Publicidade
Esportes
Craque

Secretários municipal e estadual falam sobre as perspectivas de 2015 para o desporto amazonense

A fim de traçar as perspectivas de 2015 para o desporto amazonense, o CRAQUE entrevistou os secretários municipal e estadual de esporte, Elvys Damasceno (Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer - Semjel) e Ricardo Marrocos (Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer - Sejel) 30/12/2014 às 16:15
Show 1
Elvys Damasceno secretário da Semjel e Ricardo Marrocos secretário da Sejel
Felipe de Paula Manaus (AM)

Ano que antecede a realização dos primeiros jogos olímpicos no Brasil, 2015 traz consigo uma grande expectativa sobre o desenvolvimento do esporte no País, cujos benefícios sabidamente alcançam o campo da saúde, cultura, integração social, combate à violência, entre outros.

Pois, se para os atletas de nível o ano que se inicia representa um período de intensa preparação com foco no grande desafio de 2016, para os responsáveis pela gestão de políticas públicas para o esporte, o desafio já começou.

A fim de traçar as perspectivas de 2015 para o desporto amazonense, o CRAQUE entrevistou os secretários municipal e estadual de esporte, Elvys Damasceno (Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer - Semjel) e Ricardo Marrocos (Secretaria de Estado da Juventude, Desporto e Lazer - Sejel).

Projetos e obras, interiorização e descentralização do desporto, esporte de alto rendimento e Olimpíadas: estes foram alguns dos assuntos abordados em duas longas conversas com os mandatários. Reproduzimos aqui os cujos trechos mais importantes.

Elvys Damasceno
Expandir as fronteiras do esporte, levando-o para além dos clubes e escolas direto para as comunidades. Esse é um dos principais objetivos da Secretaria Municipal de Juventude, Esporte e Lazer (Semjel) para este ano.

Para isso, o mandatário da pasta, Elvys Damasceno, conta que a Semjel deve investir na recuperação e reforma nos complexos esportivos da prefeitura e contará com aumento no orçamento da secretaria visando este fim.

Segundo ele, a orientação do prefeito Artur Neto é descentralizar a prática desportiva e tornar o esporte cada vez mais visto um sinônimo de investimento em cultura, cidadania e integração social.

No bate-papo com A CRÍTICA, o secretário falou ainda sobre uma possível alteração no Bolsa Atleta, considerado um dos principais programas de fomento ao alto rendimento no Brasil, que deverá ser mais criterioso neste ano, e sobre o legado da Olimpíada.


Elvys Damasceno secretário da Semjel. Foto: Antonio Lima

PERGUNTAS

1 O ano de 2015 antecede os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Qual a importância de gerir a pasta do esporte do Estado em um ano com o esse?
É um ano fundamental, apesar de que um trabalho como foco para uma Olimpíada é um trabalho de longo prazo, não dá pra ser de um ano apenas. Vamos manter o Bolsa Atleta, que é o programa que melhor paga a nível de Brasil. O atleta que ganha quatro mil reais não precisa estar trabalhando, pode custear boa alimentação, suplementos, um treinamento de alto nível. Nossa intenção é colocar pelo menos uma atleta na Olimpíada.

2 Vocês pretendem fazer alguma ampliação ou alteração no Bolsa Atleta?
A intenção, na verdade, é deixar ele cada vez mais criterioso. Tem que ser pra atleta nível olímpico. Tem que ser os atletas diferenciados, que exigem treinamento diferenciado. A gente ainda tem um critério de bolsa muito aberto. Temos hoje 56 atletas, incluindo os paralímpicos. Ela foi criada na intenção de patrocinar atletas com potencial de alcançar nível olímpico, mas hoje os atletas tão achando brecha de entrar na bolsa.

3 A intenção, então, é reduzir?
A intenção não é diminuir, mas deixar atletas que têm condição mesmo.  Ao longo da história, se tivemos cinco atletas amazonenses em Olimpíadas, é muito. 56 hoje é um número alto, quem dera que a gente tivesse esse número de atletas em nível olímpico.

4 Mas será que isso não pode estimular os atletas que ainda não estão nesse nível a alcançá-lo?
A intenção é essa, mas há atletas que, em certa idade, não tem idade para onde chegar. Agora, atletas de 14 anos, que ainda podem evoluir muito, podem ser nossas apostas. Isso foi uma orientação que nasceu no Conselho Municipal de Esportes, composto pelas maiores cabeças pensantes do esporte na cidade.

