Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
Especial Barezão

Rodado no futebol, Wagner Diniz quer escrever sua história no Rio Negro

Com passagens por Vasco, São Paulo e Santos, o lateral-direito jogou ao lado de craques como Romário, Edmundo e Neymar. Agora com a camisa do Galo, ele quer marcar seu nome no futebol baré



Capturar.JPG Aos 34 anos, Wagner Diniz nem pensa em aposentadoria e quer seguir fazendo história. Foto: Antônio Lima
29/01/2018 às 21:54

Grandes histórias nem sempre precisam ter como personagem principal um grande herói, um grande campeão. Muitas vezes o simples fato de fazer parte da história e poder contá-las já te faz um gigante. E como o lateral-direito do Rio Negro, Wagner Diniz tem história pra contar.

Do alto de seus 34 anos, o alagoano de Maceió, já jogou ao lado de gigantes do futebol brasileiro como Edmundo, Romário e Neymar. Com passagens por Vasco, São Paulo e Santos, o lateral, que tem apenas dois títulos estaduais no currículo, se orgulha de ter saído do pacato bairro de Fernão Velho para ser um vencedor na vida. Mas nem pense que foi fácil.

“Desde pequeno eu tinha um sonho de ser atleta profissional, mas essa carreira é muito complicada. No começo, principalmente. No meu último ano de categoria de base tive a oportunidade de jogar a minha primeira e única Taça São Paulo, onde não fui bem”, recorda Wagner Diniz, que só entrou nas categorias de base do CRB aos 16 anos.

Diniz não estava entre os melhores daquela Copinha, mas o destino lhe deu uma ajuda. “Voltando a Maceió a diretoria achou melhor não me integrar a equipe profissional do CRB e pensaram em me emprestar ao Treze, da Paraíba, onde fiquei um ano e meio. No primeiro ano fomos vice-campeões e no segundo fui campeão paraibano, como titular”, conta o lateral, que depois de uma bela campanha com o time paraibano na Copa do Brasil - onde o Treze só caiu nos pênaltis diante do Fluminense - foi parar no seu clube do coração.

“No primeiro jogo da Copa do Brasil, contra o Fluminense, o jogo foi em São Januário e os diretores do clube estavam lá assistindo e gostaram da partida que tinha feito. Depois que acabou o jogo, eles entraram em contato”, lembra Diniz revelando uma ligação do próprio Eurico Miranda.

“O Eurico ligou para um amigo e esse amigo passou o celular para mim. Imagina o nervosismo de falar com o Eurico Miranda. Ele me perguntou se eu tinha interesse de jogar no Vasco. Na hora eu pensei: ‘Caramba! Como poderia descartar uma oportunidade dessas?’. O time de toda a minha família. Iria ser uma alegria enorme. Torço pelo Vasco, meus pais também, a maioria da família toda é de vascaínos e foi uma alegria só”, relata.

Altos e baixos no Vasco

No Cruzmaltino, Wagner Diniz teve projeção nacional, como ele mesmo faz questão de falar. “Tive vários momentos bons no Vasco. Dei o meu melhor ali, onde eu me destaquei bastante. Um dos momentos mais marcantes no Vasco foi quando a gente jogou a Sul-Americana. Havíamos perdido o jogo contra o Lanus, na Argentina por 2 a 0, e no Rio a gente reverteu o placar fazendo 3 a 0, e eu fiz o segundo gol. Foi uma alegria enorme”, conta o jogador do Galo.

“A parte ruim foi em 2008, a questão do rebaixamento. Isso deixa qualquer atleta triste, principalmente eu, que tinha muito tempo de casa. A torcida vascaína não merecia. Todo o time sofreu. Na verdade, faltou alguma coisa de cada um. Não desejo pra nenhum atleta essa fase que eu passei”, relembra o jogador, que conquistou seu segundo título em 2015, com o América-RJ, na Série B do Carioca.

Outro momento que Wagner Diniz prefere nem lembrar foi a final da Copa do Brasil de 2006 contra o Flamengo. “Nós tínhamos tudo pra ganhar. Lembro que teve a parada para a Copa do Mundo de 2006. E a gente estava bem embalado. Creio que aquela parada deu uma quebrada no nosso ritmo”, pontua o jogador recordando que um dos pivôs daquela derrota, o atacante Valdir Papel foi amparado pelo elenco.

“Não teve nenhum tipo de cobrança em cima do Valdir (Papel), porque a gente sabe que naquela situação ali, tenho certeza que em nenhum momento passou pela cabeça dele de ser expulso”, recorda.

Ao lado de gigantes

Na queda do Vasco em 2008, Wagner Diniz teve a oportunidade de jogar ao lado de Edmundo. O lateral relata um pouco da convivência com o Animal em dias negros para o time de São Januário.

“O Edmundo era um dos líderes da equipe, o capitão, e sempre incentivava. Sempre tinha uma cobrança a mais, que era sempre bem vinda. Principalmente numa fase que a gente estava”, lembra o jogador com semblante emocionado. Além de Edmundo, Wagner Diniz teve a oportunidade de atuar ao lado de outro ídolo vascaíno, o “Baixinho”.

“O Romário sempre se comunicava com a gente bastante. Sempre deixava a gente a vontade. Ele tinha uma proximidade maior com quem ele gostava. Convidava pro aniversário da filha e é sempre bom estar perto de pessoas assim. Eu nem imaginava um dia estar perto dele e de repente o cara está te convidando pra estar em festa com a família dele”, conta o alagoano que também viu um certo “monstro” do futebol mundial surgir.

“Quando saí do Vasco, fui pro São Paulo e lá não tive muitas oportunidades com o Muricy (Ramalho) e fui emprestado ao Santos. Na época, estavam subindo da base o Neymar, Paulo Henrique Ganso, André, Patrick, Madson, aquela turma toda”, comenta o lateral recordando que desde cedo Neymar já era o cara.

“Eu estava no time titular e ele no reserva. Quando ele pegava na bola, partia para cima de qualquer um que aparecesse na frente dele, não tinha essa não. Já dava para sentir que ele era muito diferenciado. Apesar de muito franzino, já sabia o caminho do gol, tinha muita habilidade, e a personalidade era impressionante desde aquela época”, revela Diniz.

História a ser contada

Atuando pelo Rio Negro desde o ano passado. O lateral retornou ao Galo essa temporada com o intuito de adicionar mais um belo capítulo a sua história.

“Sei que a torcida do Rio Negro é muito apaixonada e que está um pouco afastada por causa desse jejum de títulos. Me passaram que essa torcida, quando sentir que o time tá voltando e dando alegrias, eles vão aparecer e vão estar com a gente e vamos crescer com o clube. O Rio Negro, com a estrutura que tem, com aquela sede e pela história merece muito mais que isso”, disse Wagner Diniz sonhando em um dia ter seu nome eternizado na história do Galo da Praça da Saudade.

“Sei que tenho que correr atrás, não só eu, mas como todos os companheiros que estão trabalhando no dia a dia pra estar na história do clube. Porque quando você passa por um clube e faz história, ninguém apaga. Se tem conquistas, não tem quem apague e vou ficar muito feliz se um dia meu nome estiver num livro sobre o Rio Negro”, concluiu Wagner Diniz, que estará em campo com o Galo, neste domingo, às 16h, no estádio Carlos Zamith, contra o Princesa do Solimões, escrevendo sua história.

 

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