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Representante do Amazonas no Brasileiro Feminino, EC Iranduba aposta nas suas guerreiras

Representante do Estado na competição nacional estreia nesta quarta-feira (9) com a força de vontade das mães jogadoras e a raça de uma atleta gringa 08/09/2015 às 09:47
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Aizis Carine (à esq.), de Maués, supera a saudade da filha de 3 anos, que está no interior, em prol do clube
paulo andré nunes Manaus (AM)

O Esporte Clube Iranduba da Amazônia estréia amanhã no Campeonato Brasileiro Feminino, contra a equipe do Rio Preto, em São José do Rio Preto (SP), às 14h (horário de Manaus), tentando implantar a filosofia do técnico carioca Olavo Dantas somada à garra, paciência e dedicação das jogadores que são mães e mais a raça sul-americana de uma atleta venezuelana.

A atacante Aizis Carine Barbosa Michiles, 22, é uma das mamães do representante amazonense. Natural de Maués (a 257 quilômetros de Manaus), ela gerou a pequena Ana Sofia, de 3 anos de idade. Em Manaus há pouco mais de um mês, ela convive com os treinos diários do Iranduba e a saudade da filha querida: a atleta está instalada com outras jogadoras em um hotel no Dom Pedro, Zona Centro-Oeste da cidade. 

“Tenho muita saudade dela. Sempre falo com ela a todo momento. Ela fala pra mim: ‘Mamãe, volta logo’ e ‘Vem me buscar’. Nessas horas o coração fica pequeno, mas tenho que superar tudo isso pelo sonho que temos como jogadoras. Apesar de todas as dificuldades, temos que ter força de vontade e deteminação para supera essa saudade”, conta a atacante sobre a filha, que na cidade interiorana mora com a avó paterna.

Para compensar a ausência momentânea de Ana Sofia, ela recebe o apoio da equipe. “As meninas me tratam superbem e dão força uma para a outra pois cada uma tem uma situação de dificuldade”, disse ela.

Três filhos

Aos 34 anos a goleira amazonense Maria Wilce Fereira Góes é mãe de três filhos adolescentes: Thaís, 17, Renald, de 14, e Victor, de 13 anos. Separada e morando no Novo Israel, ela se desdobra em várias para dar atenção aos rebentos, ao emprego como industriária e aos treinos e jogos pelo time do Iranduba.

“Tenho esse diferencial de ser mãe, e nas viagens, por exemplo, de deixar meus filhos em Manaus nessas oportunidades. Mas todas as garotas do clube têm suas dificuldades e temos que saber superá-las. Todas são guerreiras”, destaca Wilce, no alto dos seus 1,65m de altura.

Tetracampeã Amazonense pelo clube, a goleira é torcedora do São Paulo e, como não poderia deixar de ser, é admiradora do “mito” Rogerio Ceni, a quem considera um ídolo. Sua expectativa é de vitória na estréia do Brasileirão. “Queremos fazer um bom trabalho. Tivemos treinos bem puxados e o objetivo é um só: vencer”.

Venezuela

A zagueira Cristina Sevilla, 29, é um dos reforços do Iranduba para o Brasileirão Feminino. Ela, que foi campeã estadual em 2013, teve a oportunidade de jogar a competição nacional após um convite do treinador Olavo Dantas. Natural de Valência, maior cidade do Estado venezuelano de Carabobo, ela está há cerca de 10 dias em Manaus e, para chegar à capital amazonense, percorreu 40 horas de ônibus.


A zagueira venezuela Cristina atuou em 2013 no time e volta para o Brasileirão

A guerreira disse que o relacionamento com as outras garotas de clube é bom. “Desde que eu cheguei a Manaus, em 2013, que as meninas falam muito comigo. Elas têm sido boas comigo, e ninguém me excluiu, pelo conttrário, buscam integrar a equipe. E eu busco conhecer melhor o idioma, costumes, etc”, ressalta ela. “As meninas tem um bom jogo e uma boa relação uma com as outras. O mais importante é que elas dêem o coração em campo”.

Atualmente, ela está se recuperando de uma contusão sofrida há alguns dias após sofrer uma lesão na perna esquerda, o que lhe causou uma  contração muscular. “Me choquei com outra jogadora e agora estou fazendo tratamento fora do campo”, resumiu ela.

Técnico Olavo Dantas é ‘paizão’ e ‘guru’

O experiente treinador do Iranduba, o militar carioca Olavo Dantas, é ao mesmo tempo um “paizão” e uma espécie de guru” incentivador das meninas do representante amazonense na Série A do Brasileirão. As meninas entrevistadas pela reportagem do MANAUS HOJE foram unânimes em falar que o apoio do técnico é fundamental para o desempenho delas.

A mamãe Maria Wilce, por exemplo, tem, no treinador do Rio de Janeiro, um verdadeiro “paizão” das jogadoras do Iranduba. “Ele é realmente um paizão, fica mais na dele, mas é claro que cobra pois precisa exigir. Não tenho nada a reclamar dele, que sempre nos ajuda quando precisamos. Tenho o Olavo como um espelho a seguir de respeito”, declara a experiente goleira.


O técnico Olavo Dantas, do Iranduba

Para a venezuelana Cristina Sevilla, Olavo Dantas é um dos principais incentivadores. Isso ficou claro quando ele a convidou para que ela voltasse a jogar no representante amazonense. “O Olavo Dantas me perguntou se eu queria voltar a Manaus para jogar novamente pelo Iranduba. Gostei de Manaus e resolvi voltar voluntariamente”, comenta a “gringa”.

Com Aizis Carine, que já morou em Manaus há 1 ano e meio, o convite para jogar no clube partiu do próprio Olavo Dantas e, também, da supervisora do clube, Bia Santos.

Time tem 60% de condicionamento

De acordo com José Said, 51, preparador físico da equipe, as meninas do Iranduba vão chegar na estreia de amanhã com 60% de condicionamento físico. O que não é o desejado, mas aceitável.

“Se formos levar em consideração o percentual atual digo que estamos em 60% de condicionamento físico, é aceitável para uma partida de futebol. Mas o ideal era que iniciássemos esse Brasileiro entre 70% a 75%. Acredito que o time vai poder suportar os 90 minutos”, disse o especialista.


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