Domingo, 26 de Maio de 2019
Craque

Projeto social apresenta os clubes do Amazonas para garotada que sonha fazer carreira no futebol

Para transformar sonho em realidade, projeto "Eagles" cria copinha com clubes menos badalados do futebol local. Responsáveis tiram dinheiro do próprio bolso e driblam até as dificuldades do local que precisa urgentemente de reforma



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Projeto social reúne 160 crianças que sonham em ser jogadores de futebol
10/01/2016 às 14:23

É possível transformar o mundo por meio do esporte? Uma ação desenvolvida no campo do Chapéu de Zinco, no Núcleo 16, Cidade Nova 4, na Zona Norte de Manaus, realizada por um autônomo que retira o salário do próprio bolso para aplicar em um projeto com mais de 160 crianças, leva a crer que a força de vontade e a fé podem ser a resposta para esta questão.

Em busca de ajudar os jovens a um dia se tornarem astros da bola, e até mesmo ficarem longe do mundo das drogas -  em uma das áreas consideradas perigosa-, o projeto social-esportivo Eagles (Águias, em português)  foi criado para que garotada não desista dos próprios sonhos.


Nos dias que em que o  projeto é realizado, às terças e quintas, as crianças estampam felicidade no rosto. Em meio à diversão, muitos sonham com um futuro promissor no futebol (Foto: Antonio Lima)

Para incentivar a garotada, o projeto criou uma competição com os nomes de seis clubes de futebol do Amazonas Cliper, Holanda, Sul América, Tarumã, – até mesmo os inativos – Grêmio Coriense e Libermorro para que os garotos possam sentir o gostinho de vestir a camisa de um clube local.

“Há três anos criamos a copinha que leva o nome dos clubes de futebol aqui de Manaus, até mesmo os esquecidos, Grêmio Coariense e Libermorro. É uma forma de valorizar os times daqui e também dar para as 160 crianças do projeto uma ocupação. Quem sabe um dia eles se tornem jogadores profissionais”, declarou o autônomo, Ederson Cunha, um dos organizadores do projeto e presidente da Liga Desportiva do Bairro.


Times considerados não tradicionais do Amazonas são as principais atrações do evento. Na Copinha, não tem espaço para times de outros Estados. A ideia é gerar um vínculo com o futebol local (Foto: Antonio Lima)

Sonho

Entre as 160 crianças, o jovem Leônidas de Castro não se importa de jogar em um campo de areia. O lugar que deveria ser um campo verde e gramado fica apenas na imaginação. E é pisando na areia que esse  menino de 14 anos alimenta o sonho de se tornar um ídolo no futebol.

“Mesmo assim quero ser um jogador de futebol. O projeto é bom. Eu não fico mais na rua, agora fico mais aqui no campo, no projeto”, orgulha-se Leônidas que joga pelo ‘Cliper’ e há cinco anos participa do projeto.Mas enquanto a fama  não chega, os jovens sonhadores rolam a bola num campo sem  qualidade, arquibancadas destruídas, e sem estrutura adequada à boa prática esportiva.

Sonho de ser Marta


Meninas também sonham alto e têm como inspiração a atleta da Seleção, Marta (Foto: Antonio Lima)

A maior jogadora de todos os tempos e cinco vezes melhor do mundo, Marta, não poderia deixar de ser referência para uma das duas únicas meninas do projeto. 

“Me espelho na Marta. Sonho em ser jogadora igual a ela, e aqui é o início de tudo. Preciso apenas ter mais dedicação”, disse a estudante Kewllenl Larissa, de 12 anos, que se reveza entre a função de goleira e atacante do ‘Tarumã’. A estudante de 12 anos, Ana Luiza,  defende o ‘Grêmio Coariense’, e  aprova o projeto.

“Gosto muito de vim pra cá. Aqui no bairro não tem projetos para meninas. Mas é legal. Estou aproveitando as minhas férias”, disse.

Sonhar em meio às ruínas

Sonhar alto é o principal combustível da meninada. Mas as crianças sabem que até a conclusão do sonho ainda é preciso muita coisa. A principal passa pela reforma do centro esportivo. Abandonado pelo poder público, o local apresenta perigo para as crianças do projeto e até mesmo os adultos.

Alguns jovens até improvisam um jeito para matar a sede. Sem vestiários ou bebedouros fixos, o jeito é tomar água de um cano de um dos chuveiros quebrados (Foto: Antonio Lima)

“Há mais de 20 anos o local não é reformado. É um espaço muito bonito, mas a reforma só fica no papel. Essa estrutura física não tem mais condições”, reclamou Eder.

A principal reivindicação é quanto as arquibancadas do complexo, muitas delas arruínadas e próximo ao campo. Os ferros da grade de proteção apresentam ferrugem e muitos estão retorcidos e soltos, o que pode ocasionar um grave acidente.

“O local pertence e prefeitura. Já entreguei o ofício e já pedi ao secretário Sildomar Abtibol (Secretária Municipal de Esporte e Lazer) a reforma da arquibancada ao menos. Aqui ao lado era pra ter até uma creche que não foi construída. O poder público está fazendo vistas grossas”, afirmou.

O titular da Secretária Municipal de Esporte e Lazer (Semjel), Sildomar Abtibol, declarou que há um estudo para a reforma do local. “Estive no local, reformamos o Chapéu de Zinco, mas o complexo ainda está em estudo”, disse.


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