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Repórter descreve a sensação única de saltar de paraquedas pela primeira vez

"De um ângulo privilegiado vi o encontro das águas, a ponte sobre o rio Negro... Vi Manaus inteira", disse Cynthia Blink, repórter de A CRÍTICA 08/09/2013 às 17:37
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Repórter descreve a sensação única de saltar de pára-quedas
Cynthia Blink ---

A verdade é que sempre me animei para fazer esse tipo de atividade, mesmo sem o apoio da dona Iracema, minha preocupada mãe. Até que em um domingo, estava com alguns amigos, na estrada, voltando de Manacupuru para Manaus e vimos uns coloridos no céu. Eram paraquedistas! Imediatamente a pergunta foi instaurada: “E aí, tinha coragem?”.

Na Internet, achei o contato da Skydive Amazonas, e fui atendida pela Danielle Costa, a diretora de marketing. Ela é, normalmente, a primeira pessoa com quem você fala antes de realizar seu salto. Enquanto eu assinava o “termo de isenção de responsabilidade” me fizeram três perguntas: “Tem menos de 18 anos?”, atualmente pode saltar a partir dos 16 anos, mas os menores precisam de autorização dos pais.

A segunda pergunta poderia ser ofensiva em outra ocasião, mas quando feita para pessoas que gostam da ideia de saltar de pára-quedas é aceitável: “Você toma remédio controlado?”. E, por último: “Já quebrou alguma parte do corpo?”. Respondi “não” para todas as questões e, em seguida, recebi orientações sobre o procedimento e a posição correta na hora da queda livre. Pronto! Equipada, fui para o avião.

Fazia um insistente tempo fechado, incomum para as tardes de agosto de Manaus, mas de repente, o céu ficou azul e logo eu, Ricardo Melo e Marcell Martini embarcamos no Seneca, o bimotor que nos levou para o alto, precisamente 10 mil pés (um pouco mais de 3 mil metros). Meu lugar na carona foi ao lado da porta, que estava aberta, então, o espetáculo visual começou mais cedo para mim.

Passamos pelas nuvens, de perto, são ainda mais parecidas com algodão. Deu vontade de pegar, estendi a mão e alcancei apenas o frio. Quando Ricardo terminou de prender meu equipamento ao dele o outro paraquedista, Marcell, que registrava tudo, perguntou do piloto: “Já tem permissão?”. Recebido o “ok”, Marcell se posicionou fora do avião. Em seguida, Ricardo e eu sentamos na beirinha da porta.

Naquele momento, o som do motor foi vencido pelo som do vento e me distraí olhando a cidade. Acabei esquecendo de encostar a cabeça no ombro do Ricardo, apesar dele ter me orientado algumas vezes sobre isso. Bastou uma mãozinha para eu lembrar.

Queda livre!

A 200km/h tive a impressão de estar parada, mas em um lugar lindo, sem chão, sem tamanho e extremamente ventilado. De braços abertos experimentei a sensação de liberdade total. Meus pensamentos oscilavam em: “isso é muito bom!”, “estou aqui mesmo?”, “depois disso posso fazer tudo”.

6 mil pés (quase 2 mil metros) é hora de abrir o paraquedas. Essa parte é bem divertida. Inesperadamente, subimos! Alcançamos a estabilidade e perguntei ao Ricardo: “Ué, cadê ele?!”, que riu muito da minha preocupação com nosso câmera fly e respondeu: “Ninguém nunca fez essa pergunta”, e o Ricardo já realizou mais de 500 saltos.

Do alto, olhando Manaus

De um ângulo privilegiado vi o encontro das águas, a ponte sobre o rio Negro... Vi Manaus inteira. Ainda tinha a sensação de estar parada, mas isso acabou quando a cidade começou a ficar maior debaixo de mim. A Arena da Amazônia ficou mais próxima, assim como o nosso destino final, de onde saímos, o aeroclube.

Prestes a pousar, o comando: “levanta as pernas!” e caímos sentados no chão. Encontrei o Marcell, ele não perdeu tempo e já estava gravando o fim da aventura. Levantei, feliz da vida, com a certeza de que quero mais e o arrependimento de não ter saltado antes.

Agora a adrenalina dá lugar a tranquilidade, o sentimento predominante em mim foi de paz, como nunca senti. E a 15 km/h só restava curtir a paisagem pelos próximos 6 minutos até chegar ao chão. O Ricardo me deixou navegar, quer dizer, puxar as batoques (alças) do paraquedas, lógico, no comando dele: “direita, esquerda”.

Confira aqui o vídeo

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