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Esportes
CAMINHO SUAVE

Projeto de inclusão social ensina jiu-jitsu a jovens muito especiais em Manaus

Parceria entre o Abrigo Moacyr Alves e a academia Nova União tem dado nova perspectiva de vida a alunos especiais com Síndrome de Down e paralisia cerebral 26/08/2018 às 14:43
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Garotos especiais têm evoluído convívio pessoal e a forma física com o projeto (Foto: Antonio Lima)
Denir Simplício Manaus (AM)

O caminho da inclusão social passa pela "Arte Suave" em um projeto pra lá de especial no bairro Alvorada 1, na Zona Centro-Oeste de Manaus. Há dois anos, o Projeto Social de Jiu-Jitsu Abrigo Moacyr Alves/Nova União tem transformado a vida de crianças especiais, que encontraram nos tatames mais uma razão para sorrir.

Comandado pelo mestre Ottavio Rodrigues, 42, o projeto tem oito alunos portadores de Síndrome de Down e paralisia cerebral inseridos entre outros 160 atletas convencionais de Jiu-Jitsu. A comunhão tem dado muito certo, principalmente para os garotos do Abrigo Moacyr Alves, que têm evoluído nas relações interpessoais e até fisicamente.

“A vinda para o projeto melhorou muito a auto-estima deles em termos de confiança e coordenação motora. Muitos deles, através do Jiu-Jitsu, melhoraram muito nesse relacionamento de interação social junto com a comunidade e a comunidade e junto com eles. E isso foi o mais importante”, comenta mestre Ottavio.


Com Síndrome de Down, Felipe foi o primeiro aluno especial do projeto (Foto: Antonio Lima)

Alunos especiais como Felipe, 17, João Victor, 18, e Junilson, 19, foram alguns que ganharam qualidade de vida com a prática do Jiu-Jitsu no Abrigo. E a coisa está ficando séria. Junilson já é faixa azul e até disputa torneios na cidade. Antes disperso e solitário, Junilson se transformou num dos melhores alunos do projeto.

“O Felipe foi o primeiro aluno especial, ele tem Síndrome de Down. Depois veio Junilson, ele só vivia na cadeira de rodas ali sentado, meio triste, estava até meio fortinho (fora de forma), e o convidei pra treinar. Ele veio, emagreceu, ficou mais confiante e agora ele é o ‘mais pra frente dos alunos”, brinca o professor revelando que não apenas a vida dos alunos especiais mudou, mas a dele também.

“Acrescentou muito na minha vida profissional, assim como na minha vida pessoal também. A gente aprende muitos com eles, você muda muito o modo de pensar as coisas, começa a dar valor a vida porque muitas vezes a gente só reclama, e qui dentro a gente olha e vê todos eles felizes. São deficientes, são especiais, mas são felizes”, disse.


Junilson já disputa torneios locais e já é faixa azul de Jiu-Jitsu (Foto: Antonio Lima)

Preso a uma cadeira de rodas, João Vitor “ganha asas” ao entrar no tatame. Assim como seus demais colegas do Abrigo, ele vê no Jiu-Jitsu uma forma de libertação. É dele o relato mais emocionante.

“O Jiu-Jitsu ajuda muito a gente e eu agradeço a vinda do Jiu-Jitsu pra cá. É muito importante pra mim. Na verdade, meu sonho é continuar treinando Jiu-Jitsu. Mas acho que já realizei meu sonho, que é estar no tatame”, disse João Vitor com um enorme sorriso no rosto.

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