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Projeto social Ring Boxe completa 25 anos ‘nocauteando’ a marginalidade

Criado a partir da teimosia do desportista e ex-boxeador Pedro Nunes de Oliveira, a atividade gratuita incentiva jovens a fugir das tentações do mundo do crime 16/05/2015 às 12:05
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Ringue improvisado no ginásio do Zezão, no São José não é empecilho para desenvolver o boxe na Zona Leste de Manaus
Paulo André Nunes ---

Criado para formar novos valores no esporte, o projeto Ring Boxe está completando 25 anos nocauteando a marginalidade e colocando para escanteio problemas sociais de jovens e adolescentes. Criado a partir da teimosia do desportista e ex-boxeador Pedro Nunes de Oliveira - que rema contra a corrente da falta de apoio e das críticas à sua atuação vez por outra veemente – a atividade gratuita traz, em dois atletas específicos, a fuga das tentações do mundo do crime, o sonho de ser lutador e as conquistas em uma modalidade discriminada.

O primeiro exemplo desses lutadores beneficiados pelo projeto é Franciso de Assis, 24, lutador peso médio da categoria até 75kg. Natural do Município de Benjamin Constant (a 1.118 quilômetros de Manaus), ele deixou sua cidade natal há 7 anos para escapar do assédio dos traficantes que recrutam jovens para ser “aviões” (vendedores de drogas).

“Como todos sabem Benjamin é uma cidade fronteiriça com Colômbia e Peru, e o movimento de drogas é muito intenso. E de lá que a droga vem aqui para Manaus. Concluí meu ensino médio mas sempre corri risco e sempre procurei não me envolver com o tráfico. Decidi vir para Manaus e conheci o projeto Ring Boxe”, conta ele, cinco vezes campeão Estadual. “O projeto é tudo para mim. Abriu as portas. Hoje além de lutador sou soldador, casado e pai”, ressalta ele, destacando a fé em Deus.

Desde os 11

Victor Lucas Cruz da Silva, de 16 anos, faz parte do projeto desde os 11 anos de idade e hoje disputa na categoria mosca-ligeiro até 51kg. Ele era treinado pelo boxeador Mohamad Araújo (hoje integrante da Vila Olímpica de Manaus), foi influenciado pelo pai, o ex-lutador Antonio Baia da Silva, já conquistou cinco campeonatos amazonenses e sonha em chegar a disputar um Brasileiro. “Quero chegar longe no boxe. Me identifico com o boxe, que é vida e está no sangue. Meu ídolo é o Manny Pacquiao”, conta ele, fazendo planos e querendo desenvolver ainda mais.

“Em contrapartida, esses meninos poderiam ter, pelo menos, um Bolsa Atleta”, disse Pedro Nunes, dirigente nascido em Feira de Santana, interior da Bahia. Estamos há 25 anos tirando os meninos da rua para o boxe e fazendo com que eles sejam atletas, campeões e cidadãos”, disse ele, ressaltando que a frequência na escola é requisito para participar do projeto Ring Boxe.

O projeto já fez campeões brasileiros em 2002 - quando a lutadora amazonense peso médio Maria Marreta sagrou-se campeã do Brasileiro da modalidade, no evento realizado no Recife derrubando suas três adversárias por nocaute - e em 2006 com Cássio Humberto categoria super-pesado. Outra conquista com atletas do Ring Boxe foi o 3º lugar na competição nacional em 2005.

Torneio

Neste sábado o projeto social Ring Boxe faz 25 anos com a realização da segunda etapa do Torneio Shopping Grande Circular de Boxe Olímpico no ringue do CCA Zezão. Serão um total de sete lutas com início previsto para 19h. Os vencedores serão premiados com uma “bolsa” de R$ 20, enquanto que os perdedores recebem R$ 10; caso a lutar dê empate, cada um leva R$ 10. A principal luta será entre Franciso de Assis x Otaniram Mattos pelo peso médio.


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