Publicidade
Esportes
Craque

Projeto social de jiu-jitsu atende mais de 150 pessoas na Zona Oeste de Manaus

Comunitários encontram no ‘Resgatando Vidas’, do bairro da Vila da Prata, na Zona Oeste da cidade, o caminho para a mudança em suas vidas 24/03/2015 às 11:40
Show 1
No projeto, meninos da comunidade podem praticar o jiu-jitsu todos os dias
Vanessa Marques Manaus

O esporte tem sido a ponte para que muitos jovens saiam das drogas e mudem de vida. Muitos desses jovens encontram em projetos sociais, como o Resgatando Vidas, do bairro da Vila da Prata, Zona Oeste, o caminho para essa mudança.

Foi o que aconteceu, com José Carlos Júnior, de 26 anos, que começou a praticar jiu-jitsu aos oito anos, mas aos 13 se tornou usuário de drogas e até os 23 anos se dividiu entre o esporte e a vida no crime. Só quando recebeu incentivo do projeto e do mestre Silvio César, o Bigode, que conseguiu mudar de vida.

Hoje Junior é casado, pai de dois filhos, trabalha como analista de logística e agora divide o tempo entre faculdade, trabalho, família e os treinos no projeto para novos alunos. “Antes eu não conseguia sair das drogas, eu vinha aos treinos, mas não me dedicava, agora eu sou uma nova pessoa e busco ajudar esses meninos a seguirem o caminho do esporte e do bem”, comemora o faixa preta.

Idealizador do Resgatando Vidas, mestre Bigode explicou que o projeto não se restringe somente aos jovens usuários de drogas e ao jiu-jitsu, “As aulas são para todos os jovens que não tem condições para pagar uma academia e para toda a comunidade com aulas de funcional para as mães dos alunos, além de ajuda espiritual e doações de alimentos para os necessitados”, contou.

Ao todo, cerca de 150 pessoas são atendidas pelo Resgatando Vidas que, além de aulas de jiu-jitsu, recebem apoio religioso. Sem nenhum apoio financeiro externo, os professores também ajudam com a realização de rifas para compra de quimonos e no pagamento de inscrições de competições que acontecem na cidade.

“Todos nós fazemos um esforço e procuramos ajudar nossos alunos de alguma forma, seja na compra de material para os treinos ou com cesta básica para aqueles que estão com dificuldades”, conta o professor.

Outro bom exemplo de resgate do projeto aconteceu com a família do barbeiro Cristiano Prata: primeiro os filhos entraram no projeto e depois ele e a esposa. “Eu conheci o mestre Bigode a mais três anos, quando ele começou a dar aulas de jiu-jitsu para os meus filhos, depois que eu percebi que eles estavam mais disciplinados, eu resolvi acompanhar os treinos com minha esposa e acabamos entrando nas aulas também” explicou.

A esposa de Cristiano, a dona de casa Luciana Santos, revelou que após todos da família entrarem no projeto, a convivência em casa melhorou. “Aqui descobrimos que podemos educar melhor nossos filhos, dentro dos princípios do esporte e de Deus, com isso até a saúde de todos melhorou” comemora.


Resgatando Vidas já tem pólos em dois municípios
O projeto Resgatando Vidas tem o apoio da Academia Nova União e de outros mestres do Jiu-jitsu, como mestre Nonato Machado, Jorge Clay e Marco Louro, que acompanham os treinamentos e o rendimento dos alunos em todas as unidades do projeto.

Os treinos acontecem em dois pontos de Manaus sempre a partir das 18h, no bairro Vila da Prata, na rua Deodoro Ferreira, 611. O local é cedido por um dos alunos do projeto, e no bairro João Paulo, localizado na avenida Mirra esquina com a rua Crajiru, nas dependências da igreja IDPB.

O projeto já está acontecendo em outros municípios, como em Manacapuru - sob a coordenação do Mestre Kaio Silva - e Caapiranga, com o Mestre André Souza. No Estado de São Paulo, o projeto ganhou uma nova unidade, através do mestre Frank, amazonense que mora no Sudeste e resolveu ajudar jovens daquele local.

Este ano seis alunos do Resgatando Vidas estão em preparação para o Campeonato Brasileiro de Jiu-Jitsu, que acontece em maio na capital paulista. Os atletas e mestres estão em busca de patrocínio para custear viagem e hospedagem dos competidores.

Publicidade
Publicidade