5 Durante a Copa do Mundo, muito se falou do legado que o Mundial deixaria ao Brasil. Qual é o legado da Olimpíada para o esporte brasileiro?
Com certeza, vai melhorar os centros de treinamento, os profissionais ficam mais estimuladas, há uma tendência a se qualificarem mais. Com certeza vai evoluir muito nosso esporte, no Brasil todo, e Manaus com certeza, vai ter um bom reflexo, não só dos centros esportivos com mais estrutura, mas do nível de qualificação dos profissionais.

6 Qual será o foco de atuação da Semjel em 2015?
Nossa intenção é ir para as comunidades e o Estado focar mais na parte do alto rendimento. Nossa parte vai ser mais a massificação, a revelação de talentos, tirar as crianças das ruas. O Bolsa Atleta já atua no alto rendimento e por isso que esse ano vamos direcionar mais pro comunitário.

7 E de que forma isso seria feito?
Já tem nossos profissionais, as federações que são parceiros também. Temos os CEL (Centro de Esporte e Lazer), que já tem em cada zona da cidade. Há também, nas federações e nos clubes muitos têm projetos sociais que são espontâneos, principalmente na área da luta... às vezes estão precisando só de um quimono, de um tatame, pra continuar... projetos que já existem e que com um empurrãozinho podem fazer muito mais. E dessa massificação a gente vai tirar a qualidade também.

8 Então vai haver menos eventos do que na gestão passada, marcada por ter tido muitos eventos, inclusive de grande porte?
O direcionamento do prefeito é de ser mais comunitário mesmo. Vão diminuir os grandes eventos e vamos mais pra comunidades. Não tem tanto recurso pra fazer as duas coisas. Promover campeonatos locais, fazer mais eventos dentro da própria categoria de base. Porque não fazer uma Copa do Bairros Sub-13, Sub-16?

9 O prefeito é muito ligado a esportes. Qual sua relação com ele?
Ele dá atenção total ao esporte. Ele entende que o esporte é uma forma de gastar menos, é prevenção à saúde, marginalidade, violência, ele vê isso, dá o valor necessário ao esporte. Quando chega com problema de esporte, ele dá prioridade. Passagem aérea, manda tirar, dá atenção especial mesmo. Para o ano que vem, ele me pediu para dar uma reforma nos complexos, que estão com problemas estruturais na maioria deles. Para isso vamos ter que ter recursos financeiros, porque sabem que tem um bom retorno, não só esportivo, como te falei, mas tudo isso que significa investir em esporte.


Ricardo Marrocos
A missão da Secretaria de Estado da Juventude, Esporte e Lazer (Sejel) em 2015 já está definida: transformar Manaus num centro de referência em estrutura de desportos olímpicos no Brasil.

O secretário da pasta, Ricardo Marrocos, assegura que Manaus já possui uma das melhores estruturas esportivas do País e que, com a reforma da Vila Olímpica, deve trabalhar para que Manaus receba seleções e atletas olímpicos para aclimatação e treinamento antes das Olimpíadas.

“Conheço o Brasil quase todo e digo: poucos lugares tem essa estrutura. Manaus tem uma das melhores estruturas de desporto do País, com a Arena da Amazônia, o Ginásio Amadeu Teixeira e agora, com a reforma da Vila Olímpica, vamos ter uma das melhores estruturas do País”.

Com a reforma, a Vila ganhará um novo parque aquático, um centro de ginástica rítmica e artística de alto padrão, a ampliação da assistência médica especializada para os atletas, além de um ginásio de lutas e a entrega da pista de atletismo, cujo reparo se arrasta há dois anos e deve, enfim, ser concluído até fevereiro.


