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Esportes
ABISMO

Série D completa uma década e futebol amazonense segue sem acesso

Em dez anos, nenhum time amazonense jamais conseguiu sair dela. Quem mais tentou? Quem quase chegou? Confira tudo isso na reportagem 12/08/2018 às 09:35 - Atualizado em 12/08/2018 às 18:22
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América até chegou em 2009, mas não ficou na Série C (Foto: Divulgação)
Denir Simplício Manaus (AM)

“Inferno”, “limbo”, “fundo do poço”, “abismo do futebol”. Essas são algumas denominações dadas pelo torcedor ao Campeonato Brasileiro da Série D. Em 2018, a competição referente a Quarta Divisão nacional completou dez anos de disputas sem um único clube do Amazonas conseguir o tão sonhado acesso.

O CRAQUE foi ao fundo do abismo da Série D para tentar decifrar o mistério desse tabu que impede os times barés de alcançar a Terceira Divisão. Entre fantasmas e caveiras enterradas no fundo do poço do futebol brasileiro, o CRAQUE deste domingo traz números, os clubes locais que disputaram a competição, as melhores campanhas e, claro, os maiores fiascos dos nossos representantes no torneio.

Via Crúcis do Leão

O Brasileirão da Série D teve sua primeira edição em 2009 com 39 clubes. A ideia inicial seria de 40 participantes, mas o Acre desistiu de enviar seu representante. O primeiro clube amazonense e o que mais vezes tentou o acesso à Série C foi o Nacional (foram seis tentativas). Logo de início teve polêmica, já que o Holanda, campeão do Barezão de 2008, foi  preterido. Como venceu o 1º turno do Amazonense de 2009, o Naça ganhou a vaga. 

Depois de passar da 1ª fase como líder de uma chave que tinha Gênus-RO e Atlético-RR, o Naça foi goleado em pleno Vivaldão por 5 a 2 frente ao “poderoso” Cristal-AP (o Nacional empatou o jogo de ida em 1 a 1) e colecionou a primeira de suas seis eliminações até hoje na Série D.


Naça caiu para o Altos-PI, na Série D deste ano (Foto: Antonio Lima)

O Naça voltaria a tentar o acesso em 2011 em mais uma escolha polêmica. O Amazonas herdou uma vaga após desistência de Roraima e o Nacional acabou ganhando a briga com o Fast Clube (vice do Barezão de 2010) pelo critério do ranking da CBF. No entanto, o Leão da Vila deu vexame e nem passou da 1ª fase do torneio.

O Nacional voltaria a disputar a Série D em 2013, no ano em que o clube foi mais longe na competição. Na temporada em que o Naça deu show na Copa do Brasil chegando às oitavas de final, o time azulino caiu diante do Salgueiro-PE no Brasileirão, depois de empatar em casa por 2 a 2 (jogo da ida foi 0 a 0).

Na Série D de 2015, o Naça sequer passou da 1ª fase, assim como no ano seguinte. No entanto, o vexame em 2016 foi maior, já que a partir daquela temporada a competição passou a ser disputada por 68 clubes e 32 times passavam à fase de mata-mata. De forma quase “espírita”, o Leão nem conseguiu ficar entre os 15 melhores segundos colocados depois que o Espírito Santo-ES marcou gol nos acréscimos contra a Caldense-MG e eliminou o time amazonense pelo critério de gols marcados.


Melhor campanha do Naça aconteceu em 2013, mas caiu diante do Salgueiro (Foto: arquivo AC)

No Brasileirão da Série D deste ano o Nacional, que mergulhou numa severa crise financeira, até passou de fase, mas caiu no primeiro mata-mata diante do Altos-PI. O Leão venceu o time piauiense em casa por 4 a 2, mas havia sido goleado por 3 a 0 na ida. Fora de disputas nacionais em 2019, o Leão da Vila vive a expectativa de terceirizar seu departamento de futebol junto a empresários chineses.

Princesa, Penarol e Fast

Depois do Nacional, o Princesa do Solimões é o time amazonense que mais vezes tentou o acesso: três tentativas. Na Série D de 2014, o Tubarão do Norte caiu ainda na fase inicial, mas em 2016, o time de Manacapuru fez bonito e terminou a competição na 11ª posição na classificação geral. Naquela temporada, o Princesa terminou como líder na 1ª fase e despachou o Palmas-TO no primeiro mata-mata, mas foi eliminado pelo Rio Branco-AC na fase seguinte.

