Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
Rio Negro

Remadas no Rio Negro viram a esperança para um futuro melhor de crianças

Projeto social realizado pela Oela resgata a prática do remo e conta com professor renomado internacionalmente para revelar novos talentos



28/07/2018 às 15:28

Uma lindíssima vista para a ponte sobre o rio Negro e as águas escuras dele ao redor compõem o cenário da Garagem Náutica da Oficina Escola de Lutheria da Amazônia (Oela), ancorada ao 4º Centro de Geoinformação do Exército Brasileiro. É nesse local inspirador que acontecem as aulas de remo do projeto Esporte Educacional e Sustentabilidade, realizado pela Oela com patrocínio da Petrobras. O instrutor da modalidade, Manasseh Barbosa, também inspira as crianças do projeto, por ter contribuído com grandes conquistas no remo amazonense. Hoje sua missão é conquistar mais do que medalhas, ajudando as crianças a vencerem na vida. 

Aprendizados


Manasseh foi técnico de Aílson Silva, vice-campeão de remo no Mundial Sub-23, em 2010, na República Checa. No ano seguinte, nos Estados Unidos, foi a vez do seu atleta Marcos Ibiapina vencer o Campeonato Mundial do Remo Indoor. E após 37 anos como professor de remo, Manasseh afirma que estar hoje no projeto da Oela é mais uma grande experiência na sua vida. 

“O mais legal é você saber que está levando esperança para as crianças, levando oportunidades, e aqui a gente pode educar através do esporte, então, antes das aulas, temos uma conversa com eles sobre várias questões importantes, a violência que impera na cidade, por exemplo, e um deles me disse que as pessoas fazem as coisas erradas porque querem, porque elas sabem o que é certo, e achei muito legal de ouvir isso de uma criança”, disse ele. Entre outros assuntos conversados com as crianças antes de entrarem dentro d’água, estão a sexualidade, tolerância, família, ética, religião, etc. “Durante todo o tempo do projeto, eles aprendem muitas coisas... Sobre como é a vida, além do esporte”, destacou.

Virar ‘peixes’

As crianças do projeto não precisam chegar à Oficina Escola sabendo nadar bem, mas, uma vez no projeto, “elas precisam virar peixes porque peixe não morre afogado, então, é fundamental que aprendam a nadar pela segurança delas na água”, disse Manasseh. As crianças só saem no barco para remar quando dominam o nado. “Além disso, as crianças aprendem sobre os vários itens de segurança: primeiro, o barco é uma boia, não afunda; segundo, você não pode se desesperar no rio; terceiro é que dentro d’água você não pode se deslocar muito para evitar caimbras, e o quarto item é usar coletes”, enumera.

Outras modalidades 


O projeto oferece a prática esportiva gratuita nas modalidades de remo, mas também taekwondo e esportes coletivos. Mais de 300 crianças e adolescentes, em situação de vulnerabilidade socioeconômica, de 4 a 17 anos, são alcançadas pelo projeto, que oferece também acompanhamento psicossocial e atividades de educação ambiental. 

Kaique Pinho é professor das modalidades coletivas do projeto. “Eu vou adaptando os esportes coletivos e apresento para as crianças e jovens. Nestes meses de julho e agosto, estou trazendo os esportes de rede, vôlei, tênis, que eu vou adaptando à queimada, por exemplo. Então, no vôlei, a cortada vai queimar o adversário; misturo também vôlei ou futebol com tênis, e assim por diante”, disse.  
 

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