Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Entrevista com Neymar

'Queríamos jogar contra a Espanha' afirma Neymar Jr

Novo camisa 10 da Seleção comemora bom momento e exalta decisão da Copa das Confederações



1.png ' A gente sabe a importância deste momento por tudo que está acontecendo no Brasil
30/06/2013 às 10:21

Sem querer, Neymar teve que sustentar sobre seus ombros o peso de se tornar, praticamente da noite para o dia, a principal esperança do futebol brasileiro. Aos 21 anos, essa fera revelada pelo Santos já conquistou Campeonato Paulista, Copa do Brasil e uma Libertadores da América, mas pela Seleção Brasileira, embora sustente desde 2010 a condição de titular absoluto, não havia desencantado.

A grande virada veio quando Luiz Felipe Scolari assumiu o comando da Seleção Brasileira. Neymar foi crescendo aos poucos até deslanchar com a lendária camisa 10 durante a Copa das Confederações. 

Hoje será um dia especial para ele, não só pelo fato de ser a final de um torneio de grande expressão, muito menos por ser Brasil x Espanha. É que hoje será a última oportunidade de ver o jovem craque atuando no Brasil antes do embarque para o Barcelona. Sobre a despedida, o jogo da final, o reencontro com o 12º jogador da Seleção Brasileira, Neymar falou.

Como está a ansiedade para enfrentar os futuros companheiros de time no Barcelona?

Eu estou feliz das coisas estarem dando certo. Não só para mim, mas para toda a equipe. Esse era o nosso objetivo. E sobre jogar com meus futuros companheiros posso dizer que será uma honra. Eu até já desejei toda sorte do mundo a eles até essa partida. Agora o que eu quero é que a gente faça um belo jogo para sair campeão.

E como está a ansiedade pela final ?

Uma final de qualquer campeonato sempre gera uma ansiedade muito grande. Depois da semifinal entre Itália e Espanha eu falei com o Thiago Silva: “vamos jogar logo!”. Vai ser um domingo histórico tanto para a Espanha quanto para o Brasil.

Há um mês o torcedor não acreditava na Seleção Brasileira. Agora todos acreditam em título.  Que mudança, hein?

Futebol é maravilhoso por isso. Na quarta se joga mal e somos os piores. Domingo, se a gente vence e joga bem, somos os melhores. A gente acreditava na nossa equipe, a gente sabia que dependia da gente. E a equipe mostrou muita vontade.

O que estava faltando era treinamento, entrosamento e a gente encontrou isso. Encontramos uma equipe que é maravilhosa fora de campo e isso vai deixando o nosso time mais forte.

E outro ponto importante: encontramos o nosso 12º jogador, a torcida. Estamos lisonjeados pela força, pelo incentivo até o final. Queremos contar com este torcedor, que é o 12º jogador, neste domingo.

E qual a receita para vencer a Espanha?

O que tem que fazer é jogar sem medo de nada. Vamos enfrentar uma grande equipe com os melhores do mundo, mas aqui (na Seleção Brasileira), tem grandes jogadores também. O respeito e admiração pela Espanha é grande, mas dentro de campo o nosso futebol é bonito e a gente confia um no outro.

Os fãs de futebol do mundo todo queriam ver o confronto entre Brasil x Espanha. Agora, sendo sincero, esse era o confronto que o Neymar queria fazer na final da Copa das Confederações?

Era sim! O mundo inteiro, todos os jogadores juntos queriam essa partida. Vamos jogar contra os melhores.

Uma das características mais fortes da Espanha é a posse de bola. Como vencer um time que detém a bola por tanto tempo?

A gente sabe que são estilos parecidos. Tanto a Espanha quanto o Brasil gostam de jogar atrás e atacar depois, por isso acho que vai ser uma das melhores partidas da história.

O Brasil tem um dia a mais de descanso e a Espanha jogou uma partida com prorrogação e pênaltis. Isso pode influenciar o resultado?

Acredito que não. Em um jogo desse não existe cansaço. É coração. Tem que usar a inteligência, mas eles vão jogar com tudo.

Quem são os jogadores da seleção espanhola que você mais admira?

Eu admiro muito o Iniesta, Xavi, Pedro, gosto do Sergio Ramos... São grandes jogadores. É estranho falar, mas eu sempre fui fã também do Thiago Silva e do Fred. Eu vi muitos deles jogando quando eu era criança e agora poder estar no meio deles, jogando com eles, é um sonho.

Você está caminhando para ser o melhor jogador da Copa das Confederações. Acredita que um bom desempenho no jogo de domingo pode colocar você pelo menos na disputa pelo título de melhor jogador do mundo este ano?

Sempre falei que o meu objetivo não é ser o melhor do mundo. Quero disputar os melhores campeonatos do mundo. Estou num momento maravilhoso, estou muito feliz, estávamos precisando achar um jeito de jogar e ai as qualidades individuais vão aparecendo. Estamos felizes porque as coisas estão dando certo e espero terminar o campeonato jogando um belo futebol.

Qual foi o momento mais marcante da Copa das Confederações para você até aqui?

Foi o primeiro gol que eu fiz (vitória por 2 x 0 contra o Japão). Eu fiquei muito feliz. Foi o primeiro gol do Brasil na competição. É o lance que eu mais me recordo deste torneio.

Como você analisa esta onda de protestos de Norte a Sul e a importância deste movimento para o Brasil?

A gente sabe da importância deste momento por tudo que está acontecendo no Brasil. Estamos felizes de poder dar alegria neste momento onde muitas pessoas não estão felizes. Todos apoiam as manifestações pacíficas, por um Brasil melhor. A ajuda que a gente pode dar é no esporte.

Já parou para imaginar que, neste domingo, no Maracanã, você estará fazendo a sua despedida do povo brasileiro, que agora só vai te ver jogando pela televisão, no Barcelona?

(risos) Nem tinha pensado nisso. É uma coisa nova. Não sei como vai ser o momento. Em Brasília (quando chorou na execução do Hino Nacional) foi uma coisa que eu nem reparei. Tenho certeza que vou me emocionar por ser uma final e por estar todos os brasileiros cantando o Hino Nacional.

E antes do pontapé inicial. Qual é a imagem que vai passar pela sua cabeça?

Acho que das dificuldades que a gente sofreu desde pequeno para chegar até este momento, defendendo o seu País, seu sonho, o sonho da sua família, do meu pai, da minha mãe, da minha irmã, dos meus amigos. Eu não vou estar só neste momento. Vamos jogar por uma nação.


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