Na Série D de 2017, Fast Clube e Princesa foram nossos representantes. O Rolo Compressor fez feio e sequer passou de fase terminando a competição na 51ª posição na classificação geral. Com isso, o Tricolor conseguiu se tornar o clube baré de pior colocação na Série D. Já o Tubarão foi eliminado pelo Gurupi-TO na 2ª fase do torneio.

A história do Penarol na Série D teve dois capítulos em 2011 e 2012. Na Série D de 2011, o Leão da Velha Serpa, ao lado do Nacional, representou o Amazonas e, diferentemente do colega Leão, passou de fase mas foi eliminado na fase seguinte pelo Independente-PA. No ano seguinte, o Penarol caiu ainda na primeira fase numa chave que tinha Remo-PA, Vilhena-RO, Atlético-AC e Náutico-RR.

Pobre Diabo

Na Série D de 2010, o futebol Baré conheceu um dos episódios mais tristes de sua história. Após conseguir o acesso em campo e até disputar a final da competição, o América, do saudoso Amadeu Teixeira, foi punido com a perda de 6 pontos e perdeu a vaga na Série C de 2011 por ter escalado o jogador Amaral Capixaba de forma irregular. 

Comandado pelo técnico Sérgio Duarte, o “Diabo” terminou a 1ª fase daquele certame no segundo posto, atrás apenas do Remo-PA. Nas fases de mata-mata, o América despachou Mixto-MT, Joinville-SC (no jogo do acesso) e Madureira-RJ (semifinal). Na final foi batido pelo Guarany de Sobral-CE, mas o golpe maior veio meses depois com a eliminação do torneio. O feito do América jamais foi igualado até hoje já que o clube, mesmo punido, ficou na 5ª colocação na classificação geral.

O voo do Gavião

Se a esperança é verde o Manaus FC trouxe de volta a expectativa do acesso. Na Série D desta temporada, o Gavião do Norte esteve muito próximo de transformar o sonho em realidade. Sob o comando do experiente Aderbal Lana, o time caçula do futebol baré  terminou a competição na 7ª posição na classificação geral, logo em sua estreia no torneio.


O Gavião voou alto, mas parou no Imperatriz-MA (Foto: Antonio Lima)

O Gavião terminou a 1ª fase como líder e deixou pelo caminho Santos-AP e Rio Branco-AC. Porém, no jogo do acesso, o Manaus FC perdeu a vaga na disputa de penalidades contra o Imperatriz-MA. Atual bicampeão amazonense, o Verdão da Capital já garantiu vaga no Brasileirão da Série D de 2019, para mais uma tentativa.

Diagnóstico do fracasso

Técnico mais vencedor do futebol amazonense e último treinador a conseguir um acesso nacional - com o São Raimundo à Série B em 1999 -, Aderbal Lana, que quase consegue repetir o feito este ano com o Manaus FC, tenta explicar o que ele mesmo aponta como inexplicável.

“É uma coisa que a gente tenta explicar, mas é inexplicável. A gente trabalha, monta a equipes, chega lá perto e na hora de definir a gente sempre fica fora”, comentou Lana revelando que o fator financeiro também pesa.

“Nós trabalhamos agora, principalmente no Manaus, com uma faixa salarial muito baixa a nível de jogadores. E quando a coisa vai afunilando, você fica mais dependente da qualidade e realmente quando chega esse momento a gente tem dificuldades”, disse o técnico revelando sua maior decepção como técnico da Série D.


Lana não se decepcionou com a campanha do Manaus FC (Foto: Antonio Lima)

“A decepção que tive foi em 2013 com o Nacional. Fiquei triste porque tinha certeza que aquele ano a gente chegaria, que seria o ano do futebol amazonense porque o Nacional estava bem na Copa do Brasil e nós não ficaríamos fora da Série C, mas fui demitido antes do jogo com o Vasco”, conta o técnico afirmando que este ano o sentimento foi outro.

“No Manaus  não tive decepção, acho que foi um detalhe. No futebol tem muito isso, mas a gente chegou muito perto e fiquei muito feliz em ter participado disso”, disse o treinador que deve tentar o acesso mais uma vez com o Gavião em 2019. 

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