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Esportes
Entrevista

‘Sem mágoas, sem rancor’: Lígia Silva fala sobre ter ficado fora da seletiva olímpica

A atleta amazonense sonha em participar dos Jogos pela quarta vez, mas ficou de fora das seletivas. Com isso, ela sonha em ocupar a caga que resta para a disputa por equipes 10/04/2016 às 22:48
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A atleta veterana sonha em disputar a sua quarta Olímpiada (Foto: Divulgação ITTF)
Camila Leonel Manaus (AM)

Um dos nomes mais conhecidos do tênis de mesa brasileiro é a atleta amazonense, Lígia Silva. A  mesatenista já participou de três edições dos Jogos Olímpicos: Sydney (2000), Atenas (2004) e Londres (2012). Ela foi a primeira mulher brasileira a participar do torneio individual olímpico.

Apesar do extenso currículo e a experiência de quem está há mais de 20 anos no esporte, a atleta não foi convocada pelo técnico Hugo Hoyama para disputar o Pré-Olímpico Latino-Americano, em Santiago, no Chile, última competição que dará vaga direta para os Jogos Olímpicos Rio 2016. As atletas convocadas para a disputa foram: Caroline Kumahara, Lin Gui  e Bruna Takahashi. A novidade ficou por conta da convocação de Bruna, de apenas 15 anos. Ainda resta uma vaga para a competição por equipes e essa é a chance de Lígia poder participar dos Jogos. Mas isso vai depender do treinador da seleção.

Enquanto espera pela decisão, Lígia segue treinando e se dedicando ao esporte que é a sua vida. Morando em Santos, a atleta que nasceu em Manaus, onde morou até os 17 anos, hoje se dedica aos treinos e à pós-graduação em Metodologia Esportiva.

Aos 35 anos, Lígia soma  três participações em Olimpíadas, cinco edições de Jogos Pan-Americano (na última edição, ela foi prata no torneio de equipes feminino) e 12 Mundiais.  E ela diz que nem pensa em parar de jogar, afinal, “atleta nunca para”. O limite para ela é “até o corpo aguentar”.

Quando olha para trás, a amazonense diz que a sensação é de dever cumprido, mas ela espera participar dos Jogos no seu País. “Você jogar em casa, falando tua língua, o povo gritando teu nome. Isso deve ser sensacional. Para mim seria tudo”, diz. Confira a entrevista exclusiva com a fera.

O Hugo é seu colega de esporte, chegou a jogar na seleção junto com você e agora é treinador da seleção. Como é o Hugo treinador?

Ele é muito duro quando tem que ser, mas é um paizão para nós. Exigente como todos os técnicos de alto nível. Muito sincero, muito realista também. Exige da gente que podemos ir além, buscar melhorar a cada competição. Acreditou na gente e isso é muito, mas muito importante. Ele conseguiu nos unir para competições importantes. Nos ensina a ter atitudes para enfrentar qualquer atleta mesmo sabendo do potencial de cada uma.

Você não foi convocada para o pré-olímpico e o treinador chegou a mencionar que foi uma decisão difícil, mas que a decisão foi tomada com base na seletiva interna. Como foi essa seletiva?

Não foi seletiva, pois a seletiva nacional eu ganhei final do ano. Foi escolha técnica mesmo. Comissão técnica, mas escolhas são escolhas, temos que respeitar e somar. Sem mágoas, sem rancor de nada. Não sou de torcer contra, não tenho essa índole. Que faça o melhor sempre. O que não queremos para a gente, não desejamos para os outros. Temos a somar sempre.

Você participou de três edições dos Jogos Olímpicos, como é a sensação de pensar que pode ficar de fora de uma Olimpíada justamente no Brasil?

Sensação de dever cumprido, pois fiz minha parte. Como eu falei, sem mágoas, sem rancor. A sensação é de sempre desejar o bem. Mas por ser aqui no Brasil, lógico que todos querem participar. Eu já participei de três. Para quem for, temos que desejar boa sorte sempre e que façam o melhor para o Brasil. Porque não sou contra a ninguém. Graças a Deus, fiz um nome. Não tenho o porquê de torcer conta ninguém. Temos que levantar uma bandeira só: do tênis de mesa brasileiro e do Brasil, pois todas as oportunidades que me deram, aproveitei. Então temos que torcer sim para dar continuidade a isso, nada de ficar no canto chorando.

Participar de uma Olimpíada aqui no Brasil... o que isso representa pra você?

A grande diferença é a torcida. Você jogar em casa, falando tua língua, o povo gritando teu nome. Isso deve ser sensacional. Para mim seria tudo! Um sonho de todos os atletas que irão jogar. Não tem coisa melhor do que você sair de um jogo, dando o seu melhor, representando teu País, e ver na arquibancada o povo falando ‘poxa estava torcendo pra você’. Isso é maravilhoso!

O Hugo falou que as meninas chegaram a um nível alto também graças a você, que treina com elas. Como é essa interação com as atletas mais novas?

Graças a mim, não! Méritos delas, pois para chegar ao alto nível não é fácil aguentar. Lógico que elas nos pegam como referência, mas sempre fiz da minha vida as oportunidades melhores possíveis. Ajudamos, somamos,  mas quem entra na mesa são elas. Então é bomouvir isso, mas nunca se acomodar com elogios. Buscar sempre crescer naquilo que escolhemos. E foi isso o que escolhi para a minha vida. Sempre busco aprender mais com elas, pois temos que evoluir sempre. Trocamos conhecimentos e não experiências, pois experiência não se passa. Isso pra mim é fundamental, temos que ser flexíveis com as mais novas. Buscar crescer juntas para elevar o nome do tênis de mesa brasileiro.

Você pretende jogar por mais quanto tempo? E quando parar, pensa em continuar no tênis de mesa? Quais os planos a médio e longo prazo?

Atleta nunca para. Se eu falar alguma coisa para você, estarei mentindo. Então vou indo até meu corpo aguentar, pois me cuido muito. Temos que entregar nas mãos de Deus. Mas temos que nos preparar para esses novos planos. A minha vida é tênis de mesa. Sou formada em educação física há 10 anos. Vou terminar minha pós em metodologia esportiva ano que vem. Então temos que estar sempre preparada para novos desafios. Pretendo sim dar continuidade dentro do tênis de mesa, pois você passar 20 anos dentro de uma seleção, alguma coisa temos de bom para passar, pois amo meu esporte. Para mim é o melhor esporte do mundo!

Nome: Lígia Silva
Idade: 35 anos
Naturalidade: Manaus (AM)
Modalidade: Tênis de Mesa
Ranking mundial:196ª
Títulos: campeã do Latino-Americano individual (2006, 2009 e 2014) e campeã mundial por equipes da Segunda Divisão (2014), Campeã por equipe e dupla no Latino Americano (2015), Campeã por equipes no Aberto de Luxemburgo (2015), Vice Campeã por equipes nos Jogos Panamericanos (2015)

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