Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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'Quero uma medalha olímpica, é o que falta para a minha carreira', diz Fabiana Murer

Saltadora brasileira fala de altos e baixos, confirma aposentadoria em 2016 e sonha com pódio inédito no Rio de Janeiro



1.jpg Fabiana Murer vai se aposentar e mira uma medalha na Olimpíada do Rio
03/03/2016 às 15:27

No próximo dia 16 de março, Fabiana Murer completa 35 anos e já anunciou que 2016 será o ultimo ano no salto com vara. Depois de quase 20 anos treinando e competindo, ela acumula títulos e medalhas, como o ouro nos Jogos Pan-Americanos do Rio de Janeiro 2007 e os títulos do Mundial de Atletismo indoor em 2010 e do outdoor em 2011. Mas ainda falta uma conquista: a medalha Olímpica.

Não fossem os Jogos Olímpicos de 2016 no Rio de Janeiro, Fabiana provavelmente estaria aposentada, curtindo a praia e o merecido descanso. Mas quando a cidade brasileira foi escolhida em 2009 para sediar os Jogos, tudo mudou para ela.

“Naquela época eu estava pensando em me aposentar em 2014, mas aí comecei a pensar que eu podia competir por mais dois anos para poder fazer parte dos Jogos no meu País”, revela a brasileira, em entrevista à Federação Internacional de Atletismo (IAAF). “Quero uma medalha olímpica, é o que falta para a minha carreira.”

Com ou sem pódio, no entanto, a decisão está tomada: Fabiana Murer está participando de sua última temporada no salto com vara. “Às vezes fico triste por ser meu último ano, mas estou animada por ter os Jogos no Brasil. Estou tentando aproveitar todos os treinos e competições. São 10 anos entre as 10 melhores do mundo. É a hora certa para terminar a carreira. Espero que com medalha”, comenta.

A carreira começou já na adolescência. Na época, Fabiana era atleta da ginástica. Quando notou que a altura a atrapalharia a concretizar o sonho de disputar os Jogos Olímpicos, buscou alternativas. Em um teste no atletismo, chamou a atenção de Elson Miranda, seu técnico até hoje, e trocou os aparelhos da ginástica pelo pouco conhecido salto com vara.

“No começo foi fácil, mas depois fui vendo que era complicado, uma modalidade muito técnica”, lembra. “No primeiro ano eu treinava só uma, duas vezes por semana. Depois passei a treinar e a me dedicar mais e me classifiquei para o Mundial Júnior. Vi que tinha talento, deixei a ginástica e continuei treinando o salto com vara”, conta.

Desde então, Murer coleciona resultados positivos, momentos memoráveis e lembranças nem tão boas assim. Falar sobre o ouro no Pan de 2007, no Rio de Janeiro, ou dos títulos mundiais indoor e outdoor até hoje trazem um sorriso ao rosto da brasileira. “No Pan as pessoas começaram a conhecer o esporte e fui campeã. Foi bom ter a torcida. Não conheciam as regras, mas estavam lá me apoiando. Foi ótimo”, diz.

O título Mundial, em 2011, também tem lugar especial na memória. Afinal, Fabiana tinha que conviver com um domínio quase inabalável da russa Yelena Isinbayeva. “Ela quebrava vários recordes e eu queria ser campeã, queria sentir aquilo”, afirma. Em 2011, após um começo de ano instável, cheio de altos e baixos, veio o Mundial de Daegu, na Coreia do Sul, e o grande título da carreira.

“Não sei o que aconteceu. Eu me transformei. Estava concentrada, com a técnica precisa e saltei muito alto. Fiz minha melhor marca aos 30 anos. Ali eu vi o quão bom era ser campeã do mundo”, recorda Fabiana, campeã do mundo com 4,85m, então o recorde sul-americano.

O ponto baixo veio em 2008, nos Jogos Olímpicos de Pequim. Classificada para a final, Fabiana viu uma de suas nove varas sumir no momento decisivo. “Elas têm flexibilidade diferentes. Tive que adaptar o meu salto, peguei uma vara que não era adequada. Fiquei em 10º. Foi triste, chorei muito e disse que nunca mais queria voltar a Pequim”, conta a brasileira.

O mistério foi resolvido naquela mesma noite, quando Murer retornou para a Vila dos Atletas. “O que aconteceu foi que uma das varas estava junto com a das atletas que não foram para a final e acabou voltando para a Vila”, explica.

Passado o trauma, a brasileira já imagina o clima para competir no Rio este ano. Uma perspectiva positiva para quem já viveu de tudo. “Acho que o estádio vai estar cheio, bonito e com pessoas torcendo e batendo palmas durante meus saltos. Estou animada para este momento”, projeta Fabiana.

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