Quarta-feira, 21 de Agosto de 2019
TIME DE FÉ

São Francisco CRRA Família se apega ao santo e faz 'milagres' no Peladão

Padroeiro dos animais, São Francisco de Assis tem abençoado a equipe de boleiros “raiz” da comunidade Riacho Doce. Na base da raça, eles desbancaram muito gigante e já estão entre os 16 melhores da categoria Principal



ch.JPG Devotos de São Francisco têm recebidos graças nesta edição do Peladão (Foto: Antônio Lima)
06/01/2018 às 14:49

“Ó Mestre! Fazei que eu procure mais consolar, que ser consolado”. O trecho da oração de São Francisco de Assis cabe perfeitamente a um certo time da comunidade Riacho Doce, na Zona Norte de Manaus, que vem consolando os adversários um a um após as eliminações na categoria principal do Peladão.O São Francisco CRRA Família é uma das grandes surpresas do torneio e, mesmo com uma equipe sem grandes estrelas, já pinta entre os 16 melhores da competição.

Fundado em 2012 com o nome de “Amigos do Régis”, o time que já passou por quatro mata-matas do Peladão só engrenou mesmo quando mudou de nome. “Meu pai e minha mãe fizeram uma promessa. Eu sofria muito de asma e deixaram o meu cabelo crescer até as costas. Só pude cortar aos sete anos de idade”, relembra Reginaldo Nunes, 42, o Régis, que além de atleta e técnico do time, é devoto de São Francisco. “Nunca fiz promessa em relação ao futebol, mas a gente agradece a São Francisco porque ele está nos ajudando”, enfatiza Régis.

O São Francisco no Campo do Curió, onde o time foi formado e treina uma única vez na semana (Foto: Antonio Lima)

Formado exclusivamente por jogadores do Riacho Doce, o São Francisco é como uma grande família, e a presidente do time, Cylha Braga Dias, explica o porquê da sigla CRRA no uniforme da equipe. “O nosso time é como uma grande família. Tanto que o C é de Cylha, o R é de Régis, o outro R é de Rodrigo, e o A é de Alan, que é uma homenagem ao meu ex-marido e meus dois filhos que jogam no time”, lembra Cylha, que foi casada com Régis.

O amor entre o técnico e a presidente pode até ter acabado, mas a paixão de ambos pelo time do São Francisco CRRA só aumentou. “Esse ano eu não joguei o Peladão pra ajudar o Régis a botar o time no Peladão. Nosso time só tem jogador do bairro mesmo e fico muito feliz que estamos indo muito bem na competição”, festeja Cylha.

Santo milagreiro

Parte da oração ao padoreiro dos animais também diz: “Onde houver tristeza, que eu leve a alegria; onde houver trevas, que eu leve a luz”. E como anda iluminada a defesa do São Francisco CRRA Família. Em todo o Peladão a equipe tomou apenas dois gols durante os jogos.

Além de contar com o paredão montado pelos zagueiros Lorran, Robson e Antônio, o São Francisco ainda conta co m o abençoado goleiro Valdiney, que tem salvado o time nas decisões por pênaltis. Assim segue o São Francisco que mesmo sabendo que “é morrendo que se vive para a vida eterna”, pretende seguir vivo no Peladão.

Dupla abençoada

Se não ganhar do São Francisco CRRA Família no tempo normal, é melhor se agarrar aos santos - menos o São Francisco - e rezar muito.

Isso porque o time da comunidade Riacho Doce tem “exorcizado” os adversários nas decisões por cobranças de penalidades. Já são quatro classificações seguidas após empates no tempo normal. Na primeira fase, o São Francisco CRRA obteve uma vitória e um empate. Já na fase de mata-mata, o time dirigido pelo devoto Régis e presidido pela goleira Cylha vem deixando os rivais incrédulos.

O meia Allan e o goleiro Valdiney vêm resolvendo a parada nos pênaltis pro São Francisco (Foto: Antonio Lima)

O primeiro a cair foi o Terra Santa, que após segurar o 1 a 1 no tempo normal sucumbiu nas penalidades por 3 a 2 e deu adeus ao Peladão. Depois foi a vez do Sharp, que não conseguiu transpor a defesa do time do Riacho Doce e foi eliminado por 4 a 2 nos “tiros da marca da cal”. O terceiro a cair de joelhos aos pés de São Francisco CRRA Família foi o temido Caça Barca, que ficou no 1 a 1 no tempo normal e deu adeus ao torneio nos pênatis por 3 a 1.

Pra finalizar a “peregrinação” do time santificado do Riacho Doce foi a vez da Família Coroado pecar na hora de finalizar e não ser perdoado pelo São Francisco por 3 a 2 nos penais.

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