Terça-feira, 26 de Maio de 2020
Crise no esporte

Academia Atala anuncia fechamento; professores de artes marciais comentam crise

Apesar do alvoroço causado por decreto presidencial a respeito de retomada das atividades, a ‘permissão’ para o retorno do funcionamento dos estabelecimentos ainda precisa passar pelo âmbito do Governo Estadual



x_lg_WhatsApp_Image_2017-05-12_at_16.22.40_11534246-E6ED-4DE1-8F21-6A85FF80CE32.jpeg Foto: Divulgação/Companhia Atala
14/05/2020 às 09:10

No início da semana, o presidente Jair Bolsonaro publicou decreto em edição extra do Diário Oficial da União, que incluiu como atividades essenciais durante a pandemia do Coronavírus (Covid-19): academias de esporte, salões de beleza e barbearias. Apesar do alvoroço causado, a ‘permissão’ para o retorno do funcionamento dos estabelecimentos ainda precisa passar pelo âmbito do Governo Estadual - que decidiu manter tais serviços suspensos até o dia 31 deste mês. Aos amantes das artes marciais, o decreto dá a esperança de breve retomada do que significa lazer para alguns e trabalho para outros.

O CRAQUE conversou ontem (13), com o mestre Márcio Pontes - responsável por lapidar e revelar José Aldo -, líder da academia Márcio Pontes Brazilian Jiu-jítsu (MPBJJ) sobre o entrave estado/república, assim como as medidas que seriam adotadas em caso de reabertura. Além dele, Waleska Castro - da academia GFTeam Norte Fight -, referência no jiu-jítsu feminino nacional, também deu sua opinião acerca do tema. 



“Conversei com vários professores, pensando numa solução para esse problema. Cheguei a entrar em contato com o governador a respeito. A proposta é diminuir o número de alunos por horário, no máximo seis pessoas, com um tempo limitado. Exigindo sempre todo o cuidado, disponibilizando álcool em gel e fiscalizando a higiene dos equipamentos”, destacou Márcio, que extrai sua renda exclusivamente do seu centro de treinamento. 

O renomado professor revela que devido ao custos da academia, precisou da ajuda de alguns alunos, que se comprometeram em ajudar, mantendo o pagamento de mensalidade - mesmo sem sessões de treino. 

“Tinha minhas reservas mas já estão esgotando, como vou conseguir pagar o aluguel da academia? A manutenção do lugar? Até no quesito pessoal, pra minha família. Não está fácil. Recebi apoio de amigos que continuaram pagando o programa mensal, mas já será mais difícil nos próximos dias”, disse em desabafo.

Ele defende que, as artes marciais se encaixam além do benefício físico, mas também na saúde mental - tema que tem sido bastante discutido devido ao isolamento social - e ressalta outras regiões que já permitem a reabertura de academias. 

“As pessoas buscam a luta para desestressar, é uma forma de terapia, temos alunos que trabalham o dia todo e na academia se sentem melhor. Em meio a tudo isso, fortalecer o psicológico bem é muito importante”, concluiu o mestre. 

A professora Waleska Castro, também comenta sobre novas medidas de segurança, quando a reabertura for autorizada pelo governo estadual. Ela ressalta que o padrão rígido é o melhor a ser adotado neste momento. 

“Vamos exigir extrema higiene nos kimonos, nenhum aluno com sintoma de gripe será aceito. Um desses cuidados, também inclui a vacina de H1N1 obrigatória. Já estamos dando todos os avisos nas redes sociais da academia. O Covid-19 é invisível, mas existe. Estamos no aguardo do governador para anunciarmos uma data concreta de retorno”, afirmou a faixa roxa da GFTeam Norte Fight - que tem como mestre o faixa-preta Robert Castro. 

Academia Atala

Exemplificando os tempos difíceis por quais os centros de treinamento passam, ontem (13), a Academia Atala - um dos estabelecimentos mais tradicionais de Manaus -,  comunicou através de suas redes sociais que não suportou o ‘baque’ sofrido pela paralisação de suas atividades comerciais em razão da pandemia. 

“Percebemos que todo grande sonho um dia chega ao final, e hoje declaramos oficialmente que a Companhia Atala não conseguirá reabrir suas portas devido ao grande custo operacional, encerrando assim suas atividades comerciais”, publicou Natacha Atala, diretora do empreendimento. 

Confira a nota postada na íntegra:

 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Comunicado Aos clientes, amigos e colaboradores, Por mais de 3 décadas, exatos 32 anos completados agora em março, iniciamos um projeto, a realização de um sonho. Foram anos e anos cuidando dessa semente, através de muito trabalho, esforço e dedicação, para oferecer aos nossos clientes o melhor espaço, o melhor atendimento e o melhor conceito de saúde física e mental. Sempre com ética, honestidade, sem precisar passar por cima de ninguém. Somos eternamente gratos por nos confiarem sua vidas e a de seus filhos. Sem vocês não teríamos tido o brilho e o sucesso conquistados. Porém, contra todas as dificuldades dessa crise brasileira que já dura 5 anos, conseguimos sempre de forma incansável e arrojada dar o nosso melhor e prestar o melhor serviço possível, assim sendo, contribuindo para mudar essa realidade. Mas a vida é cheia de surpresas e nos trouxe o corona vírus, fomos obrigados a fechar por tempo indeterminado através de decreto governamental, com isso nossos clientes cancelaram seus pacotes de atividades em massa. Diante do exposto, percebemos que todo grande sonho um dia chega ao final, e hoje declaramos oficialmente que a Companhia Atala não conseguirá reabrir suas portas devido ao grande custo operacional, encerrando assim suas atividades comerciais. A todos que acreditaram no nosso sonho, nosso trabalho, nossas mais sinceras desculpas. Obrigada por fazerem parte da família Atala. Familia Atala

Uma publicação compartilhada por Companhia Atala (@companhiaatala) em

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