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Esportes
Inclusão

Projeto oferece aulas gratuitas de tiro com arco para pessoas com deficiência

De acordo com o professor Aníbal Forte, o trabalho é lento, porém, os resultados são animadores 22/11/2016 às 12:09
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Turma ainda é pequena, mas já mostra alguns resultados em apenas quatro meses de aulas. Projeto acontece nas dependências da Universidade Federal do Amazonas (Foto: Jander Robson/Free Lancer)
Dani Brito

Um esporte que exige concentração, equilíbrio e precisão aprimorada tem mudado a vida de algumas pessoas com deficiência aqui em Manaus. Há quatro meses, o Programa de Atividades Motoras para Deficientes (Proamde) inseriu no quadro de atividades o Tiro com Arco. As aulas são realizadas na Universidade Federal do Amazonas (Ufam).

Atualmente, cinco pessoas são frequentadoras assíduas das aulas. De acordo com o professor Aníbal Forte, o trabalho é lento, porém, os resultados são animadores. “Esse é trabalho é mais voltado para o social. Esses rapazes depois que começam a praticar o tiro percebem uma mudança relevante na vida deles”, destacou o professor, ressaltando que as atividades funcionam também como terapia. Todos os participantes sofreram acidentes das mais diversas formas e tiveram como consequência lesões medulares muito altas.

No programa, todos são iniciantes. Devido a isso, a distância do atleta do alvo é menor do que a oficial. “Enquanto a distância normal é 70 metros, aqui trabalhamos com 10 metros”, ressaltou o professor Aníbal.

Um dos alunos mais antigos é Marley Anselmo Elias Bob, de 38 anos. Há 10 anos, ele sofreu acidente de trabalho e desde então, iniciou um processo de reabilitação e adaptação a nova condição. “Cai de uma altura de mais ou menos três metros, tive perda dos movimentos completa, inclusive, no início nem falar eu conseguia. Depois dos treinos percebi muita mudança na minha vida”, lembrou.

Outro participante é Agnaldo Soares da Penha, 50. Segundo ele, as aulas vêm ajudando a melhorar a postura e o fortalecimento muscular. “Lembro que quando eu era criança, via desenhos com índios atirando e fica imaginando se um dia eu teria a oportunidade. Estar aqui é também a realização de um sonho”, destacou o atirador que sofreu um acidente de trânsito há 13 anos.

Um aluno que chegou depois dessa rapaziada é Antônio Gilson Alencar, de 31 anos. Ele sofreu um acidente de trabalho há cerca de um ano e está no tiro há dois meses. Segundo ele, as atividades no início eram só de alongamento. Contudo, agora já se arrisca a atirar junto com os companheiros. “A primeira coisa que aprendi aqui foi a ter postura na cadeira. Mas tudo isso aqui é apenas o começo, quero evoluir ainda mais”, ressaltou.

Outro novato na turma é Luiz Garcia de Souza, 46. Ele faz as atividades há dois meses e vê os resultados dos esforços em cada aula. “O esporte me chamou atenção principalmente porque antes eu achava que só poderia ser praticado por pessoas sem problemas. Eu já participava de outras atividades, porém, quando me falaram que estava tendo aulas de tiro aqui, resolvi vir conhecer e acabei ficando”, disse o praticante que aos pouco vai evoluindo.

Quatro perguntas para: Aníbal Fortes, Treinador de tiro com arco

Esses alunos podem se tronar atletas de alto rendimento?

Com certeza. O foco principal não é a busca por atletas de alto rendimento, contudo, se identificarmos entre esses alunos algum com potencial, iremos investir.

O tiro com arco também pode ser praticado por crianças?

Apesar de aqui só termos adultos, este esporte pode ser feito por qualquer pessoa, de crianças ao idoso. Estamos falando de um exercício que exige equilíbrio e concentração, basta ter paciência e persistência.

Qual o objetivo do projeto?

Aqui o nosso objetivo é melhorar as condições físicas dessa rapaziada e melhorar a qualidade de vida delas. Vejo a cada treino que os alunos se esforçam para dar o máximo e se superarem. Esse é o nosso intuito. Contribuir para que eles se sintam e vivam melhor.

Como surgiu a ideia de trazer o tiro com arco para essas pessoas?

Esse sonho já era antigo. Este ano a Confederação Brasileira de Tiro com Arco fez uma parceria em vários estados do Brasil, entre eles, o Amazonas, e finalmente o esporte pode chegar para ajudar essas pessoas e evoluírem os seus respectivos quadros clínicos.

Serviço

O que: Aulas de Tiro com Arco para deficientes

Quando: Terças e quintas, das 15h às 17h30

Onde: Quadra do Proamde, na Universidade Federal do Amazonas (Ufam)

Quanto: Gratuito

Informação: (92) 98114-4511, Aníbal Fortes

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