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Protestos e violência marcam a Copa das Confederações

Manifestações e conflitos com a Polícia Militar marcam as seis cidades sedes da competição 23/06/2013 às 14:40
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Em Belo Horizonte, jovens protestaram na prefeitura
Leanderson Lima e Paulo Ricardo Oliveira Belo Horizonte (MG) e Salvador (BA)

O que deveria ter sido a grande “festa” do futebol acabou se transformando na “Guerra das Confederações”. O País do futebol, a “pátria de chuteiras”, se tornou a nação dos protestos e confrontos. Os custos do evento, na casa de R$ 28 bilhões, são questionados de Norte a Sul do País, enquanto a população reclama de problemas com transporte coletivo, falta de infraestrutura e com a falta de atenção à saúde pública. A Copa das Confederações no Brasil já entrou para a história como um dos eventos esportivos mais politizados de todos os tempos.

A primeira grande manifestação relacionada aos gastos da Copa das Confederações ocorreu no último dia 15, um sábado, nos arredores do estádio Nacional de Brasília, o Mané Garrincha. Duas horas antes do jogo de abertura entre Brasil x Japão, aproximadamente 1.200 manifestantes ocuparam as proximidades do estádio.

A Polícia Militar dispersou os manifestantes com gás lacrimogêneo quando um grupo tentou invadir o estádio. Em Brasília, os manifestantes reclamavam do elevado custo do estádio Mané Garrincha, que se tornou a arena mais cara da Copa do Mundo de 2014, consumindo nada menos que 1 bilhão e 200 milhões de reais dos cofres públicos.

Dentro do estádio, durante a cerimônia de abertura, o presidente da Fifa, Joseph Blatter e a presidente da República, Dilma Dilma Rousseff foram vaiados pelo público presente.

Belo Horizonte

A onda de manifestos continuou em Belo Horizonte. Na última segunda-feira, quando ocorreu na cidade o primeiro jogo da Copa das Confederações, entre Taiti e Nigéria, aproximadamente 10 mil pessoas marcharam da Praça Sete de Setembro, Centro de Belo Horizonte, até o estádio Mineirão. Quando o grupo chegou às proximidades do local, houve confronto com a Polícia Militar. As manifestações continuaram por toda a semana na capital mineira.

Rio de Janeiro

Os manifestos seguiram também pelo Rio de Janeiro. Na manhã de sexta-feira, os principais portais de notícia do País davam conta de que a Fifa estudava, nos bastidores, o cancelamento da Copa das Confederações. A entidade, junto com o Comitê Organizador Local da Copa, descartaram a hipótese de cancelar o torneio.

Fortaleza

Assim como no resto do País, a onda de protestos nas cidades que abrigaram a Copa das Confederações no Nordeste teve a força de um tsunami de indignação popular. As manifestações deixaram um saldo de policiais e manifestantes feridos, patrimônio depredado e um sentimento latente de revolta por mudança.

Em Fortaleza, por exemplo, a manifestação teve a denominação “Copa pra quem, menos circo e mais pão”, iniciando às vésperas do jogo Brasil x México, na Arena Castelão, e se estendendo pelos dias seguintes com uma atmosfera mais calma. Os cearenses, indignados, clamavam por melhores condições na educação, na saúde, no transporte público. Eles Impediram o acesso ao Castelão no dia do jogo, enfrentaram a cavalaria e incendiaram um carro do órgão responsável pelo trânsito da capital cearense.

Recife

No Recife, estudantes empunharam faixas e cartazes com críticas irônicas ao sistema político vigente da presidente Dilma Rousseff e também com exigências do governo local. Houve pontos pacíficos e também de confrontação.

Na última sexta-feira, o manifesto parou o trânsito no centro histórico, em passeata contra o reajuste no preço da passagem de ônibus na Região Metropolitana do Recife. A mobilização foi feita pelas redes sociais, principalmente no facebook, com 23.954 convidados. Isso demonstra, aliás, a força das redes como instrumento de mobilização dos jovens.

Os estudantes estavam concentrados em frente ao Ginásio Pernambucano, onde formaram um pequeno congestionamento na Rua do Hospício, seguindo pela avenida Conde da Boa Vista e Ponte Duarte Coelho, tomando a faixa sentido Centro.

O congestionamento chegou a tomar conta da região e o movimento continuou fechando o tráfego até chegar ao Consórcio Grande Recife, no Cais de Santa Rita.

Salvador

O soteropolitano, por sua vez, pegou pesado na manifestação. Em Salvador, a indignação teve como alvo até representantes da Fifa, organizadora da competição, que foram apedrejados dentro de dois ônibus da entidade. O ato de protesto causou indignação no comando da Fifa, que cobrou ações urgentes do governo brasileiro.

Houve também na capital baiana enfrentamento contra a PM, quebra-quebra e pichação. A Fifa, porém, negou que tenha ameaçado o cancelamento da Copa das Confederações.

Sociólogo analisa protestos

Para o sociólogo Gilson Gil, não existe coincidência entre o surgimento das manifestações no período em que o decantado “País do futebol” acolhe uma competição preparatória para a Copa do Mundo. Muito pelo contrário. “Penso que a Copa das Confederações, e a proximidade da Copa do Mundo, serviram de estopim para essa revolta. Os altos custos dos estádios foram o sinal visível, palpável, concreto de uma série de problemas que o Brasil sofre há anos e não consegue resolver. Sem essas competições, não aconteceriam manifestações”, frisou. Gilson vai além. “Essa combinação das Copas e das promessas não cumpridas foi explosiva. Some-se isso ao descrédito com a classe política, e aos partidos, e veremos que se criou um terreno fértil para o surgimento dessas manifestações”, explicou. O sociólogo, porém, faz um alerta. “A falta de canais de comunicação com o Poder Legislativo e Judiciário pode ser um problema para esses movimentos”, finalizou.

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