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‘Queremos o penta no Brasil’, diz italiano radicado no Brasil

Italiano que reside em Manaus sonha com quinto título mundial da Azzurra no Maracanã, em 2014 21/06/2013 às 10:51
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Claudio diz que só assistirá uma partida na Arena da Amazônia se a Itália vier jogar aqui. O italiano, no entanto, gostaria de ver a Azzurra atuando na região Sudeste, principalmente em São Paulo, onde a colônia é grande.
André Viana Manaus (AM)

O publicitário e velejador Claudio Principe, 52, tem uma história parecida com os seus conterrâneos que viveram em uma época em que o futebol e o Brasil não existiam. Natural de Calabria, Sul da Itália, Claudio ganhou a vida na juventude navegando como seus antepassados. Atravessou o Oceano Atlântico cinco vezes. E para sua surpresa, na primeira vez que atracou o barco na Marina da Glória, no Rio de Janeiro, foi recebido com hostilidade pelos cariocas. Nada pessoal contra ele, mas com a bandeira italiana hasteada no mastro. Logo que soube do motivo do comportamento atípico de um povo reconhecidamente hospitaleiro, porém, Claudio sorriu. “Como tinha passado dois meses no mar não sabia nada sobre a Copa do Mundo de 1982. Somente quando fui perguntar aos brasileiros o motivo de tanta raiva com nossa embarcação é que fiquei sabendo que a Itália havia sido tricampeã do mundo na Copa da Espanha. E que nós havíamos eliminado o excelente time do Brasil de Zico e Sócrates, nas quartas de final, com os três gols de Paolo Rossi”, lembra.

Daquele julho de 1982 até agora, muita coisa mudou na vida de Claudio. A começar pelo endereço. Um ano depois, ele trocou a Itália pelo Brasil, onde se casou, teve quatro filhos e nunca mais saiu daqui. De lá pra cá também, a Seleção Brasileira nunca mais perdeu para a Squadra Azzurra, com o time principal - com direito a uma final de Copa do Mundo, em 1994. Para Claudio, a história poderia ser outra se os dois melhores jogadores da Azzurra estivessem em plenas condições físicas na decisão. “O Roberto Baggio e o Baresi estavam machucados e mesmo assim levamos a decisão para os pênaltis. Não foi por acaso que os dois desperdiçaram as cobranças. Eles jogaram no sacrifício”, lamenta. Doze anos depois, enfim a Itália chegou a sua quarta conquista mundial, também nos pênaltis, sobre a França, em 2006. “Vibrei muito naquele dia. Pois em 1982, eu não tinha assistido ao vivo”, comenta.

Para o publicitário, a partida de hoje entre Brasil e Itália tem mais peso para os donos da casa. “A Itália vai jogar para vencer, como sempre, mas a pressão, a responsabilidade é do Brasil. Além do mais os dois times estão classificados. Nenhum tropeço italiano vai interromper nosso planejamento. Queremos ser pentacampeões, no ano que vem, no Maracanã contra o Brasil”, vislumbra.

Duas mudanças significativas motivam Claudio nesta convicção: a mudança de postura da Azzurra e a presença de um negro na Itália. “Antes nós jogávamos retrancados para não perder, agora jogamos para vencer. Essa foi uma mudança imposta pelo técnico Cesare Prandelli, mas que só funcionou na prática graças a presença de Balotelli. Faltava um negro vestir a camisa da Itália. Sempre credenciei o sucesso de vocês no futebol a essa miscigenação de raças. Não se esqueçam que o primeiro brasileiro que levantou uma taça de campeão do mundo foi o Bellini, que tinha descendência italiana”, enfatizou Claudio.

Manifestações e valorização à Itália

Claudio Principe retornou da Itália, onde foi visitar a família e buscar seu pai para morar com ele, na quinta-feira. Ainda se recuperando da exaustiva viagem, ele chegou no dia da manifestação que parou Manaus. “Ainda não estou completamente informado sobre essas movimentações nas ruas. Mas fico feliz com qualquer manifestação popular que reivindique melhorias para a população”, comenta o italiano, que possui um projeto que ensina artes e emprestas livros a jovens carentes.

Fã incondicional do futebol brasileiro, o ex-torcedor do Milan (deixou de admirar o time por causa do presidente do clube, Silvio Berlusconi) e simpatizante do Palmeiras (por motivos óbvios, a origem italiana do clube paulista), lamenta que alguns jornalistas esportivos brasileiros não dão à Azzurra o respeito que ela merece. “Temos quatro títulos mundiais. Apenas um a menos do que o Brasil. Lá, na Itália, chamamos a Seleção Brasileira de ‘Verde Ouro’. Brasil e Itália é sempre um jogo especial, e em Salvador, então, nem se fala. Será fantástico!”, vibra o italiano, que espera um jogo cheio de gols, mas não aponta o vencedor. “Será 4 a 3, mas não sei quem vencerá”, despista.

Claudio é fã de Balotelli, mas considera o meia Pirlo, que não joga, o melhor jogador italiano. “Fiquei muito feliz quando soube que o Pirlo foi aplaudido no Maracanã toda vez em que tocava na bola, contra o México. E ele ainda fez aquele golaço de falta”, finalizou orgulhoso.

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