Ricardo Marrocos secretário da Sejel. Foto: Mauro Neto

1 O ano de 2015 precede os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro. Qual o desafio de gerir a pasta do esporte do Estado em um ano como esse?
Pra gente, profissional de Educação Física, é um sonho. Claro que é também um desafio, mas ao mesmo tempo já me sentia preparado pra tudo isso. Nós assumimos no dia 15 de maio, são oito meses até dezembro, mas eu já estou aqui há 20 anos. Trabalhava na Fundação Vila Olímpica, fui professor de Educação Física, chefiei delegações do Amazonas, depois disso em 2003 foi criada a secretaria (de estado de Esporte), junto com o ministério dos Esportes, também criado nesse ano, e eu estou lá desde o início. Já tinha muita experiência, mas adquiri mais ainda.

2 A intenção da Sejel é transformar Manaus num centro de referência e trabalhar para trazer grandes seleções e atletas para cá. Qual importância disso?

É de fundamental importância que se passe por aqui uma seleção norte americana  de basquetebol, uma seleção de vôlei. Estamos esperançosos e vamos trabalhar muito neste ano se ficarmos aqui, junto ao Comitê Olímpico, onde temos bom relacionamento, apresentando nossas estrutura. Vamos inaugurar em fevereiro possivelmente o Centro de Treinamento de Ginástica Olímpica e Artística também e estamos melhorando nossas instalações. Além disso, pode ser um grande intercâmbio para os nossos atletas.

3 O senhor ficou apenas oito meses à frente da Sejel. Gostaria de continuar? E como deixa a secretaria se não permanecer?
A gente está aguardando decisão e o convite do governador, ansiosos para saber se vamos continuar aqui. Gostaria muito sim de permanecer, assumimos em maio uma secretária de Estado, num ano difícil por ser ano de eleição, que você fica limitado até pela lei eleitoral de executar alguns eventos. Fizemos o que estava planejado. Agora, se continuarmos, vamos ter quatro anos para fortalecer o esporte no Estado, tanto o de alto rendimento, quanto o escolar, para conseguir resultados expressivos a nível nacional.

4 De que forma o senhor acredita que o Amazonas pode aproveitar as Olimpíadas?
Não tenho nenhuma dúvida, o Brasil vai respirar esporte em 2015 e 2016. O mundo todo vai estar voltado pro Brasil, mas vamos estar trabalhando e toda a população brasileira,  neste ano, estará muito voltada ao esporte. O Governo do Estado deve ampliar ainda mais seus investimentos no esporte, até a própria secretaria. Nossa expectativa é muito boa, pois é o maior evento esportivo do mundo. Esperamos ganhar muitos pontos com ele.

5 Por falar nisso, como estão os recursos orçamentários da pasta para 2015?
Já foi aprovado. Temos um orçamento do tesouro estadual de 10 milhões de reais, e mais 37 milhões serão aportados. Ou seja, são 47 milhões para que a secretaria possa trabalhar e desenvolver seus projetos.

O Estado tem se destacado, assim como a prefeitura, pelo aporte ao  esporte de alto rendimento. No entanto, muitos desses atletas chegaram ao nível que estão mais pelo talento do que pela estrutura e iniciativas vitoriosas de revelação de talentos.

6 E como seria feito?
Centro de iniciação esportiva... Na Escola Agrotécnica, o Ifam, conseguiríamos fazer um bom trabalho de iniciação esportiva de atletismo, por exemplo. Tudo isso conseguimos projetar mas ainda muito superficialmente, não deu pra executar, mas espero que consiga fazer alguns desses centros para trabalhar com técnicos e acadêmicos de Educação Física.

7 Em 2014, vocês anunciaram uma maratona que deve colocar Manaus no circuito das grande maratonas brasileiras. Em que pé está a organização desse grande evento?
Lançamos na meia maratona de 2014 a maratona do ano que vem (2015). Ela está garantida. Nós vamos realizar no mês de novembro, ainda falta definir a data junto à Federação Amazonense de Atletismo. É um evento que não se consegue fazer sozinho, temos de ter a chancela da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).

8 Sobre a pista da Vila Olímpica: ela está parada há quase três anos. Qual a previsão de entrega da pista?
O material chegou há  praticamente um ano e quatro meses.  Mas  as colas já estavam um pouco deterioradas, vencidas (devido ao forte calor e umidade da região), então recomendaram que não as utilizasses. Foram encaminhadas outras, que já estão embarcadas por navio, mas ainda não chegaram. Deram previsão de 40 dias, então acredito que até em meados de janeiro já estaremos com o material em Manaus.

Publicidade
Publicidade