Terça-feira, 31 de Março de 2020
SUPERAÇÃO

Seleção do AM de Basquete em Cadeira de Rodas se prepara para Norte/Nordeste

O torneio regional será realizado em Manaus, nos dias de 2 a 7 de Março, na Arena Amadeu Teixeira



Basquete_B33207A3-F72A-46D9-9A02-C9A08BEE32DA.jpg Foto: Euzivaldo Queiroz
11/01/2020 às 16:46

A palavra esporte deriva do francês antigo, ‘desport’, que em uma tradução para o português seria como: recreação, passatempo ou lazer. Mas, para muitos atletas, o sentido dessa palavra é outro: superação, principalmente, quando falamos de paratletas. Diariamente, eles precisam derrubar barreiras visíveis e invisíveis para conquistar o direito de praticar esporte, de poder levar uma vida como qualquer outra pessoa e, especialmente, de ter o seu devido espaço na sociedade.

Esse é o exemplo de muitos atletas da Seleção Amazonense de Basquete em Cadeiras de Roda. A equipe disputará o Torneio Norte/Nordeste da modalidade, em Manaus, de 2 a 7 de março, na Arena Amadeu Teixeira.



“Essa competição pode nos dar a vaga para disputar o Campeonato Brasileiro. Para isso, temos que terminar entre as três primeiras colocações”, disse o comandante da equipe estadual, o professor Rildo Leão. 

Ele comanda o projeto da Seleção Amazonense desde 2003 e faz da Educação Física a sua ‘missão’. O treinador tem no currículo duas conquistas para o Estado: Copa Norte, em 2009, e Regional, em 2010.

“Ser professor de Educação Física não é apenas uma profissão, é uma missão. Só é professor quem tem amor por isso. Eu posso não ter fortunas, mas sou muito feliz com essa profissão”, afirmou Rildo, que é voluntário no posto de treinador do time. 

Dificuldades

A Seleção recebe apoio da Associação de Deficientes Físicos do Amazonas (ADEFA) e também apoio da Federação Paralímpica. No entanto, ainda faltam cadeiras apropriadas para para as competições.

“Essas cadeiras que temos são específicas para treino. Em setembro de 2019 tivemos uma audiência, nos reunimos com o governador e conseguimos a autorização dele para 20 cadeiras”, explicou sobre a situação da falta do equipamento específico para disputa de jogos em torneios oficiais da modalidade.

Vale lembrar que esse material é feito sob medida para cada atleta e precisa de um procedimento demorado para ser finalizado. Hoje (12), faltam três semanas para a competição. 

“Queria agradecer o governador por ter conseguido essa liberação, mas precisamos que a empresa responsável, que é de fora do município, inicie todo o processo”, declarou o treinador voluntário sobre todo o imbróglio envolvendo o equipamento necessário para os atletas.

“Essas cadeiras que usamos para treino são extremamente pesadas. Enquanto eles precisam de uma quantidade menor de movimentos para chegar até a cesta, nós precisamos de muito mais esforço físico”, revelou o comandante da Seleção.

Apesar da falta das cadeiras específicas para as competições oficiais, Rildo avalia que houve muitas melhorias para com a Seleção Amazonense.

“Antes a equipe se reunia numa quadra do conjunto Viver Melhor e água nos treinos também era escassa. Hoje nós podemos treinar toda segunda e quinta na Arena Amadeu Teixeira. Somos muito gratos por todo o apoio dado”, disse. 

Significado de força

É claro que dentro da Seleção Amazonense podemos encontrar diversas histórias comoventes de resiliência e força. Afinal, o que fazer quando a vida lhe tira os meios de trabalhar naquilo que você mais ama fazer?

Manoel Erivelton seguiu em frente e achou ‘novos amores’. O manauara queria ganhar a vida como jogador de futebol e chegou a atuar como lateral-esquerdo pelo São Raimundo. Porém, em uma ‘pelada’ de bairro, ele foi alvejado com dois tiros.

“Em 2008, estava jogando futebol e houve uma discussão. No meio disso, sofri um atentado com arma de fogo e fiquei paraplégico”, afirmou sobre o início de uma mudança completa em sua vida pessoal e de atleta.

Erivelton logo tentou buscar outro esporte que preenchesse a lacuna deixada pelo futebol. Foi nesse momento que ele se apaixonou pela natação.

“Depois de alguns meses conheci a natação e me dediquei bastante ao esporte. Treinava no Rio Negro e cheguei a conquistar medalha no Norte/Nordeste da modalidade”, revelou o paratleta, que não largou as esperanças de viver do esporte.

Quase um ano depois da perda dos movimentos da perna, Manoel descobriu o basquete em cadeira de rodas. 

“Eu sempre fui do esporte coletivo, é algo muito diferente do individual. Decidi novamente encarar o desafio do esporte de time”, disse sobre a preferência por modalidades coletivas.

Manoel diz ter passado a ver o mundo com ‘outros olhos’ através do esporte adaptado. Algo auxiliado pela vida ‘sobre’ cadeiras de rodas no dia a dia.

“Quando estamos em uma condição de não ter nenhuma deficiência, a gente não enxerga muitas coisas. Já quando estamos deficientes e no meio de pessoas assim, é muito diferente”, afirmou o paratleta que atua como ala na Seleção do Estado.

Segundo Manoel, o basquete em cadeira de rodas foi o esporte que mais o ajudou na ‘nova vida’ que ele precisou encarar de frente. 

“O basquete me fez socializar mais, foi realmente um novo rumo de vida. Pela velocidade do jogo e da força que precisamos fazer, ficamos muito mais habilidosos no uso da cadeira”, revelou sobre a melhoria no uso da cadeira no dia a dia. A respeito da expectativa para o torneio Norte/Nordeste, ele revela a dedicação de toda a equipe.

“Estamos treinando muito forte, a equipe toda dá o máximo nos treinos. Vamos para ganhar de todos”, projetou Manoel, que ressaltou a importância do time ter o equipamento adequado para a disputa que acontece em março, na capital amazonense. 

“Já tive a oportunidade de jogar em uma cadeira de competição e a diferença é gigantesca. É como se os adversários tivessem uma Ferrari e nós um Fusca. Fica muito difícil”, analisou sobre as chances de classificação para o campeonato brasileiro sem as cadeiras específicas.


 

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Repórter de A CRÍTICA

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