Domingo, 26 de Maio de 2019
Nas ondas do rádio

Radialista Ari Neto completa 50 anos de carreira

Lenda do jornalismo esportivo, Ari Neto celebra meio século de carreira no rádio amazonense lembrando grandes momentos do futebol local



Ari_Neto.jpg
Aos 67 anos, Ari não pretende parar de narrar grandes momentos do esporte amazonense (Foto: Márcio Silva)
29/01/2017 às 05:58

O rádio começa com um sonho, torna-se uma realidade e termina numa eterna conquista. A frase que o radialista amazonense, Ari Neto, ouviu no rádio há alguns anos quando ele morava em São Paulo sintetiza bem os 50 anos  – completados no dia 8 de janeiro -  de trajetória no rádio esportivo do Amazonas. Um sonho que, além de uma realidade, virou uma história de vida. Mas ele mesmo corrige a frase que o inspira. “Para um apaixonado por rádio como eu, a história não termina nunca”.

E a história de Aristophano Neto, 67, mais conhecido como Ari Neto, começou  por influência dos primos mais velhos, que escutavam as transmissões esportivas em São Paulo. “Em 57, eu morava e estudava em São Paulo e era perto do Pacaembu e ouvia as transmissões esportivas. Quando voltei para Manaus, ouvia muitos programas esportivos com grandes locutores como o Arnaldo Santos, João Bosco Ramos de Lima e o meu sonho era ser narrador esportivo”, relembra.

O sonho começou a virar realidade quando o pai dele o levou para a Rádio Baré. Era o ano de 1967,  porém, até sua voz ser ouvida nos aparelhos de rádio amazonenses demorou um pouco. Ele começou como “foca”. Anotava as as escalações dos times e passava as informações para os repórteres. “Antes era mais difícil para falar no microfone. Os integrantes das rádios eram muito fominhas. Não davam chances para os novatos”, enfatiza.

A oportunidade de ser locutor veio por acaso no ano de 74. Já como repórter da rádio Difusora, em um jogo na Colina, o filho do locutor que estava escalado para narrar a partida se machucou. Ari foi chamado à cabine e pediu para que ele tocasse a programação já que precisava levar o garoto ao hospital. “O João Bosco, que era coordenador da rádio, ouviu, gostou e me lançou como narrador e achou que eu levava jeito para ser narrador”.

Daí começou uma carreira que atravessou os períodos áureos do futebol e do rádio amazonense e tanto tempo de carreira traz também muitos jogos marcantes.

“Em 1974, viajei pela Difusora com Nacional para o jogo contra o América de Minas Gerais no Brasileirão da Série A e o Nacional dependia de vencer para continuar na fase seguinte. Esse jogo foi no dia de finados. O Nacional venceu aquele jogo com um gol de Nilson e a equipe do Nacional também falou que eu era pé quente. Além disso fiquei feliz porque muita gente me ouviu naquele dia”, contou.

Apogeu e Decadência

Há muito tempo nas cabines dos estádios manauaras, Ari Neto presenciou vários episódios da história tanto do futebol como do rádio em Manaus. Viu times locais na Série A e presencia agora a realidade dos amazonenses que ano após ano buscam acesso para a Série C. Quanto ao pequeno número de torcedores que comparecem aos jogos dos times locais, ele acredita que há dois motivos: exigência dos torcedores e baixo investimento.

“A grande diferença do torcedor amazonense para o paraense é que nós aqui somos mais exigentes. Se o time está bem, a torcida vai em peso. Quando o São Raimundo estava na Série B, a torcida lotava o estádio porque estava bem no futebol. Quando não vai bem, o torcedor se afasta. No Pará, eles prestigiam o futebol em qualquer momento. Eles são apaixonados pelos clubes deles. Aqui, se um time voltar para a Série B, o público volta”.

Outra deficência do futebol amazonense é a formação de novos talentos. Se antes os ídolos eram jogadores da terra, hoje, os times amazonenses trazem jogadores de fora e esquecem de investir na formação dos craques locais.

“Eu narrei uns jogos do infantil e juvenil e você vê que tem muitos craques, mas falta investimento dos times locais. Hoje se traz muitos jogadores de fora e não se mantém o time. Forma um time e desfaz. Depois de dois jogos dispensa técnico. E nós não temos estrutura que nem em São Paulo, Minas e Sul. Então fica difícil”, pontuou.

Para o futuro, o radialista ainda espera narrar por muito tempo e está sempre em busca de novos projetos. Para as futuras gerações, ele recomenda que os jovens radialistas aprendam a dominar o principal instrumento de trabalho: o microfone.

“A primeira coisa que você tem que fazer é não ficar nervoso. Enquanto o microfone te dominar, você vai ficar nervoso. O narrador tem que dominar o microfone e ter simplicidade não achando que é melhor do que ninguém e ser cordial com as pessoas. Dar o mesmo tratamento do presidente ao massagista do clube”, concluiu.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.