$ 76 mil no campeonato amazonense de 2013, respectivamente.

Se a final do campeonato amazonense de 2013 tivesse sido disputada na Arena da Amazônia, restariam 98,17% de assentos vazios. Mas, claro, não dá para fazer uma comparação exata levando em conta as estruturas atuais e a que a Arena disponibilizará.

O estádio Vivaldo Lima, por sua vez, quando ainda estava em funcionamento teve oficialmente como maior público pagante em suas dependências 56.950 torcedores, em um amistoso internacional entre Fast Clube e o New York Cosmos, em 1980.

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