Publicidade
Esportes
DETERMINADA

Sem a perna esquerda, fisioterapeuta faz aula de pole dance, em Manaus

Há pouco mais de duas semanas, Kayane Carneiro, que teve a perna amputada aos 11 anos, aprende a modalidade que consiste em fazer movimentos em barras verticais 08/02/2017 às 03:56
Lorenna Serrão Manaus

Há pouco mais de duas semanas, a fisioterapeuta Kayane Carneiro (27), que não tem a perna esquerda, resolveu se aventurar em uma aula de pole dance. E apesar do pouco tempo de treino, já apresenta bons resultados. Mais do que manter a boa forma, ela buscou o esporte para mostrar que mesmo amputada é capaz de fazer qualquer coisa.

Incentivada por amigas e também pelo professor,  Kayane encarou as primeiras aulas de forma tranquila.  E fez movimentos nas barras verticais com e sem a prótese. Ao Acritica.com, ela revelou que fazer aula de pole dance não é tão fácil quanto parece, e que toda pequena evolução tem sido importante nesse processo.

“Está sendo difícil, mas ao mesmo tempo bastante interessante. A cada exercício que eu consigo fazer, eu venço uma dificuldade que eu achava que não conseguiria superar”, comentou Kayane, que já praticou natação, musculação e zumba.

“Eu gosto de me superar sempre. Não gosto que digam que eu não vou conseguir fazer determinada coisa. Estou sempre querendo superar os meus limites. Por isso, já fiz natação e até cheguei a competir. E fiz também musculação e zumba, e agora vim para no pole dance”, completou.

As aulas
As aulas de pole dance acontecem duas vezes por semana, na academia Top Life, Zona Centro-Oeste de Manaus. Quem comanda os treinos é o professor Abidjan Cabral, que apesar de trabalhar com a modalidade há sete anos, assim como Kayane, também vive um novo desafio.

“Quando você acha que já aprendeu tudo, você é surpreendido por um novo desafio e aprende um pouquinho mais. Tudo o que eu faço, Kaaney vai fazer de forma diferente. Eu vou fazer primeiro, me colocar no lugar dela, para que ela possa fazer sem se machucar e de forma que ela se sinta bem. Essas aulas têm sido uma aprendizagem pra mim também”, afirmou o professor.

Por enquanto, Kayane ainda não decidiu se quer se tornar uma atleta de pole dance, mas uma coisa ela tem certeza, além da força física, tem muita força de vontade para fazer tudo o que quer e da melhor maneira que puder.

“A capacidade está dentro da gente, em querer fazer ou não. Então, tudo o que eu quero fazer, eu vou lá e tento, às vezes eu tenho que me adaptar pra poder fazer, claro! Mas na maioria das vezes consigo fazer tudo o que eu me proponho a fazer”, disse a fisioterapeuta.

Desabamento
Kayane foi uma das vítimas do desabamento do edifício Enseada de Serrambí, no ano de 1999, em Olinda (Recife), onde pelo menos seis pessoas morreram. Na época, ela  tinha apenas 11 anos e brincava na área do bloco que desabou. Uma viga de concreto caiu em cima da perna esquerda dela, que foi amputada horas depois do resgaste.

Desde que recebeu a notícia sobre a perda da perna, a maior preocupação de Kayane sempre foi  com a reação da família. Otimista, ela teve apoio médico e psicológico e não demorou muito para se adaptar a nova condição. Já com a prótese, que recebeu seis meses depois do acidente, ela seguiu a vida normalmente.

Publicidade
Publicidade