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Programa Bolsa Atleta municipal deixa de fora nomes promissores do esporte amazonense

Em apenas um ano, O Bolsa Atleta sofreu redução de 71% e deixou de fora nomes importantes como Isabele Nobre, Jessica Santos, Rafaela Barbosa e Rita de Cassia 14/09/2015 às 08:22
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Rafaela Barbosa, Jessica Santos e Rita de Cássia foram excluídas do Bolsa Atleta
Anderson Silva Manaus (AM)

A menos de um ano para os jogos Olímpicos no Brasil - em que Manaus vai sediar seis jogos do torneio de futebol – o esporte olímpico local sofreu um duro golpe com a redução de 71% dos beneficiários do Bolsa Atleta, programa de auxílio a esportistas de alto rendimento.

 Até o final do ano passado, o programa contemplava 56 atletas e paratletas, que recebiam o recurso via Secretaria Municipal de Juventude, Esporte Lazer (Semjel). Neste ano, apenas 16 competidores foram contemplados, conforme publicação no Diário Oficial de Manaus, na última terça-feira (9).

O principal motivo que “limou” o número de atletas beneficiados e pode até encerrar carreiras é a inclusão do decreto de n° 3.159, publicado no dia 18 de agosto, que altera a lei municipal que rege o Bolsa Atleta. A nova ordem define que os beneficiários, além de disputarem as competições internacionais com as seleções brasileiras das respectivas modalidades estejam entre os cinco melhores do ranking.

Uma das atletas que deixou de receber o benefício foi a nadadora Isabele Nobre, 19, prata e bronze com seleção brasileira na Copa Pacífico de Natação. Cansada da falta de estrutura em Manaus, a nadadora considerada o futuro da modalidade no Estado, resolveu se mudar de “mala e cuia” para São Paulo.


“Eles deveriam dar mais valor. Cobram muito de nós, mas não dão uma estrutura descente e assim o tempo vai passando. As outras regiões vão evoluindo e o Amazonas continua ali, só com um ou outro atleta, ao invés de terem máquinas de atletas”, criticou a atleta, prevendo as dificuldades com o fim  do auxílio. “Ser atleta hoje é muito difícil, o custo é muito alto. Se manter no topo, entre os melhores, sem a bolsa vai ser quase impossível. Eu treino aqui em São Paulo, mas represento o Amazonas e tive que sair (do Estado) para treinar como nunca na vida”, lamentou a atleta, que desde fevereiro treina no clube Apan, em Presidente Prudente.

Quem também está fora da lista – por incrível que pareça – é a atleta da seleção brasileira de judô, Rafael Barbosa, que chegou a vencer seletiva para a seleção olímpica.

“Já levei todos os documentos e não aceitaram. É uma total falta de vergonha, respeito e consideração. Passamos anos treinando, representando nosso Estado sempre acreditando que é possível chegar às Olimpíadas. Sou a única do da região Norte do Brasil que pode ir para uma Olimpíada e na primeira oportunidade eles (Prefeitura) nos prejudicam”, disse a atleta profundamente frustrada, acrescentando que o pai dela quando foi conversar gestores da Semjel foi surpreendido com o desconhecimento dos atletas locais.

“Meu pai foi lá na Semjel na quarta-feira passada. Uma pessoa, que não vou citar nome, disse a ele que em Manaus não existem atletas de seleção. É uma grande insensibilidade. Eles não têm conhecimento nenhum do que é o esporte no Amazonas”, criticou.


Na esperança de conseguir a bolsa está à colega de Rafaela, a judoca Rita de Cássia, 19, que participa de um treinamento internacional com a seleção de judô no Japão espera voltar e resolver a situação.

“Chego no dia 18 (em Manaus) e espero resolver essa situação. Já pedi os documentos da Confederação Brasileira de Judô, que estão aqui no treinamento e vou tentar fazer com que eles falem com o secretário”, disse a atleta por telefone.

Quem também completa a lista dos excluídos é a triatleta Jessica Santos, 28. Antes de embarcar para Chicago, nos Estados Unidos, ontem, onde mais uma vez vai representar o Amazonas, a atleta conversou com o CRAQUE.

Completamente desmotivada e desanimada, a atleta que possui nada menos que um bicampeonato Mundial de Aquatlon, hexa brasileiro e sul-americano, além de uma Copa Brasil de Sprint Triatlo e o primeiro lugar no Campeonato Brasileiro de Triatlo de Longa Distância em 2010 e terceira colocada do ironman 70.3 Miami, pensa até mesmo desistir da carreira.


“Meu pai me ajuda e nessa viagem eu ainda me programei para pagar menos. E não tem como mais eu ficar participando das competições. Só nessa viagem foram gastos seis mil (reais). Estou pensando em procurar um emprego normal. Eu não posso mais prejudicar meu pai que tira dinheiro da nossa família”, revelou a triatleta, que vai para a disputa sem um tênis novo.

“Estou adiando há meses a compra de um tênis para as provas e ainda não comprei porque não tive dinheiro. Com esse dinheiro do Bolsa Atleta, também poderia investir na minha saúde”, lamentou oitava no ranking nacional.

Deputada entra com ação no MP

A deputada estadual Alessandra Campêlo (PCdoB) ingressou na última quinta-feira (10), com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) no Ministério Público contra a Prefeitura de Manaus, com objetivo de assegurar os direitos dos beneficiários excluídos do programa Bolsa-Atleta Municipal. A parlamentar considera uma manobra a mudança nas regras do programa de auxílio aos atletas e paratletas de alto rendimento no Estado.

Secretário Explica


Alvo principal das críticas e lamentações dos atletas de alto rendimento, o titular da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte Lazer, Sildomar Abtibol, que assumiu a pasta no mês de maio, e reformulou o Bolsa Atleta, afirmou que os critérios anteriores possibilitavam beneficiar quem não estava na seleção brasileira de suas modalidades.

“Muitos são apenas convidados e participam da competição e não convocados pelas confederações. Só queremos que seja comprovada a convocação com documentos. Eles têm um prazo de 30 dias. O próprio pai da Rafaela (Barbosa, professor Antonio Barbosa) vem aqui e diz que ele paga a passagem. Se um atleta é convocado da seleção, a própria seleção paga tudo. Não quero prejudicar ninguém, pelo contrário, só peço os documentos necessários para a liberação da Bolsa”, afirmou o gestor.

O CRAQUE entrou em contato com a Confederação Brasileira de Judô (CBJ) para falar especificamente sobre o caso da judoca Rafaela Barbosa, atleta que ficou fora do programa, porque, segundo a secretaria, o nome dela não constava no site da CBJ.  A entidade respondeu. “A Rafaela é atleta da equipe principal da Seleção Brasileira de Judô. Foi convocada para o Aberto no Chile e participou das seletivas olímpicas. Ela está à disposição da CBJ”, afirmou a assessoria de imprensa da entidade.

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